Categoria: Minimalismo

  • BEDA#6 – quando abandonei o minimalismo.

    amareloComo vimos no BEDA#5, o minimalismo surgiu na minha vida como uma tendência e um desejo de fazer parte de um grupo com o qual eu me identificasse. Na parte referente a empresa, ao meu trabalho, foi muito mais fácil do que se fazia a parte pessoal. Acho que o motivo é bem claro, no trabalho eu já fazia parte de um grupo. Mesmo que estando dia-a-dia sozinha, isso não era um problema, uma vez que eu tinha grandes corporações por trás me dando apoio e respaldo. E o lado pessoal?

    Quem me conhece sabe, pareço tranquila, mas a cabeça está sempre a mil. Sou meu maior, melhor e pior treinador. Exijo de mim o limite de cada dia. Nunca estava satisfeita com o que me apresentava e tinha crises de estresse muito fortes, cada vez mais fortes.

    Acredito que a busca pelo minimalismo, por algo novo, mínimo e simples.. era meu inconsciente gritando e pedindo ajuda, uma vez que eu não percebia que as crises de nervosismos, ansiedade, dores de cabeça, noites mal dormidas, dores na coluna e tantas outras coisas, estavam me chamando a atenção para algo que não ía bem no meu corpo relacionado ao modelo de vida que levava.

    Quando percebi que me faltava um motivo, a consciência de porque queria o minimalismo em minha vida, foi mais fácil responder a cada pergunta que me fazia. Algumas demoravam mais, como por exemplo o que mais quero na minha vida? Não me valia a resposta: “meu marido e meu filho”, porque sei que só isso não me faria feliz e completa. Gosto muito das minhas conquistas pessoais, elas são muito importantes para mim, e o minimalismo estava já nesse nível, conseguir compreender e viver o minimalismo era um objetivo a ser conquistado.

    Passaram-se meses de trabalho intimo, onde me questionava sobre o querer e o valor. Me questionava o que de verdade era necessário. Sempre tentava ver quando estava me sabotando e mentindo para mim mesma. Tem quem comece o processo e consiga desapegar com facilidade, eu não considero que foi difícil o desapego pra mim. Desapegar foi fácil, o mais complexo foi manter a mente no necessário e não me permitir ir de compras para simplesmente encobrir uma tristeza, ou comprar porque o outro tem algo parecido, por imagem ou status.

    Foi nesse momento que percebi que o minimalismo não pode ser só vivido externamente com seus bens, mas sim sentido e compreendido.

    • Sentindo-se livre e liberta para levar sua vida para onde queira, sem grandes troços materiais que te bloqueiem o fluxo de energia da vida.
    • Vivendo um dia de cada vez, de forma simples e ordenada. Não colocando na caixa de entrada mais do que você, com suas limitações seja capaz de suportar.
    • Aprendi a dizer não e, mais gratificante a saber receber o não.
    • Confesso que ainda tenho muito que aprender, mas algo aprendi… Melhor dizer, estou aprendendo a esperar. Nem tudo vem no meu tempo, eu não controlo o tempo desta forma, como para dizer o que tem que ser e quando eu quero.
    • Aprendi a falar menos, falar o necessário. Aprendi a ouvir mais e melhor, que chamamos de escuta ativa.

    No meio tempo de tantos aprendizados, meu pai morreu num trágico acidente de carro. Foi um momento duro, onde tive que rever toda uma história de vida muito complicada, foi quando validei informações que tinha a seu respeito e descobri que na realidade não conhecia ao meu pai. Foram 7 dias em que meu pai esteve na UTI, entre a vida e a morte e 1 mês e meio, tempo que tive para esvaziar seu apartamento e liberar para locação. Durante esse tempo, recebia ao menos 2 vezes por semana, a ligação da minha Diretora dizendo que não podia mais me esperar, tinha que trabalhar e vender. Na verdade não deixei de trabalhar e vender, mas a cabeça estava fora de foco e não alcançava os meus objetivos com tanta facilidade. Nesse período perdi totalmente o foco e, sem grande esforço, abandonei o minimalismo.

  • BEDA#5 – Como começou o minimalismo em minha vida.

    Hoje quero contar para vocês um pouco, sobre o minimalismo na minha vida. Não sei já falei como tudo começou. Era um simples desejo de simplificar, ter mais espaço e tempo para minha família e para mim. Limpar minha casa não era uma tarefa simples, tinha tantos livros, Cd’s, Dvd’s, objetos de decoração, amostras de material de trabalho e roupas que não conseguia deixar tudo arrumado num final de semana e logo vinha segunda e estava cansada, com vontade de ficar na cama, porque pouco tinha curtido o meu final de semana.

    Nessa época eu achava que o minimalismo era simplesmente ter poucas coisas em casa, uma decoração especial e uma forma de me vestir muito especial de um grupo de pessoas que seguiam essa tendência. Pois bem, essa era minha leitura interna do que era o minimalismo. Uma tendência seguida por pessoas que eu me identificava e internamente tinha o desejo de fazer parte daquele grupo, para ter algo ao que pertencer.

    Comecei todo o processo, destralhando, não li o famoso livro da organização, mas vi alguns Vlogs que falavam a respeito e crente que estava já com doutorado em minimalismo comecei destralhando meu quarto, cada cantinho foi revirado e ficou só o que naquele momento ainda não estava liberada para me separa do objeto. Cerca de 1/3 do que tinha se foi para um abrigo ou lixeira.

    No escritório a mudança foi mais radical, nesta época eu já trabalhava de casa e, como sempre fui muito organizada, mandei fazer um super e enorme armário para guardar todas as amostras. Lembro que este armário foi o mais caro da casa, reforcei as prateleiras e criei nichos para guardar tudo. Passado alguns meses da instalação do armário eu já tinha ele tão cheio que me custava organizar e encontrar as amostras que precisava. Na etapa do destralhe, depois do meu quarto fui logo para o escritório e ali gastei muito mais tempo do que imaginava. Foram 3 finais de semana, acho que agora entenderam o volume de coisas que eu tinha ali guardado, não? no início do destralhe eu não coloquei metas e simplesmente perguntava para cada objeto:

    • me interessa?
    • necessito?
    • porque quero ou guardo isso?

    Quando terminei com esta etapa, voltei com o que sobrou para o armário e fui organizar. Ufa, parecia que não tinha tirado nada…

    No segundo final de semana, fiz novamente as mesmas perguntas e busquei liberar uma quantidade de coisas bem maior que a anterior. Voltei com as coisas para o armário e, tive a clara sensação de que ainda não tinha alcançado o ponto. No terceiro final de semana tirei tudo do armário e delimitei espaços e limites para cada item. De verdade, eu não precisava de tantas amostras, muitas tinham as características similares e diferenciavam apenas no desenho, eu não tinha que fazer publicidade de meus clientes, mas sim da minha empresa e das qualidades técnicas e de produção que a faziam tão especial no mercado. Isso significava que o que eu deveria ter no escritório deveria estar cuidado e com as características técnicas bem definidas para me diferenciar. Ter poucas coisas nesse caso fazia com que localizasse uma amostra com mais facilidade, e me ajudava a carregar menos coisas quando ia visitar os clientes. Minha coluna, minha saúde agradeciam. Devolvi tudo para seus lugares, com uma ordem incrível e ao final percebi que agora sim, tinha conquistado o objetivo.

    Passado um tempo, percebi que meu quarto estava novamente com muitas coisas, que eu tinha comprado. Cozinha, quarto do meu filho e sala? Estes não tinham sido tocados. Parei e comecei a pensar sobre o que tinha feito de errado. Vi que no escritório tinha conseguido manter a organização e estava diariamente aproveitando daquela situação e me sentindo beneficiada. Já com o resto da casa não tinha a mesma percepção. Nesse momento ampliei minha leitura e pesquisa sobre o assunto e cheguei a conclusões pessoais que me ajudaram a dar os passos seguintes.

    Primeiro de tudo entendi que minimalismo não é apenas uma tendência ou moda. Não é o estilo de decoração da primavera 2018, vai além, é um conceito de vida. E nessa hora um click se deu na minha cabeça, é por isso que no escritório funcionou, por trás da minha organização tinha um conceito e uma necessidade, tinha um sentido pessoal, uma ordem, além de perceber que com a mudança de hábitos eu teria ganhos pessoais. Embora eu sempre tenha sido uma pessoa que dava muito do que tinha para abrigos e instituições com pessoas que necessitavam, eu também tinha como característica comprar mais do que o necessário. Comprava para me sentir feliz, comprava para comemorar uma conquista, comprava para estar com algo novo e da moda, comprava para me igualar ao grupo que pertencia, os gerentes e diretores do principal escritório de design do Brasil, ou a comercial da melhor e maior empresa de brindes e produtos corporativos. Que motivo, qual seria a razão para deixar de comprar e permitir que o minimalismo entrasse em minha vida?

    Uff, responder a estas perguntas não foi nada fácil. Demorei um bocado, enquanto lia tudo o que encontrava sobre minimalismo, ia sempre me questionando. Será que eu me encaixava a uma vida minimalista? Será que o estilo e conceito de uma vida minimalista se encaixavam comigo? Será que tudo isso era importante de verdade para mim?

    E você?

    Que sabe do minimalismo? Me conta sua experiência e o que pensa sobre este assunto. No próximo BEDA te conto um pouco mais, sobre o minimalismo na minha vida.