Autor: Roseana Franco

  • Busco

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    Busco uma pessoa, que me compreenda, que me estimule a crescer e aprender. Busco uma pessoa que converse, que tenha a mente simples com a palavra clara e pontual. Busco uma pessoa sem os floreios da modernidade e com a simplicidade de uma vida vivida. Que tenha o equilibrio como dom do viver, que não seja preconceituosa, nem generalista, uma mente aberta com gosto pelos livros e que não acumule objetos, apenas histórias para contar.

    Busco uma pessoa que independente da idade, seja jovem na mente e no desejo de sempre conhecer mais. Um amante do fazer junto, do sentar para um chá com leitura na terraza, aproveitando os últimos raios de sol de uma fria tarde do inverno europeu.

    Busco uma pessoa, que não sei se a encontrarei. As que tinha, acabo de deixar. Me encontro só, num escuro quarto, numa noite de sábado, no outono europeu.

  • Momento intrusa.

     

    Me sinto uma completa intrusa em minha própria casa.

    Acostumada a viver em uma família reduzida, não sociável, confesso que não sei me relacionar com pessoas dentro do lugar onde vivo. Posso contar nos dedos das mãos, as vezes que recebi visitas em minha casa, as vezes que recebi família. Desde pequena fui apresentada a uma vida doméstica muito simples, reservada e solitária. Hoje, como resultado, não sei estar quando tenho pessoas na minha casa, principalmente se estas vêem para ficar dias e tomam conta dos espaços com uma naturalidade maior que a minha, como se tudo fosse deles. Neste momento cria em mim uma barreira que não consigo transporne-la e, sem a verdadeira ajuda familiar (dos poucos que vivem comigo), a barreira se torna maior e não consigo nem sair da minha cama.

    Não sei como funciona com vocês, eu tenho ritmos e rotinas matinais que gosto de seguir-las para que meu dia tenha um bom ritmo, não é uma rotina rígida, mas sim silenciosa, sentada a minha cadeira, tomando meu café com leite gelado. Não, não é um pedido meu, mas é o que meu marido me serve todos os dias e por isso tomo, sem protestar, para mim é mais sagrado o silêncio e a tranquilidade matinal que a forma como está meu café. Neste momento gosto de estar, por 5 minutos que seja, em paz, com meu cachorro ao meu lado, com a camisa e a calça posta, mas por fechar, sentada calmamente assimilando o novo dia que chega. Receber visita de férias, quando sua vida não está em sintonia com férias, quando sua conta bancária não te permite nem um centimo de gasto a maiores, é um grande transtorno. Me sinto mal por não saber reacionar a tudo isso, estou chateada por me isolar e não me sentir nem compreendida, nem amada. Me sinto decepcionada com tudo o que construí.

  • Vivemos no tempo das cavernas?

    Hoje me tocou trabalhar em Palas de Reis, uma cidade na Provincia de Lugo. Palas é uma das cidades do caminho que leva a Santiago, pelo caminho francês. É uma cidade histórica, o castelo da foto é do ano de 702, foi residencia de um rei visigodo que matou ao duque de Galícia, que havia transformado o ducado visigodo em reino. Uma história de traição dentre tantas nos períodos de guerra e disputas de poder.

    A cidade é tão pequena que tem uma rua principal e algumas transversais, paralela a principal, nada…rs. O forte da cidade é o caminho de Santiago,  vi mais albergues que negócios. Gosto desse astral de cidade pequenita, mas fico imaginando o morador daqui, ele deve cansar de viver num lugar que depende principalmente do turismo, os turistas, cada vez menos tem respeito ao lugar e às pessoas locais. a culpa não é do turismo ou turista, acho que este é só um reflexo de como está a humanidade, cada vez mais egoísta e intolerante. Avançamos tanto em tecnologias e conhecimentos que deveríamos mudar o chip das relações e fazer melhor, mas não é o que vejo.

    hoje pela manhã no trabalho fui elogiada, pelo meu dia anterior. Deveria estar feliz, acontece que o ser elogiada, causa desconforto em outras pessoas, que sentem incomodo porque atingi resultados que buscam os chefes. Sem buscar muito eu consegui,, pode ser por coincidência astral, ou porque mudei minha forma de me relacionar com a vida e com as pessoas, de verdade não sei, não tenho claro o que me fez conseguir o resultado. O que tenho muito claro na minha cabeça, a reação da equipe, que deixa de falar comigo, tomar o café e sai do escritório com a cara e a energia transformada é a única que não me agrada. Eu não posso fazer nada por eles, lamento, fiz por mim, nosso trabalho é isolado, dependemos pouco de cada colega, e sim, dependemos muito de nossa predeterminação a conquistar. Uma pena isso tudo, o ser humano por mais educado que seja, ainda tem muito o que aprender, o que evoluir. As vezes penso que mudamos pouco comparado com os homens das cavernas.

  • Post atrasado – Agosto

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    Estou muito atrasada, eu sei, já estamos no final de setembro, um mês depois. Tinha deixado este post feito no rascunho e me esqueci dele, essa é a verdade. Então, agora que encontrei, ai vai.

    Dizem que o mês de agosto é o mês dos desgostos, por isso decidi fazer dele um mês minimalista, não criei muitas expectativas, embora tinha metas para ele, que não consegui cumprir, pois trabalhei mais que imaginava. Assim, levei o mês com tranquilidade, superando dia a dia o que me aparecia.

    No trabalho escutei dos meus companheiros que era um mês horrível com as pessoas de férias e, uff, me cansei de tanta lamentação. Minha paciência não é muito grande, sou ariana. Acredito que melhor que lamentar, devemos olhar para frente e para os lados, para buscar novas alternativas, alguma forma de reverter as situações e, como nem sempre conseguimos mudar o cenário, minha dica é que relaxe e viva, espere passar o que incomoda, afinal nada é eterno. O principal nesse momento é não focar no negativo, se não consegue por um caminho busque outro, pare, respire, espere a nova maré e siga caminho.

    Com tudo isso, não quero dizer que meu mês de agosto foi maravilhoso, mas sim garanto que foi um mês de muitas descobertas e conquistas. Nem todas as minhas metas foram alcançadas, porém as que foram, são importantes.

    • Conseguimos definir a equipe de futebol que o filho vai jogar. Foi uma decisão difícil, que me encheu de ansiedade porque não queria escolher nada errado para meu filho. Resulta que com 2 semanas de treinos e alguns partidos amistosos, ele está muito feliz. Isso é o que importa!
    • Consegui dedicar tempo de qualidade para estar com a minha família. Mesmo com o sufoco do meu trabalho, os poucos momentos que passamos juntos, dedicamos para, em equipe, fazer coisas pela casa, por e para nós. Foi divertido e prazeroso.
    • Sobrevivemos a um mês com muito pouco dinheiro (a empresa me descontou um bocado pelos dias de baixa que tive quando caí e me machuquei, e não pude trabalhar). Tivemos alguns momentos tensos, sem saber como fazer, mas fomos criativos e agora o mês de agosto é todo passado.
    • Sigo com duas negociações muito importantes no Brasil, elas caminharam mais em agosto do que em todo o ano. Veremos o resultado em breve, assim espero.
    • Conseguimos manter a casa organizada, ou mais organizada do que nos últimos meses.
    • Consegui controlar minha dores. Passei um período feio, com muitas dores no corpo, e agora controlo, com a ajuda de meditação e uma medicação que em pouco tempo vou eliminar. Quem me conhece bem sabe que não gosto das medicinas. Já me basta a que sou obrigada a tomar por toda a minha vida.
    • O Ho´oponopono voltou a fazer parte da minha vida. Agora tenho mais conhecimento do método e todos os dias dedico tempo para ler e meditar. Notei uma diferença considerável na minha energia. Esta técnica se encaixa muito bem com minhas crenças espirituais, por isso não foi difícil me adaptar.

    Assim vou vivendo, a cada dia tenho a oportunidade de começar tudo do zero, fazer melhor do que fiz no dia anterior. Aprender algo novo e conhecer uma pessoa nova. Dia a dia tenho motivos para agradecer a vida.

  • minimalismo

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    Não quero ser mais uma de tantas falando sobre minimalismo como moda. para mim é uma busca pessoal, por simplicidade, felicidade e um adeus ao stress. Estes dias percebi que o minimalismo vai mais além do que buscava ou estava vivendo. Não é apenas simplicidade de vida e felicidade, o minimalismo pode ir muito mais longe, é um conceito de vida que com dedicação pode afetar valores que estavam enraizados em nossa pessoa. Como percebi? Tive uma experiência que me fez sentir a pessoa mais feliz do mundo e quando parei para observar o que me dava esta sensação plena de felicidade vi que tinha muito pouco a ver com dinheiro, lugar onde estava (Brasil ou Espanha, uma casa linda ou meu velho apartamento) e sim, tinha tudo com a relação e a simplicidade do momento em família. Me senti a mulher mais feliz do mundo por estar na cama com meu marido, filho e cachorro, conversando e rindo. E, nesse momento não falávamos sobre compras e coisas, mas sim sobre um momento delicioso que tivemos em família no café da manhã, quando todos juntos na nossa velha cozinha disfrutamos de um delicioso pão com manteiga e depois brigamos,  de brincadeira é claro, por pedaços de um melão super docinho.Esse momento de descontração e diversão em família, certamente ficará em nossas memórias e sim,  isso é felicidade, isso é plenitude e abundancia de vida.

    Ontem enquanto trabalhava,  e minha cabeça não parava de pensar no meu principal problema, acabei por fazer uma lista mental de todos os últimos problemas que tive e percebi que a maioria estava relacionado com dinheiro. Tudo se resumia em uma palavra, dinheiro. Não quero amaldiçoar o dinheiro, mas sim colocar ele num lugar determinado, que não seja o ponto focal de minha vida. Ele não me salvará e nem colocará em perdição, e por isso, perceber que o dinheiro é o único que pode solucionar os problemas que tenho agora, me ajuda a perceber que deixar ir, pode ser a grande solução para os maiores problemas ou dores.

    Explico: hoje sofro muito porque estou prestes a perder um apartamento que tenho no Brasil e que não consigo pagar o financiamento, não consigo pagar por uma série de circunstâncias que não tenho como dizer se fiz certo ou errado. Quando mudei de País deixei um valor considerável no banco para fazer os pagamentos mensais do apartamento, acreditando que em X’s meses eu já teria um bom emprego aqui e poderia mandar uma quantia ao mês para efetuar os pagamentos, acontece que os planos A, B e C, não aconteceram e agora estou me reinventando, porém isso leva tempo e de momento, não tenho dinheiro para fazer o pagamento e assim estou para perder um imóvel. É triste, acredito que não estava preparada para o perder, por isso pensando cheguei a conclusão do “deixar ir”.

    Quando comecei a viver o minimalismo, lá neste apartamento que agora estou perdendo, vivia com a intensão de facilitar a vida, tinha sofrido muito fechando a vida do meu pai que era um acumulador desorganizado e decidi que eu não seria assim, eu teria tempo pra mim e para minha família, foi assim que comecei, limpando e destralhando o armário do escritório, dali passei para roupas de casa e depois para as roupas da família, estava determinada a facilitar a vida. Nesse momento surgiu a novidade, a mudança de País e assim tive que fechar mais um apartamento e transformar tudo o que tínhamos em algumas poucas malas, incorporei o minimalismo. Com o passar do tempo, claro que acumulei algumas coisas aqui no novo País, mas sempre tenho a atenção e de tempos em tempos faço uma limpeza e destralho coisas que já não uso, vigiar é importante, pois as velhas manias sempre podem voltar. Assim, mantenho o controle, mas este final de semana consegui me aprofundar mais no conceito do minimalismo, percebendo a felicidade de momentos tão simples e vendo que sempre dei ao dinheiro um valor maior que o que deve ter na vida que busco.

    E vocês, como vêem o dinheiro? Que relação vocês têm com ele? Como encaram e vivem o minimalismo? Me contem, ficarei muito feliz em conhecer um pouco de cada um dos meus leitores.

  • sem culpa – beda + reto de los 100 días

    culpaSem culpas, mas assumindo meus limites, digo que não fui capaz de levar os objetivos que me tracei, de postar diariamente os posts do BEDA de Agosto. E, da mesma forma, não fui capaz de postar durante 100 dias, como me propus, inspirada no livro que ainda estou lendo.

    Sim, falhei com meus propósitos, mas os assumo sem a dor da culpa. Tive que me dar limites, para sobreviver ao furacão de trabalho pelo qual passei. Não, não troquei de trabalho, continuo na mesma empresa. O que passa é que mês de verão para muitos é maravilhoso, mas para o setor que trabalho é quando mais horas temos que fazer e, logo depois vieram as férias da equipe e fiquei sozinha por um tempo. Foi uma boa experiência, mas tive que reposicionar toda a vida para conseguir passar por este momento.

    Quero voltar com o blog, não sei se conseguirei escrever todos os dias. Ojalá consiga!

    Durante esse período tive muitas ideias de textos, diferentes e que poderiam ter dado um caminho diferente para o blog, mas não consegui escrever nada e muito se perdeu nas estradas que percorri. Mas sei que logo terei novas ideias que vou aplicar por aqui.

    Se quiserem dar dicas de assuntos, se quiserem saber de algo, podem perguntar. Percebo que meus leitores são muito tímidos e pouco comentam. Fiquem a vontade, a casa é de vocês.

  • BEDA #18 + Reto de los 100 días #18

    No meu trabalho costumo comer muito na rua. E tenho que me controlar, pois aqui na Galícia se come muito e muito bem!!!! Dependendo de onde você vá, é uma animalada a quantidade de comida que te servem. Dá uma olhadinha no que comi hoje.

    Hoje estou em Silleda, na Provincia de Pontevedra. E sempre que estou aqui como no restaurante D´Tapas, gosto da decoração, das músicas, do ambiente, do carinho que nos atendem e adoro a comida. Aqui como igual a uma rainha. O menu do dia é dos mais caros que já comi, porém a qualidade e a quantidade, são indiscutíveis. Pago 12€ com muita alegria!!! Olha como o lugar é bem legal, bem bonito.

    A comida aqui, falando em Galícia que é onde tenho mais experiência, é servida segundo um ritual, composto por prato de entrada, prato principal (ou segundo), um troço de pão artesanal, uma bebida – normalmente é uma garrafa grande de água ou uma taça de vinho, uma sobremesa e o café do final.  Eu disse que era uma animalada!!!

    Eu que estava acostumada a comer uma saladinha com um troço de carne pequeno, me assustei com a quantidade de comida aqui. Trabalhando só com homens, andando e falando muito, confesso que estou me acostumando a esse ritual, o que não é bom pra mim, meu metabolismo não ajuda, preciso comer menos, muito menos. Tem dia que acabo comendo apenas uma prato, explico que é muito e escolho uma das sugestões do dia e me entregam um prato único. Isso é um pouco raro pra eles, tanto que o prato único vem com uma quantidade absurda de comida. Essa semana em especial eu exagerei, foi uma semana dura de muito trabalho e acabei comendo o menu completo Na quinta estava em outro Pueblo, em Caldas de Reys, também na Provincia de Pontevedra. Ali também comi como uma rainha, pena que esqueci de fazer fotos para mostrar. O nível foi similar ao de hoje. Tenho que tomar cuidado, assim vou engordar e colocar a culpa na Galícia…. rsrsrs.

  • BEDA #17 + Reto de los 100 días #17

    De porta em porta

    Já te contei do meu trabalho aqui na Espanha?

    Toda pessoa que vai mudar de País tem que estar preparada para tudo o que possa aparecer em sua vida. Se, um dos objetivos da mudança é começar uma vida nova e buscar trabalho no novo País, é importante que venha legalizado. Eu recomendo!!! Acreditamos que chegando em outro País a vida rapidamente se organizará e, muitas vezes acreditamos que vamos encontrar as oportunidades dos sonhos fora da nossa casa Brasil. Acreditamos nas histórias dos filmes, só pode ser. Em partes, eu também acreditei, pois vim pra Espanha com documentos, marido e filho espanhóis, e lugar próprio para morar. Pensava que chegaria aqui e qualquer empresa me contrataria, pois tenho experiência no Brasil com grandes empresas, grandes contas e que seria uma vendedora que em 1 mês já estaria trabalhando na melhor gráfica local e ganhando bem. Inocente!!!! A realidade foi outra. Demorei para conseguir um trabalho e o primeiro não foi nada bonito, a situação de trabalho era tão ruim que não coloco esta experiência no meu currículo e não suportei mais do que 15 dias ali.

    Percebi melhor a situação, quando perdi uma oportunidade de trabalho que colocava como requisitos mínimos coisas que para mim eram mais que garantidas; comercial bilingue  português/espanhol além de ter conhecimentos técnicos de processos de impressão. Vamos combinar? O Universo conspirava a meu favor, este anuncio tinha sido criado pra mim, eu era a pessoa que eles buscavam e, esta era a vaga que eu buscava. Estava super radiante, passei pela primeira entrevista, com uma pessoa de Madrid, não tive nenhuma dificuldade para falar o espanhol, nem para compreender o que a pessoa falava. Fiquei super confiante acreditando que naquele meu segundo mês de Espanha eu já seria contratada por uma multinacional e seria a pessoa de vendas de todo o norte da Espanha. Nada me assustava, estava confiante. O tombo foi duro, não acreditaram que eu seria capaz, por ser mulher, mãe e estrangeira, deram a vaga para um homem espanhol, que tinha bem menos conhecimento técnico que eu. Não digo que isso passe em 1100% dos casos, mas sim garanto que em muitos casos, preferem primeiro dar a vaga para uma pessoa local, de nascimento e vida. Hoje depois de 2 anos de Espanha, tenho isso claro, pois escutei de diversas pessoas. Já ouvi muitas histórias e conheci muitos estrangeiros por aqui, a maioria conta o mesmo.

    Fato é, meu currículum aqui não era valorado e, algumas vezes não foi considerado, pois minha experiência não é local, não é possível pedir referencias ao meu antigo empregador ou a seguridade social (que seria o nosso INSS). Aqui, como não temos uma carteira de trabalho, para comprovar que trabalhamos nas empresas que informamos no currículum, pedimos para a seguridade social um relatório que indica todos os pagamentos da contribuição social e porque empresa foi feito. Como eu não tinha, não conseguia comprovar.

    Para começar a me movimentar por aqui e ganhar algum dinheiro, fui trabalhar como extra num hotel 5 estrelas. Ali me consideravam velha, pois só contratavam fixo as mulheres com menos de 30 anos, as outras eram chamadas para momentos específicos de alta, na época do verão. Ali fiquei 4 meses. Sai porque ganhava muito pouco e sobria muito de dores no corpo. O trabalho de camareira, embora parece ser simples, não é. A exigência é alta por qualidade e velocidade. Eu não conseguia. A falta de experiência e a minha coluna toda destruída não me permitiam fazer com agilidade, só cumpria o requisito da qualidade, mas o outro era fundamental. Sabia que ao final do verão não ficaria e sai, fui trabalhar no bar que montamos por indicação. Este foi o pior período de minha vida aqui na Espanha. Trabalhávamos todos os dias de 07:30h até no mínimo 22 horas. Não descansávamos, não passeávamos e ganhávamos muito pouco dinheiro. Não compensava a quantidade de trabalho e estresse para tão pouco dinheiro. Fechamos o bar e comecei a trabalhar na empresa que já estou há 8 meses.

    Esta empresa tinha me chamado para uma entrevista na semana que assinamos o contrato do bar, por isso recusei a oferta naquele momento. Agora, depois de fechar o bar, ela me chamava novamente e queria que começasse de imediato. Ali fui. Hoje vendo sistemas de alarme para o pequeno comércio, casas e apartamentos, a maiores de um\ tele assistência. O modelo de venda é feito exatamente como na foto acima. Chamando casa a casa, negócio a negócio, apartamento por apartamento. Para se dar bem nesse tipo de venda as exigências são muito elevadas:

    • resistência a pressão;
    • resistência aos nãos e frustrações;
    • a pessoa não pode ter vergonha e nem se dar desculpas por não fazer as tantas mil portas ao dia, afinal são estas tantas portas é que farão com que um número muito pequeno de pessoas ter escutem por completo e, um número ainda menor, de pessoas que te deixem falar de preço.

    Nesse trabalho não há tempo ruim, seu animo, sua determinação, sua capacidade de argumentação e a resistência sempre devem estar no mais alto nível. Você tem que ser capaz de se auto motivar a cada segundo. O que não é fácil, confesso que alguns dias me venho a baixo, principalmente quando lembro o trabalho confortável que fazia. Mesmo com as largas noites que passei em gráfica, minha vida anterior sempre foi muito mais fácil que a de agora. Como sempre, gosto de pensar muito na vida, questionar, analisar. E rapidamente percebi que não tenho outra opção, ou encaro, ou encaro. Esta é a minha única opção de vida, o dinheiro não nasce em  árvores, como dizia minha mãe.

    Quando estive no bar, acabei ficando com uma depressão muito forte e precisei tomar remédio. pois é, conversando com meu médico de cabeceira aqui na Espanha, chegamos a conclusão que não deveria ter parado, preciso desta medicina. Por alguma questão meu organismo não está se relacionando bem com tanta mudança, tanta exigência, tanta dificuldade, tudo inerente a uma vida nova, num País novo. E, foi assim que voltei a tomar a pastilha da depressão. Voltei hoje. Sei que os próximos 15 dias serão complicadinhos, a adaptação do corpo a este remédio é difícil. Mas vou superar, sou guerreira e vitoriosa. Já venci muitas e esta vencerei também!!!

    Se quiser conte aqui, nos comentários suas experiências profissionais fora do Brasil. Quem quiser pode contar suas histórias de superação da depressão. Vou adorar conhecer algo de cada um de vocês.

    Um grande beijo.

     

  • Beda #16 + Reto de los 100 días #16

    pedras equilibrio

    Não sei se já contei aqui, antes de vir pra Espanha, quando ainda estava no Brasil eu já me interessava pelo minimalismo. Eu vinculava o minimalismo a organização, ou a facilidade de manter as coisas organizadas e controladas. Me preocupava o comprar, comprar e comprar. Buscava a compra consciente, mesmo que muitas vezes não fazia.

    Nunca fui de comprar roupas, comprava somente quando precisava, porém sempre comprava livros, mais do que era capaz de ler. Raramente comprava objetos de decoração, somente quando fiz a obra no apartamento e ai coloquei o que precisava, mas sempre tinha os armários da cozinha e a geladeira cheios, com mais comida do que comeríamos, acho que em alguma encarnação passei fome. Nunca comprava maquiagem, mas de 2 em 2 anos trocava de carro. Se converso sobre isso com um psicólogo, tenho claro que em poucos minutos ele traçaria meu perfil psicológico, jajaja.

    Aqui na Espanha, sempre me preocupei em montar o apartamento e construir uma vida que fosse fácil de administrar. Poucos móveis, que infelizmente não foram os que eu queria (Ikea), porque a loja fica em La Coruña e naquele momento não podíamos ir ali, com isso, acabamos comprando aqui numa loja, que era pra ser baratinha, mas com uma qualidade razoável… Por fim, resulta que essa foi a melhor opção, pois nenhum móvel seria resistente aos caninos dentes do Rufus filhote e, melhor ter este sofá feio comido pelo Rufonildo, do que o que eu tanto queria da Ikea.

    Hoje, com as mil mudanças diárias que passo com a adaptação em outro País, vi que o minimalismo também mudou para mim. Sinto falta de referências pessoais, sinto falta de memórias, sinto falta de amigos. Por isso defini um cômodo da casa, o quarto que faço de escritório e quarto de visita, para ter mais coisas. Ali tenho quadros na parede, mais livros que a estante pode permitir e algumas fotos expostas. Não há caos, porque o caos me deixa louca, má há mais informações acumuladas que em todo o resto do apartamento e, quando estou assim, mais saudosa, sento ali na poltrona e olho a vista. Respiro o ar deste quarto e me sinto em casa, uma casa qualquer, que seja a minha casa confortável e acolhedora. Outras noites preciso me refugiar e durmo ali, para recarregar energias.

    O apartamento que vivo não é bonito, é velho e feio. Não está limpo, normalmente quem limpa são os homens da casa e fazem daquele jeito, que normalmente me estressa. E foi assim que descobri, o minimalismo, muito mais do que comprar ou ter menos é buscar o equilibrio. Compreender que ponto do menos é mais para você, e saber que esse ponto pode variar conforme a situação de vida que você tenha no momento. Por isso, relaxe, entenda seu momento, saiba quem é você e acima de qualquer rótulo, se valorize e se respeite.

    E pra você, como surgiu o minimalismo? Como você encara o minimalismo?

  • BEDA #15 + Reto de los 100 días #15

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    Olha, não quero fazer um post daqueles tristes, que todos fugimos. Hoje com as mídias sociais, só queremos ver coisas bonitas para invejar a vida do vizinho, afinal, a grama do vizinho é sempre mais verdinha, né?

    Para a alegria dos invejosos de plantão, tenho uns que me seguem nas redes sociais, que (rindo aqui) vão ficar felizes com o relato que vou fazer agora.

    Não, minha grama não tá verdinha. Pode ser que para outra pessoa esteja, mas para mim, para minhas expectativas de vida, não está!!! Em muitos momentos penso muito se fiz besteira em vir pra Espanha, acho que não, pois todos os amigos que ficaram no Rio de Janeiro dizem que ali está absurdo de ruim. Mas a verdade é que aqui a coisa não está nada boa, volto a dizer, para as minhas expectativas.

    Quando me mudei, tinha ilusão de uma vida diferente em muitos aspectos. Esperava mais facilidades, afinal já vim com documentação e com lugar para morar, mas que nada, tá sendo difícil pra caramba. É muito difícil fazer amigos, muito difícil conseguir trabalho de qualidade pra mim e mais difícil ainda, conseguir trabalho para o Enrique, que já está há 2 anos parado.

    Em alguns pontos, aqui estou muito melhor que no Brasil, um deles demorei uns 6 meses para perceber. No Brasil já estava tão acostumada com a falta de segurança que não vi que estava com um comportamento beirando a neurose, tudo por hábitos que fui adquirindo para me sentir mais protegida. Ali já não usava relógio e nenhuma outra jóia, nem que fosse de pouco valor. Também não falava ao celular na rua, se um cliente me ligasse, eu sentiria pela vibração e entraria em alguma loja para atender, jamais na rua.  Aqui, tudo mudou, posso andar na rua as 3 ou 4 da madrugada, com celular na mão, relógio, anel que nada me acontece. Sei que se estivesse em Madrid ou Barcelona não poderia fazer, mas tampouco faria se estivesse numa Cidade de interior no Brasil. Ou seja, sim, vivo num lugar muito tranquilo. Como disse, demorei 6 meses para perceber, para cair a ficha e, pouco a pouco, desacelerar.

    Saúde e educação, são outros dois pontos a considerar, e que são muito melhores quando comparados com os do Brasil.  Do meu ponto de vista a saúde pública daqui é similar a privada do Brasil, e a educação pública, é superior a de muitos colégios privados no Brasil. Eu acredito que nossa analise de bom ou ruim é sempre com base em experiências anteriores. os espanhóis reclamam porque a qualidade tanto da saúde como do ensino já foi melhor do que é hoje, mas para mim, que posso comparar com o que tinha no Brasil, digo que aqui estamos muito melhor.  Os dois serviços são públicos e funcionam de igual a superior que os particulares, o que me dá muita tranquilidade, sei que meu filho sempre estará bem assistido aqui.

    Só que a vida não é só isso, e aqui muitos dias me sinto triste, muito triste. Não sou apaixonada pelo meu trabalho daqui e sinto falta da rotina de trabalho flexível que tinha. Sinto falta do trabalho criativo que fazia com muitos dos meus clientes. Sinto falta  do meu escritório em casa, do armário cheio de amostras, do café que tomava quando estava falando com alguma pessoa, do cigarro que fumava na varanda quando parava para ver as árvores do condomínio. Sinto falta do trabalho bem feito e bem remunerado.

    sinto falta