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  • BEDA#24 – minha vida minimalista

    tatu do bem

    No minimalismo preservamos a qualidade e a real necessidade do que consumimos. Compreendemos o processo de produção do que compramos, ou seja, toda a cadeia que envolve a confecção dos bens que compramos (desde a plantação, extração ou produção, com etapas de logística e distribuição, consumo de energia, combustível, impostos e salários pagos ou não corretamente) e valoramos o tempo investido para ganhar dinheiro e aplicar em coisas que não são de elevada importância para nós. Sim, temos que nos conhecer e saber o que queremos e valoramos para viver o minimalismo sem sofrimento. Para mim, a grande ideia do minimalismo é não sofrer. Não sofrer porque me falta tempo pois assumo muitas tarefas e não posso delegar funções e tampouco consigo fazer tudo o que me cabe. Não sofrer por não ter algo, ou por ter em excesso, ou ainda por ter o que não quero e não ter o que quero. Sofremos demais, e me parece que isso se passa porque não sabemos quem somos e o que queremos.

    Hoje, cada vez mais, busco o simples, principalmente com meus sentimentos e a comunicação. Não me fixei nos caminhos minimalistas da decoração ou do armário cápsula com 33 peças de roupa, não me limitei a ter somente 100 objetos. Mas em contrapartida, sempre que me sobra tempo, olho meus pertences e o que pouco uso, ou o que não me agrada muitíssimo, faço seguir caminho em outro lar, levo para doação. Com as palavras e os pensamentos estou no mesmo caminho, quero reduzir ao necessário. Sou considerada uma boa ouvinte, uma pessoa que escuta com atenção e que observa muito. Agora quero melhorar minha comunicação. É verdade que presto muita atenção e escuto com carinho, porém quando começo a falar ou escrever, não paro. Me comunico bem, porém quero reduzir, ser mais direta e efetiva em minha comunicação. Ao trabalhar como comercial, tenho pouco tempo para envolver e conquistar o cliente e, para atingir os resultados que a empresa me coloca tenho que me esforçar muito para ser o mais eficaz no contato com os clientes. Isso me faz ser mais assertiva, ir direto ao ponto e ao seguir com um pensamento simples. Percebi que estar focada, presente no aqui, no agora, sou mais feliz, agradecida e não sofro por antecipação e assim controlo melhor a minha ansiedade.

    Assim, fazendo uma coisa por vez, me vi executando tarefas com mais qualidade e tendo um volume maior de atividades executadas ao longo do dia. Ao me conhecer melhor, saber o que busco, o que quero, assumo o minimalismo sem sofrimento e gradualmente noto minhas conquistas.

    Assim:

    • não perco tempo com pensamentos negativos;
    • não perco tempo com disputas y guerras contra pessoas que não valorem o que eu valoro;
    • não mantenho guardado o que não uso há 7 ou 12 meses, ou o que esteja quebrado e/ou não me sirva mais;
    • não gasto tempo sofrendo pelo que não posso fazer ou arrumar na hora;
    • não gasto tempo, aproveito meu tempo, afinal ele é muito valioso;
    • não gasto dinheiro com o que não me agrega valor, ou de verdade necessito;
    • não sofro por antecipação;
    • aprendi a dizer não;
    • aprendi a dizer sim;
    • aprendi a valorar as coisas, pessoas e situações;
    • aprendi a avaliar as prioridades;
    • aprendi a viver;
    • aprendi a me respeitar;
    • aprendi a me amar, assim como sou.
  • BEDA#23 – Hoy por Hoy

    hoy por hoyJod… hoy tengo que empezar mi texto con una palabrota. Si, con su permiso, es evidente.

    Hoy, estaba subindo las escaleras del edifício donde trabajo y por unos segundos me pasó por la cabeza todo este ano y medio que tengo de España. Dios, nunca en mi vida, me imaginaba fuera de mi País. Lo quería mucho, viajar, conocer otros sítios, pero no lo creía posible. Y hoy? No solo conozco, como vivo.

    En este tiempo fueron muchas cosas por aprender, un idioma nuevo, una cultura nueva, leys distintas y formas de vivir más aun. Comidas que no conocía, forma de conducir, combustible… tantas cosas que tuve que descobrir. No me lo imaginaba, pero si, aquí estoy y con unos días difíciles y otros muy buenos.

    Hoy trabajo en una multinacional, la primera en su sector en España y la tercera en el mundo. Nunca me lo imaginé.

    Hoy viajo por mitad de Galícia conociendo lugares y personas, llevando mi empresa a cada negócio o vivienda, en un modelo de venta que nunca he hecho en mi vida, la venta puerta fría.

    Hoy conduzco por carreteras y autopistas, que cuando comparadas con las que tenemos en Brasil me emocionan de tan buenas. Lógico que para los españoles no son tan buenas, porque en Europa hay mejores, pero para mi, son fenomenales.

    Hoy puedo ver la primavera con mucha alegria y comemorar mi cumpleaños en la primavera y no en el outono. Si, sofro con el invierno y la lluvia constante de Galícia, pero tengo el sol de la primavera para perceber que la vida és cíclica y nada és permanente, si hoy estoy triste seguro que mañana, con un nuevo día, puedo estar muy contenta. Y más, hoy percebo que con 5 minutos mi estado de alegria o tristeza puede cambiar, por lo tanto, no hago caso a tristeza y sigo con la vida, siempre tirando para delante.

    Hoy puedo con solo 24 euros comprar 2 kilos de langostinos grandes para comer con  mi família y tener una cena de lujo para nós brasileños, que tenemos este producto por las nubes de caro. Hoy puedo echar de menos la picaña y tener la alegria de encontrar un trozo desta preciosidad en el Carrefour y comprar para degustar despacio en una comida de domingo.

    Hoy puedo enseñar mis compañeros de trabajo las diferencias de nuestros idiomas y los cambios de significado de algunas simples palabras.

    Hoy puedo hacer tantas cosas, aprender tantas otras y vivir sin medo.

    Hoy por hoy y para todo lo siempre, agradezco la vida por todas las oportunidades, Nunca se está nuevo ni viejo, o mayor, para nada. Mientras esteamos vivos a vivir, a disfrutar, a hacer por una vida mejor, por nuestros sueños y por la construcción de una persona mejor. Hoy por hoy, agradezco los hombres de mi vida y me quedo más que contenta por verlos unidos y sonriendo. Les quiero mucho!

  • Contando um segredo… “Te comento un secreto”

    Sabe o que mais sinto falta aqui na España? Não só de amigos, mas sim de pessoas inteligentes com quem conversar. Não quero dizer que os espanhóis são burros, não, por favor me entenda. Os espanhóis são muito reservados, não me parece que seja uma característica de todos, mas sim dos galegos. E, o que sinto falta não é de ter um amigo qualquer, mas um amigo especial e inteligente, que goste de conversar sobre coisas que nos façam crescer como pessoas.

    “Sabe lo que más hecho de menos, aquí en España? No son los amigos, mas sin, personas inteligentes para hablar. No digo que los españoles son tontos, no, me lo comprenda, por favor. Lo que pasa és que los españoles son muy reservados, por lo que veo, esta es una característica de los galegos. Y, yo hecho de menos un amigo especial con quien pueda hablar de muchas cosas, y sobretodo de cosas inteligentes, que guste de hablar de cosas que nos haga crecer como personas.”

  • BEDA#22 – mudei para España, e agora?

    Como a maioria deve saber tem 1 ano e meio que moro na España, nesse período aprendi muita coisa, conheci lugares lindos e sofri com a falta de amigos e com a mudança de cultura. Mas tudo é nada no meio de tanta coisa nova e de tantas novas oportunidades na nossa vida e, principalmente, na vida do filho.

    Neste post quero que você me diga quais são suas dúvidas, o que quer saber? O que quer que contemos da nossa viagem? Da mudança? Da España?

    Espero suas dúvidas!

  • BEDA#19 – hoy mejor que ayer

    Hola, que tal?

    Hoy te dejo un buenas noche y un pedido.

    Observe tu día, que hice de nuevo? Que hiciste hoy mejor que ayer? Que hiciste por ti? Y por las personas mais importantes de tu vida?

    Si no quieres compartir conmigo, no pasa nada. Mentalize y aprenda con su día de hoy.

    Espero que pueda con estas pocas palabras te hacer pensar y que después tu puedas hacer mejor. yo tengo un lema, hoy seré mejor de lo que fue ayer. Todos los días, cuando me despierto, penso en eso. Hoy, mejor que ayer.

     

  • BEDA#14 – querer mas não poder

    amor-do-passado2sua imagem está gravada em meu peito. fecho os olhos e te vejo, abro os olhos e sinto sua presença. muitos anos já se passaram e você aparece em meus sonhos como um fantasma. que faz? que quer de mim? hoje a vida é outra, os caminhos se distanciaram, seguimos vidas, distantes, mas ligadas por um fio invisível que não sei se você percebe, mas eu sinto a tensão.

    num outro momento de sua vida, que você sofria mudanças, não sei porque mesmo a distancia, te senti e pressenti. e agora, novamente, você vem. te quero, te desejo por perto, te escuto e te sinto, mas não te tenho.

    quero, mas não posso te ter, tento entender, mas meu corpo não entende e estremece  com o simples pensar em ti. penso e sinto seu cheiro esquecido, sinto seu toque quente. sim, você está aqui e, eu ai com você, te vendo com ela e chorando sabendo que não me sente, não me nota, não me sente. mas eu sigo te querendo, mesmo que não possa te ter.

    by Roseana F. Saraiva

  • BEDA#13 – resumo da semana 1

    Quero, a partir de hoje, toda sexta-feira, fazer um apanhado do que vivi na semana e trazer para o blog um resumo da semana e fazer uma avaliação do que aprendi e do que tenho que tenho que aprender. Para mim, estas analises pessoais são importantes para o meu crescimento pessoal. Muito bem, então vamos a primeira semana?

    Esta semana trabalhei exaustivamente, foram jornadas longas de 12 a 14 horas/dia, que não foram efetivas porque não alcancei o resultado de vendas que tinha como meta pessoal. Algumas vendas não aconteceram porque os clientes não podiam fazer a contratação agora, outras porque não consegui despertar nos clientes a necessidade para o meu produto e, em outros, casos porque simplesmente não encaixava com a expectativa do cliente. Uma vez que já sei disso, para a próxima semana mantenho a meta quantitativa de vendas, porém, me desafio a fazer melhor e em menos tempo, para conseguir ter mais tempo em casa com minha família. O trabalho é importante, mas não é o único ponto da minha vida.

    Com a família, eu deixei muitos furos, tive pouco tempo em casa e  por isso dei pouca atenção para as pessoas que são mais importantes na minha vida. Na terça-feira, meu filho fez aniversário, não pude estar presente com ele por muito tempo e nem pude dar algumas pequenas coisas que ele queria, como resultado, com a consciência pesada, tive pesadelos. O bom é que o pouco tempo que estive com minha família foi brincando e rindo, fazendo nossos dias serem mais leves e ajudando eles a ver que o amor da família tem que vir em primeiro lugar, sempre. Este final de semana, que meu filho não tem partido, quero aproveitar para passar muitas horas com ele, caminhando, conhecendo lugares, jogando, brincando, contando piadas, ou seja, fazendo ele rir e ter a memória de um final de semana precioso, onde a presença foi o mais importante.

    Esta semana tive muito pouco tempo para ler, não li nem uma página de qualquer um dos tantos livros que tenho na estante, no Kindle e no tablete, uma pena. Mas já estou determinada a ler, ao menos 15 minutos por dia, a partir de hoje. Isso vai me ajudar muito, por amar livros e por ter um tempo de silêncio para me concentrar no que preciso. Falando em me concentrar no que preciso, quero todos os dias fazer 10 minutos de meditação, que será fundamental para me ajudar a controlar a ansiedade. Não vou me extender na lista das coisas que quero implementar no meu dia, sei que colocar muitas tarefas e mudanças de rotina não é indicado, por isso escolhi estas para começar.

    Esta semana consegui manter a esperança e trabalhei a paciência com o que não posso mudar. Mantive meus olhos abertos ao novo. Consegui escrever sobre o acidente do meu pai e nossa relação, o que sempre foi difícil pra mim. Todos os dias da semana eu sentei por alguns minutos e escrevi no blog, com o desafio do BEDA, o que foi fundamental para me ajudar a ter paciência, esperança e definir algumas prioridades. E, o mais importante, mais uma vez a vida me ensinou que o primordial em nossas vidas é o amor das pessoas que estão ao nosso lado, as pessoas que escolhi para fazerem parte da minha família, são as que devo proteger, valorar e me unir. Tenho que fazer as coisas por mim e por elas, não porque outros acham que é o melhor para nós. Aprendi a duras penas, que ao mudar de País, não se pode confiar nas pessoas, muitas te indicam situações que são uma grande furada, outras te prometem coisas que não cumprem. Depender de terceiros nunca foi uma boa opção, principalmente para quem está num lugar que ainda não tem total domínio da cultura e idioma. Errei em algumas questões, mas sou forte e capaz de virar a mesa. O principal tenho, minha determinação e a família (marido e filho) que me apoiam.

    Só sei que minha próxima semana será melhor e vou poder contar aqui quantas outras coisas aprendi e conquistei.

  • BEDA#12 – aprender a ver

    Ginkgo_Biloba_lalinVocê já reparou que muitas vezes o dia passa e nem vemos o que nos acontece? Por isso busco sempre estar atenta, observar muito, ver e ouvir com cuidado nas entrelinhas.

    Eu acredito em destino, acredito em sinais, em mensagens do Universo em pequenos gestos de pessoas desconhecidas. A vida corrida, muitas vezes, me levou para longe do que acredito, e também acredito que me ligar ao minimalismo seja uma forma de retornar às minhas crenças, enfim ser quem sou. Saber quem sou, me auto-avaliar, saber que crenças tenho, as que me limitam e as que não, o que quero mudar e o que me satisfaz como está, me ajuda a separar os momentos de trabalho dos que sou a Roseana-Roseana. Mas, também entendo que o Universo não separa os horário para nos enviar mensagens e, esta semana, enquanto “picava portas”, entrei num Centro de Terapias Alternativas, uma Herboristeria em Lalín e fui surpreendida pelo Universos em seus momentos. Eu imaginava que ali poderia vender um alarma, fazer um prescritor para um tele-assistência ou receber um não para qualquer um dos produtos e serviços que ia oferecer, mas não imaginava encontrar minutos de paz, conversa agradável sobre experiências e visão de vida, nem que pudessem me dar uma palavra de consolo para uma situação que me machuca muito, minha mãe.

    A loja é simples e aconchegante, tem luz e música suave, um perfume delicado que me convidava a ficar. Me senti atraída, assim que entrei, pela imagem de um Buda de madeira, alegre e amigo; um jardim de areia, que me trouxe o desejo de ser criança e ficar ali, revirando a areia com os dedos ou com o objeto de madeira, mas não fiz, me controlei. (Já reparou como nos controlamos tanto? Existem momentos e coisas que precisamos de verdade controlar, mas já outras situações precisamos nos libertar e viver.) Ali não me dei o direito de viver a areia, mas a vida me deu o direito de encontrar uma pessoa que sem me conhecer, me contou um pequeno trecho de sua relação com sua mãe, de crítica, perdão e aceitação por sua parte, pois ela tem mais conhecimento universal, ou só porque aprendeu a ver a vida de uma forma mais sensível, simples, mínima.

    Sim, voltamos para o minimalismo. Minimalismo nos sentimentos, nos pensamentos. Deixar de sofrer, viver o hoje, o aqui, o agora. Fazer o que se pode fazer, da melhor forma, sem peso, sem dor; deixar partir, ir. Não prender o que não deve ser preso, amar sabendo que o outro tem limites e mais, que o outro vê de forma distinta. Não criticar, somente amar.

    Maria, obrigada por suas palavras, obrigada pelos minutos que estivemos juntas, por dividir comigo um pouco da sua história e modo de pensar e viver. Sua mensagem calou dentro de mim, porque há momentos que não temos o que dizer, simplesmente ouvir, ver e calar.

    O silêncio de uma boa mensagem deve ser absorvido por nossas células para fazer a diferença em nossas vidas e na de outras pessoas. Gratidão!

     

  • BEDA#10 – homenagem ao amor

    IMG_7273Filho não é o que nasce de você, filho é o que vive em seu coração.

    Amor vem com o olhar, não com o sangue.

    Olhe nos olhos de quem está ao seu lado e ame, como uma pessoa que merece respeito, aceite as diferenças, no final somos todos iguais, do pó viemos e ao pó voltaremos.

    Abra seu coração para o novo, permita-se nascer a cada dia, junto com o novo dia novas oportunidades virão e você terá a chance de fazer e ser melhor que no dia anterior.

    Hoje eu comemoro os 12 anos da pessoa que conheço há 7 anos, e que mudou minha forma de olhar o mundo. Tem dias que com mais paciência, outros com mais agito, outros ainda com menos e mais amor, mas sempre, com a certeza que nascemos para dividir uma vida, ele me ensinando o que há de novo e eu, ensinando a ele o que há de velho. Ele me ensinou que devo sempre sorrir e esquecer a dor, e eu lhe ensino que ele nunca deve deixar de sorrir mesmo quando os hormônios do corpo começam a querer romper modelos de uma infância divertida. Eu brigo e peço que seja organizado, ele se zanga e diz que não pode, que é menino, moleque, maluquinho e que esse seu jeitinho é que conquista as meninas. “- Que meninas? Você só tem 12 anos!” – eu respondo. Ele ri, e diz que são os tempos modernos.

    Não sei sei os tempos estão modernos, se estou velha ou cansada. Sei que te amo e a cada dia mais quero você pra sempre ao meu lado. Nem que o pra sempre seja um piscar de olhos e uma fotografia nossa, no computador velho, jogado na gaveta e que será encontrado por seus filhos, que talvez nem conheçam a avó. Mas eu estarei no céu, como uma estrela ou borboleta, seguindo os passos do meu amor que hoje, completa 12 anos e vai brilhar muito por esta vida.

    Te amo, simples e profundamente. Te amo, sua eterna mãe.

  • BEDA#9 – minimalismo no susto

    Como contei no post anterior, retornei ao minimalismo no susto, quando meu marido disse que teríamos pouco tempo para fechar toda nossas vidas no Brasil e mudar para a Espanha. Eu tinha alternativa de não aceitar a mudança, mas ele estava decidido e eu, no fundo gostava da idéia de conhecer um pouco do mundo e fazer uma vida num País novo, dando mais oportunidades para meu filho. Tinha medo, claro que tinha, mas quanto mais medo tenho, mais entro de cabeça, sou assim e não consegui mudar isso até hoje. Tem seu lado positivo, mas também tem o ponto negativo que algumas vezes acabo sofrendo. Não digo que vir para a Espanha é um erro, mas sim um sofrimento. Por mais que te digam que uma mudança de Cidade ou País é difícil, você só sabe o quão difícil é quando está dentro do furacão, mas esse é um assunto para outro momento, agora vamos a transformação de todas uma casa em 7 malas.

    Comecei o processo anunciando a venda de todos os móveis do apartamento. O que não consegui vender, dei para pessoas que necessitavam ou para algumas pessoas queridas. Livros, Cd’s e Dvd’s foram todos vendidos para um sebo que tem no Centro do Rio de Janeiro, que sempre gostei muito, eles trabalham com todo tipo de livro e são super atenciosos. Nos Cd’s e Dvd’s, praticamente não ganhei nenhum dinheiro, essa mercadoria não tem mais valor, só ocupa espaço, acumula pó e evita a circulação da boa energia em uma casa. Isso da boa energia, aprendi com o Feng Shui e com o Reiki, papo para outro post.

    Tenho que confessar uma coisa, não vendi todos os livros, uns tantos que me interessavam arrumei nas 7 malas e mandei pra Espanha. Quando desembarcamos no aeroporto aqui, a polícia me fez abrir mala por mala e explicar porque tanto livro, foi cômico.

    Para conseguir espaço para os livros tive que eleger prioridades, disso trata o minimalismo, explicando de um modo mais simples, é definir o que é mais importante para você e, para fazer uma escolha mais acertada, é muito importante saber quem é você, se autoconhecer. Nesse momento decidi, minhas roupas, bolsas e sapatos não me fariam falta, salvei um par de sapatos e roupas que tinham significado para mim e o resto foi todo para um abrigo, onde teriam um bom destino. Para quem me conhece um pouquinho, sabe que bolsas e sapatos eram minha paixão, mas de alguma forma já previa que minha vida aqui seria muito diferente e não teria lugar para usar aquelas peças, nem clima… Na hora doeu me afastar delas, mas foi uma dor passageira, sem arrependimentos.

    Seguindo com as malas, minha preocupação maior era de ter a mão coisas que realmente fossemos a precisar, prioridade e necessidade eram as palavras que me norteavam no destralhe. Ao baixar toda a casa para esvaziar todo e qualquer cantinho, descobri que todos os destralhes tinham sido superficiais. Nessa hora se vê quanto dinheiro gastamos que fica parado em gavetas, sem uso. Aqui temos outro ponto muito importante do minimalismo; consumo consciente. Saber o que se compra, como aquilo foi produzido, por quem, como foi transportado, ter atenção a toda a cadeia de produção e descarte, quanto tempo vou usar e a real necessidade. Ao perceber todo o acumulo que tinha em casa, vi que não fazia minhas compras com consciência e, confesso que tive vergonha de mim mesma, pois poderia ter aproveitado aquele dinheiro gasto com coisas que fossem mais importantes para mim.

    Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, diz numa entrevista que dinheiro é mais que um papel ou um metal, é vida, é tempo seu de vida gasto com trabalho e, a vida mal gastada é uma forma miserável de viver. Foi assim que o minimalismo foi calando dentro de mim. Tal como o açúcar, que vicia, o comprar também, porém, ao compreender o que significa o dinheiro, o que significa o tempo de vida de cada pessoa que fez parte do processo de produção do que quero comprar, passei a pensar antes de sacar o cartão de crédito. Ainda cometo falhos, mas menos do que há 2 ou 3 anos atrás. E, naquele momento que estava fechando minhas malas, tinha isso muito claro a minha frente. Quanto tempo de vida trabalhando eu tinha gasto para ter aquelas coisas que agora não fariam mais parte de minha vida. E lembrei do meu pai, que gostava de colecionar e acumular coisas, quanto tempo de vida ele passou trabalhando e comprando, se preocupando em onde e como guardar, em limpar, em proteger, em ter um apartamento maior com espaço para suas coisas e no final cada objeto que tinha em casa se foi para um lugar diferente e ele voltou ao pó, que foi misturado com as águas do mar, que ele tanto amava. No final o que levamos é nada, pois então, que sobre boas lembranças na memória dos que ficam.