Tag: EU

  • Leitura em espanhol?

    Vocês devem estar percebendo que os livros que leio são em espanhol, castelhano. Explico: ao morar aqui na Espanha é mais lógico que consiga livros com o idioma local. Acabo que aproveito essas leituras para melhorar meu espanhol. Porém, a hora de escrever no blog, faço em português, ainda não me sinto confortável escrevendo em espanhol, faço muita confusão com os 3 idiomas (português, castellano e gallego), são muito parecidos o que me deixa tonta, a hora de escrever piora um pouco.

    Preciso praticar, quem sabe em breve não começo a escrever aqui em castellano?

    O que vocês acham da idéia?

  • Lá vem mais um ano

    Sempre que chegamos ao final do ano fazemos planos para um novo ano, como se fosse uma nova vida. E para começar os planos nos perguntamos: << O que quero deste novo ano?>>   << O que quero mudar na minha vida?>>  << Qual meu maior sonho?>>. Há muitas outras perguntas que podem ser feitas, mas só com estas já tive muitos pensamentos, muitas incertezas e algumas certezas. Incerteza do que quero para este momento de vida, e certeza de que tenho sonhos e desejos, mas que antes de qualquer coisa, preciso ver até quanto quero lutar por cada um deles. Quando me pergunto o quanto quero lutar, vejo que alguns sonhos não são tão desejados, então ganho mais uma certeza a de que tenho que parar, respirar e fazer uma boa analise de cada situação idealizada.

    Para começar fica:

    • Qual o seu maior sonho? O que mais quer pra sua vida? O que você precisa de verdade?
  • Meu filho, um desabafo.

    Vou explicar uma coisa e espero que fique bem claro!

    É sobre meu filho, e se resume em dois pontos:

    1º. não adotei um filho para virar modelo de comportamento, muito menos para criar atrito ou desafiar minha família ou a do Enrique.

    2º. não mantenho meu filho tão ativo no futebol porque quero que ele seja a salvação da minha vida e ganhe milhões como jogador de futebol.

    Uma vez que os pontos foram ditos, vou explicar um pouco sobre cada um e espero que as coisas fiquem claras!

    Quem me conhece bem, sabe que tenho princípios e valores muito próprios e não quero perder meu tempo com fofocas e críticas à vida alheia. Antes de tudo acredito que devo cuidar da minha casa e família, observando tudo o que posso aprender e melhorar individualmente e no conjunto familiar, portanto este textão é um desabafo relativo a uma série de coisas que já ouvimos e sentimos, e que tantas vezes não respondemos a altura devida.

    Quando decidimos que era hora de ter um filho, já estávamos há algum tempo vivendo juntos, aqui já seguíamos nossos conceitos de vida e estávamos juntos, sem nenhuma formalização social, como o casamento, pois não acreditávamos na sua necessidade para nos manter unidos e felizes, seguíamos o rio do nosso coração que já mostrava ir contra a correnteza do rio que navegava a família. Passamos alguns anos, esperando o filho e sem a surpresa da barriguinha, decidimos consultar um médico, pois como tenho um problema hormonal de nascimento, imaginei que por isso eu não engravidava e, se fosse necessário, eu faria um tratamento, desde que não fosse nada muito complexo e caro. Foi neste momento que descobrimos que nascemos um para o outro, somos os opostos perfeitos, enquanto eu produzia alguns hormônios a mais, Enrique produzia os mesmos a menos, desta forma só poderíamos ter um filho por inseminação artificial, e como o nome diz; é artificial e não topamos. Eu particularmente não gosto de nada que não seja 100% verdadeiro.

    Nesse momento sentamos e conversamos, coisa que é rara para o Enrique sempre muito calado, mas a sugestão da adoção partiu dele e eu aprovei de imediato. Na semana seguinte a esta conversa entramos com o processo para capacitação e liberação para sermos pais adotivos. O processo inicial foi tranquilo, demoramos cerca de um ano para receber o certificado que nos deu permissão para visitar os abrigos e buscar nosso filho, enquanto nosso nome seguia na lista de pais em espera de seu filho.

    Aqui faço uma parada para explicar o que entendo e percebo do processo de adoção no Brasil. Muitos questionam a demora e a desorganização, nós não temos do que reclamar, pois temos crenças muito próprias para a vida, que vou explicar mais a frente. O fato que vejo nas adoções são pessoas que buscam filhos modelos e perfeitos, com características físicas ou de personalidade que não condizem com a realidade da adoção e do Brasil. Alguns exemplos: muitos definem características físicas para a criança a ser adotada, isso é um dos pontos que dificulta o processo. Segundo informações divulgadas frequentemente na mídia, há um número considerável de pais pedindo: menina, com até 2 anos, de pele e olhos claros. Quando olhamos para a realidade da sociedade brasileira e das crianças que seguem para a adoção, vermos, de imediato, que são pequenas as chances de existir uma criança assim. E, há ainda, casos de adoção em que as famílias aceitam crianças com mais idade, porém acabam por devolver, com a justificativa de que o comportamento e a personalidade da criança é inadequado para aquele meio famíliar. Eu sou da opinião de que a maternidade/paternidade deve envolver um olhar tridimensional sobre tudo o que representa aquele ser “filho” que passa a ser de sua responsabilidade. Uma criança não é um objeto, mas sim um ser em formação e este processo árduo é de total responsabilidade dos pais; se falhamos e temos problemas com o filho gestado, é lógico que o mesmo vai se passar com o filho do coração. Neste caso temos que considerar toda a vida da criança, desde a gestação até o momento que chega a nossa vida, nossa casa. Provavelmente essa criança passou por desilusões, abandono e muito mais coisas podem ter acontecido e na grande maioria dos casos elas passam por todas estas situações sem ter um apoio de um adulto capaz para ajudar emocionalmente e psicologicamente. Quando recebi meu filho, com 5 anos de vida, eu tinha muito claro que tudo aquilo seria novo para mim, mas muito mais novo e desafiador para ele. E neste momento, eu e o Enrique, tínhamos que ser as pessoas referências para que ele se abrisse ao novo, com paciência, amor e dedicação. Nós tínhamos que reconstruir a vida da criança, não podíamos querer que ele fosse como um boneco, que moldávamos seus modos, comportamentos, falas e tal. Tínhamos claro em nossos corações que íamos aprender muito com nosso filho e nenhuma verdade era tão verdadeira que não pudesse ser descartada e repensada. Juntos os três (3) decidíamos a cada momento como resolver as coisas, lógico que em muitos momentos tivemos que agir com a autoridade nata dos pais, mas em muitos outros cedemos, descemos ao nível da dor daquele coração, ou da infantilidade e imaturidade daquele pequenino homem para aprendermos com a sua personalidade. Sim, as crianças podem nos ensinar muito e, digo de coração aberto, meu filho me fez uma nova mulher, quebrei muitos paradigmas, refleti sobre conceitos, me reinventei e gosto muito mais da mulher que sou hoje. Tiveram momentos que ele nos colocava em encruzilhadas e não sabíamos como agir, buscamos ajuda de amigos e de profissionais, mas o mais importante, nunca rotulamos. Qualquer atitude inadequada que ele tivesse não significava um rótulo, mas sim uma oportunidade para juntos em família formarmos melhor aquele menino. O que vejo acontecer em muitas famílias e relações é a criação de rótulos, porque uma pessoa falou ou agiu de uma determinada forma ela ganha um rótulo e vira aquilo por toda a sua eternidade. Eu não gosto de rótulos, e não sou os rótulos, sou muito mais do que uma atitude, uma ação, um dia. Sou uma vida, uma história, uma junção de pensamentos, aprendizagens e sentimentos. Assim penso e assim levo as minhas relações em casa, no trabalho e na vida.

    Muitos reclamam do processo de adoção e dizem que a justiça demora para que as crianças sejam postas ou liberadas para adoção. Em nosso caso, a justiça deu todas as oportunidades para que a mãe biológica pudesse se ressocializar e ter a oportunidade de seguir com ele em uma vida com mais segurança. Com outras crianças que estavam abrigadas na mesma época do nosso pequeno, vimos a justiça tentando alternativas para que a criança seguisse junto a sua família biológica, eles entendem que manter este laço é o ideal para a criança. A mãe de nosso pequeno, tentou por um ano se reabilitar, ter um lar fixo, um emprego, tudo com o apoio de instituições indicadas, mas no final vencida, sem forças para seguir ela liberou ele para adoção. Aqui está a diferença, ela teve um gesto de amor nobre, reconheceu sua limitação e liberou seu filho amado (todos no abrigo nos contavam como ela era carinhosa e amava ele) para que não vivesse daquela forma e fosse entregue para outra família. Não nos conhecemos, quando surgimos na vida de nosso filho ele estava totalmente liberado para adoção. Infelizmente os casos não são parecidos e muitas crianças ficam nos abrigos esperando que um familiar a acolha em definitivo, são diversas situações que prendem as crianças e a justiça fica presa, limitada em recursos, sem poder destituir as famílias. Acredito que em muitos casos se perceba, a olhos claros, que a família não terá condições de dar o básico para a criança, e deveria haver alguma forma da justiça acelerar estes processos de destituição. Mas ao invés de criticar, prefiro ajudar contar minha história de sucesso e amor, e ser esperança para outras famílias. Se não posso ajudar, não vou atrapalhar.

    Muito bem, uma vez que estávamos de posse do certificado, começamos a buscar nosso filho, visitando abrigos no Rio de Janeiro. Era como se estivesse grávida, o coração batia forte a cada sábado ou domingo que visitávamos um abrigo. O coração sofria com o futuro que parecia reservado a tantas crianças abrigadas, como disse antes, nem todas estão liberadas para adoção. Um dia chegamos a um orfanato no Jardim Botânico, na rua Faro. Ali, umas poucas freiras cuidavam de outras poucas crianças, não tinham mais de sete crianças. Neste lugar cheio de preciosas árvores, que parecia esquecido pelo mundo, numa região nobre do Rio de Janeiro, eu me encantei por um menino e Enrique se apaixonou por uma menina, com um pouco de conversa descobrimos que eram irmãos e que tinha mais uma menina, aquele pequeno núcleo famíliar era composto por uma pequenita espoleta de 2 anos e meio, um menino encantador de 7 anos e uma princesa desconfiada de 12 anos. Era muito, não podíamos receber as três crianças de uma única vez em nossas vidas, não teríamos como pagar colégio, saúde para todos, nosso apartamento era um pequeno sala e quarto em Botafogo e eu trabalhava cerca de 10 horas ao dia. Impossível!!! Nesse dia decidimos que não poderíamos seguir buscando nosso filho daquela forma, porque nos apaixonaríamos por todas as crianças e daríamos esperanças para cada uma. Não podíamos ser portadores de mais dor para aquelas criaturinhas e, tampouco, podíamos escolher um filho. Um filho não é uma roupa que vou à loja, provo e escolho a que melhor se adapta comigo. Não posso escolher o da barriga, sendo assim, o do coração muito menos seria escolhido. Naquela noite, chegamos em casa e da minha cama, olhando o céu eu pensei:

    Vamos ficar na fila, esperando a nossa vez, o filho que está determinado para ser nosso vai aparecer. Assim será! – E assim foi, ficamos 2 anos na fila de espera, até que um dia resolvemos ligar par ao juizado de menores para me informar se precisava revalidar o certificado pelo tempo que já estávamos cadastrados, a pessoa que me atendeu perguntou do nosso perfil e quanto tempo estávamos na espera. Se espantaram que com um perfil tão abrangente ainda estivéssemos esperando. No dia seguinte à minha ligação ela me chama e diz que tem uma criança no Romão Duarte, disponível para a nossa visita. Fomos até ali e, era ele, o menino que de alguma forma eu conhecia de outras vidas, de meus sonhos. Era aquele rosto que eu esperava, aquele sorriso, tudo nele era perfeito e se encaixava com o que sempre quis sem saber que queria. Era ele!!!! Nos pediram para ler sobre sua história, uma criança com 5 anos e uma vida já cheia de sofrimentos, mas que sorria com o sorriso mais lindo do mundo, como se a dor e o passado não fizessem parte daquele corpo. Nos questionaram se mesmo depois de ler ainda queríamos ser seus pais e “claro, claro que sim” é o que dizíamos. Nada nos tiraria da ideia fixa de que aquele menino era o que esperamos por 2 anos mais o tempo da certificação.

    Sim, de verdade acredito nisso. Acho que em algum momento lá no céu, numa grande mesa redonda e branca, sentamos todos; Enrique, Luiz Felipe, eu, os pais biológicos, ainda estávamos acompanhados da alguns bons amigos espirituais que auxiliaram naquele momento e, juntos definimos que eu e Enrique não poderíamos ser os pais biológicos do Luiz Felipe, mas que ele era o nosso filho, determinado em outras vidas e que de alguma forma aqui o encontraríamos. Os pais biológicos do Luiz Felipe, seriam apenas pessoas instrumentos para que ele chegasse até nós, mas nos perdemos uns dos outros e ele demorou um pouco mais. Mas o Universo e Deus, trabalharam lá de cima e enfim nos encontramos. Sempre contei esta história para meu filho e, de verdade é a história que acredito.

    Muito bem, acho que já podem entender que adotamos por nossas crenças e pela desejo de ter um filho, não para atacar a família com uma criança que não tem nosso sangue nem nossa raça. Aliás, vamos combinar este papo de raça – pra mim – é a coisa mais ultrapassada do planeta! Somos todos iguais, como digo: temos dois braços, duas pernas, dois olhos, um nariz, um rosto e uma boca. Pequenas diferenças em cada um, que é o que nos faz únicos no mundo, mas só isso, no final somos todos iguais e depois quando morrermos voltamos ao pó.

    Você deve estar se perguntando porque escrevo isso, mas sim, de verdade, tiveram pessoas que disseram que adotamos um menino negro para afrontar. Minha resposta só é uma, as costas. Não dependemos de nada, nem de ninguém para nos ajudar no dia-a-dia com nossa casa e filho, não dependemos de ajuda da família. Erramos em muitas coisas, eu principalmente, sou a que mais erros cometi na vida, pago por meus erros e também aprendo com eles. Mas também tive muitos acertos e assim levamos a vida, caindo e levantando, mas uma coisa tenho clara, a construção da minha família é na base do amor, não em imposição e ameaças.

    Agora sobre o segundo ponto, eu falei que ia ser textão. Algumas pessoas já me disseram por palavras retas e tortas que estamos investindo no nosso filho e nos mudamos para a Espanha para que ele fosse um jogador de futebol famoso. É, eu gosto de ver o futuro, estudo o tarô e a numerologia, mas não tenho nenhuma certeza e muito menos garantia, se tudo o que descubro nesses estudos realmente vão se concretizar, afinal existe o livre-arbítrio.

    Se perguntado, o Luiz Felipe, como outras tantas crianças vão dizer que quando crescer serão jogadores de futebol, cantores, atores e muitas outras profissões de glamour, mas quem nos garante que chegarão lá? O que de verdade não faço é limitar os sonhos do meu filho, se ele quer, que lute por seus sonhos. Mas deixo claro, tem que estudar e ter plano A, B, C, D, E, F e tantos outros necessários para que a vida não fique parada e perdida no meio de um sonho de criança. Vou além e digo, que ele seja o que ama, que ele trabalhe com o que lhe encanta, que nunca perca o sorriso no rosto, aquele sorriso que me conquistou. Não tenho como saber, nem com minhas cartas do tarô se ele será um jogador de sucesso, famoso e milionário. Nas cartas tenho os sinais que me bastam, que ele será feliz e realizado. Ser feliz e realizado para ele pode ser diferente do que seria para mim e para outras tantas pessoas. Por isso lhe ensino a lutar por seus sonhos, mas sempre ter alternativas para caso este sonho e plano falhem em algum momento e também para o caso dele mudar de sonho. Não temos como saber se ele terá a altura ideal para um goleiro, não temos como prever se ele continuará sendo bom como é hoje e que não vai aparecer nenhum outro que seja muito melhor que ele. Neste meio, as oportunidades são pequenas e não sei se estaremos no lugar certo e na hora certa, como também não sei se isso está escrito no destino dele.

    O esporte na vida dele tem função terapêutica, gasta energia que sobra em seu corpo para que depois em casa ele possa ficar mais calmo e centrado para as tarefas de casa e do colégio. Ele escolheu o futebol, eu lhe dei todas as alternativas e possibilidades, mas ele decidiu e se dedicou a cada treino, cada conquista, por isso o mantemos e o incentivamos no futebol. O esporte socializa, educa, fortalece o corpo e a mente, prefiro que faça esporte que tome remédios para controlar a ansiedade, a falta de foco e o colesterol. Ele é uma criança, e se diverte e faz amigos com o esporte, então que siga fazendo disso um impulso para ser uma pessoa melhor. Eu digo que sua meta é estudar e ser feliz, fazer o bem e ter valores que o destaquem no meio da multidão. Ser mais um, igual a todos, não! Não há mais espaço no mundo para quem faz igual ou pouco.

    Nos mudamos para a Espanha, porque não gostávamos do Brasil que nosso País estava se tornando, não estávamos vendo a luz no final do túnel e nos preocupamos com o nosso futuro. Nos mudamos para a Espanha porque era o País possível, Enrique e Luiz Felipe têm nacionalidade espanhola. Se aqui vim por causa do meu filho? Sim, de certo modo sim, pois o futuro dele no Brasil estava comprometido. Aqui ele tem mais oportunidades de vida, mais qualidade de estudo e de vida. Aqui temos mais segurança e tempo para viver em família.

    Nosso maior ganho aqui, foi exatamente isso, a possibilidade de vivermos mais em família. O tempo aqui corre de forma diferente, temos mais tempo para fazer tudo o que precisamos, comemos sempre em casa e juntos, os três a mesa. Temos tempo para conversar e acompanhar o crescimento e formação do nosso filho. No Brasil não percebíamos, mas a educação do nosso filho não seria a mesma, não teríamos o controle e a participação que aqui conseguimos. Os hábitos de vida e a possibilidade de viver num condomínio grande, repleto de segurança e laser que nos permitia deixar o filho no play com outras crianças, a principio parecia bom, mas agora percebemos que cobraria um preço com o passar do tempo e seria na união familiar e na formação do nosso filho. Um preço que hoje avalio e acredito que seria caro e indesejado. Aqui, pelo estilo de vida diferente, horário de estudo, frio e chuva, a vida se passa muito em família, e assim, tenho todas as chances de estar junto do meu filho, conhecendo seus pensamentos, atitudes e formando seus valores.

    Como disse antes, esse texto é um desabafo, por todas as besteiras que já ouvimos, mas além disso é um recado para nosso pequeno grande menino. Quero dizer que estou feliz pelo menino que você se torna a cada dia. Responsável dentro da sua preguiça. Feliz dentro do seu humor rabugento. São fases, eu também fui assim, e um dia acordei e joguei fora o mau humor e a preguiça. O que você não deve jogar fora – nunca – é o seu encantamento, seu sorriso, seu amor pela vida, isso é a tua luz. Te amo, te amo, te amo!

  • Um dia melhor que o outro.

    flor a pedra

    A vida é curta demais para viver presa ao passado, a pensamentos negativos, a tristeza e em tarefas que não te encantam.

    É verdade que algumas tarefas, que não me encantam, precisam ser feitas. Como passar roupa ou cuidar de casa no meu dia de folga do trabalho, ou ainda, sentar com o filho e estudar quando o que mais quero é uma cama ou um passeio em família. Quando falamos que a vida é curta demais para se envolver com o que não te valoriza, pensamos direto em largar estas tarefas, mas não podemos ser frívolos em abandonar o que faz o nosso dia-a-dia e família melhor. Cuidar da casa, para mim é fundamental. Gosto de uma casa limpa, organizada e cheirosa. Ver meu filho entendendo o que está estudando e envolvido comigo é mais que fundamental, é essencial.

    Então, o que posso largar para viver melhor?

    A começar, posso eleger que vou controlar meus pensamentos para que sejam o mais positivos e esperançosos possíveis. Posso selecionar o que leio e os programas de televisão que vejo. Posso evitar pessoas que não me façam bem, que suguem minha energia, que tenham inveja, que não me valorizem. Posso entender que algo no momento não vai bem, mas tudo na vida é passageiro, inclusive este momento. O chefe que não me tratou bem, o dinheiro do mês que acabou antes da hora, ou o salário baixo, tudo isso é passageiro se me envolvo para fazer do meu amanhã um dia melhor. Sim, meu chefe é passageiro, hoje não pensamos mais em ficar a vida toda em uma empresa e nos aposentar, ficar na mesma atividade com o mesmo salário, pior ainda. Mas para conseguir que meu dia de amanhã seja melhor que o meu dia de hoje, preciso de verdade me dedicar a fazer o que me aparece bem, ser honesta, ser ética, ter valores de qualidade são fundamentais para que a sua vida caminhe conforme os seus sonhos.

    Ah, falando em sonhos, não acredito em milagres sem trabalho. Então sonhos mirabolantes não entram na minha crença de conquista. Ter uma Ferrari na garagem, uma casa de 6 quartos, viajar o mundo todo e não trabalhar não é um sonho real, não nasci e nem casei com milionário. Porém, sonhar em ter uma casa com jardim para que o meu pequeno Rufus possa correr e se divertir, sim é possível. Sonhar em ter um carro melhor, sim também é possível. Mas isso tudo é consumo, e quero muito mais da vida do que apenas consumo. Quero ser a melhor mãe que meu filho pode ter, para isso tenho que dia-a-dia, me dedicar, trabalhar, cuidar e aprender. Sim este sonho é real e me torna melhor. Quero ser uma melhor profissional, uau, mais que possível, hoje com a experiência que tenho sei que sou uma pessoa dedicada, responsável e comprometida, posso conseguir. Ser melhor esposa, melhor amiga, sim todos sonhos viáveis. E viajar, conhecer lugares, aprender idiomas… sim para isso preciso de dinheiro e muitos podem dizer, consumismo. Para mim não, viajar e aprender idiomas, hoje é me fazer uma pessoa maior. E, é em busca disso que estou! A casa ficará para um dia, o apartamento feinho que mora me protege do frio, do calor, da chuva e me propicia bons momentos com minha família. O carro velhinho, que nem é tão velhinho assim, está com o motor perfeito e nos leva a lugares que nunca conheci, é o começo das minhas longas viagens pela Europa.

    Portanto, vivo a vida, uns dias tristes porque o trabalho ainda não me satisfaz, mas logo o que busco chegará. Posso dizer que hoje este trabalho que quero está mais perto de mim, que estava ontem, e amanhã estará mais perto. Não acredito em milagres, mas acredito em destino e este trabalho está no meu destino, e cada dia estou mais perto de conseguir.

    Para amanhã segunda, eu desejo que todos nós possamos acordar, abrir a janela, olhar para o céu e, independente de como esteja o dia, dizer: “Obrigada por mais uma noite, obrigada por mais um dia! Hoje eu farei melhor que ontem e amanhã, melhor que hoje.” E, com um sorriso no rosto e a certeza de um dia melhor, fazer todas as tarefas que dependem de mim.

     

  • hoje

    caminho_rio

    hoje me sinto triste, perdida, pequena.

    não consigo sair da cadeira, meus pés não alcançam o chão.

    percebo o chão fluindo, como um rio, que leva suas águas para banhar outros lugares.

    não sou sempre assim, apenas quando algo me impede, quando eu me impeço de caminhar.

    o medo me trava, e por isso não grito aos cantos do mundo que quero me libertar.

    eu sei o que me trava, mas levo uma bagagem que não posso permitir que naufrague comigo, por isso insisto no caminho que me trava.

    mas estou travada e não consigo seguir.

    preciso descobrir como me destravar,

    preciso encontrar a trava para baixar a cadeira e conseguir por os pés no chão.

  • Crença

    Não sei no que você acredita, eu acredito em Deus, em destino, em um Ser que está acima de nós, que tudo fez e tudo ilumina. Um Deus que segura nossas mãos, quando estamos com medo, que nos apoia quando estamos em dúvida do caminho a seguir e mais ainda quando estamos cansados e frágeis. Não sei se este Deus é o Deus católico, protestante, evangélico, budista, kardecista ou de uma das outras religiões espíritas. Não sei onde está, se no céu, no paraíso, no terreiro ou dentro de cada um de nós.

    Confesso que rezo pouco, deveria me lembrar mais Dele e da sua Bondada Infinita. Deveria segurar mais em Suas mãos, para não cair em tristeza e desespero, como faço algumas vezes, mas sei que Ele me perdoa e caminha ao meu lado, mesmo quando não estou atenta.

    Sabe em que acredito também?

    Acho que cada um tem um destino traçado, com pontos determinados, que independentemente do caminho que siga aquilo que está marcado vai acontecer. Acredito também em reencarnação, em karma, em homens/mulheres iluminados, que alguns chamam de santos. Mas não acredito em milagres. Não é um milagre eu estar vivendo hoje na Espanha, pra mim isso é destino, estava escrito que assim seria e não tive como fugir. Não é milagre eu ter o filho que tenho, é destino, em uma reunião antes de virmos à esta encarnação, eu, meu filho, meu marido e os pais biológicos dele acordamos que assim seria. Sim, a história que conto para  meu filho é a que acredito no fundo do meu coração. Digo assim:

    Um dia, antes de descermos a terra para esta encarnação, sentamos todos; eu, você, papai Enrique, mamãe Luciana e papai Marcelo, todos nós juntos com Deus e nossos anjos da guarda, sentamos em uma grande mesa redonda e branca e definimos que eu e papai Enrique não poderíamos ter nosso filho querido pela barriga, então teríamos que ter de outra forma. Já mamãe Luciana e papai Marcelo, não poderiam ficar com este filho por muito tempo por dificuldades que teriam com a vida, com doenças e com uma pobreza extrema e por isso eles seriam o caminho para que eu e o papai Enrique recebêssemos o nosso filho por direito e destino, pois nós nos escolhemos lá em cima, na vida anterior a esta, nos escolhemos por amor.

    É nisso que acredito! Não tenho uma religião, minha crença é uma miscelânea de algumas, mas é real e deve ser cada vez mais profunda. Hoje vejo o mundo e não gosto do que vejo, guerras, desordens, fome, vaidade extrema, ganancia absoluta e percebo que o homem está se afastando de sua essência, estamos nos transformando em pessoas animalescas, quanto mais a tecnologia avança mais brutais ficamos, menos humanos somos e não gosto deste resultado. Me sinto travando uma batalha única, navegando em mares tortuosos e remando sozinha contra a maré, meus braços doem e minha coluna se desfarela, mas não me deixo vencer. Caio, choro, lamento, me deprimo, logo recupero minhas forças e volto a seguir este caminho. Não sei o fim, não sei em que ponto estou, mas tento com todos os meus músculos, choro e voz gritar que temos que parar, temos que ser mais  humanos…

    “Ó céu, dá ouvidos e eu falarei; terra, escuta as palavra que vou pronunciar!

    Que minhas instruções se espalhem como a chuva, que minha palavra caia como o orvalho, qual aguaceiro sobre a relva, qual chuvisco sobre a grama.

    Proclamei o nome do Senhor; reconhecei a grandeza de nosso Deus!

    É ele o Rochedo, perfeita é sua ação, todos os seus caminhos são judiciosos; é o Deus fiel, injustiça nele não há, ele é justo e reto.

    Ele encontra seu povo na terra do deserto nas solidões repletas de urros selvagens; ele o envolve, o instrui, vela sobre ele como a pupila dos seus olhos.

    Ele é como a águia, encorajando sua ninhada; plana sobre seus filhotes, desdobra toda a sua envergadura, toma-os e os conduz sobre suas asas.”

    Deuteronômio 32; 1-4 e 10-11.

  • Primeiro trabalho na Espanha

    Muitos dias sem escrever, motivo? Consegui um emprego e estou me adaptando aos horários de trabalho  na Espanha.

    Mais que me adaptar aos horários tenho que me adaptar ao trabalho. A principio me disseram que seria Assessora de Seguros, agora descobri que sou Agente de Seguros. Não sei a diferença, na prática? Nenhuma. Tenho que andar pelas ruas que me são designadas vendendo seguros, oferecendo às pessoas uma assessoria para contratação de seguros da empresa que represento com exclusividade. Ofereço o serviço de seguros batendo à porta das casas (e apartamentos) das pessoas, o  trabalho em sí é duro porque as pessoas estão resistentes a todo tipo de venda porta fria. Quando falo deste trabalho para muitas pessoas (aqui e no Brasil) todos fazem cara de pouca alegria, poucos amigos. Mas, mesmo com estas caras e bocas, eu vejo muitos pontos positivos, posso fazer uma lista deles:

    • melhorar meu nível de espanhol;
    • aprender a falar galego;
    • conhecer mais pessoas;
    • conhecer melhor a região que vivo, não só a Cidade de Santiago, como também os Conselhos ao redor;
    • me tornar conhecida em algum meio;
    • sair de casa e me ocupar;
    • me desenvolver em uma nova profissão (?);
    • trazer dinheiro pra casa e não depender do que tenho no Brasil.

    É, acho que tenho bons motivos para seguir neste trabalho, independente do difícil que seja e do quão desacreditada esteja este trabalho.

    Mas há um ponto que me incomoda muito, as pessoas com quem trabalho. Não digo os agentes de seguro, não, com estes estou descobrindo pessoas e histórias incríveis, histórias de luta e superação, que me deixam com vergonha dos meus sentimentos de incapacidade e me recordam que a vida é muito mais do que as minhas pequenas dores de coluna, minhas tristezas existenciais e qualquer outra bobeira que eu possa reclamar. Os que me incomodam estão na direção da empresa. Não percebo o desejo de fazer esta equipe dar certo, mas sim, vejo que querem sugar o que pudermos dar e se em algum momento não dermos deixamos de ser parte. Resultado, resultado e resultado, é o que querem, sem treinamento adequado, jogados a fogueira, para ser frito ou pular e se virar rapidamente por resultado para o bem da empresa. Porém pergunto, existe empresa saudável sem que sua equipe esteja integra, saudável e feliz? Eu não acredito nisso.

    O primeiro ponto que me colocou em alerta foi quando me pediram para mudar meu nome. Justificativa: meu nome não é comum na Espanha e os espanhóis terão dificuldade de entender e falar…  Para mim é uma afronta este pedido. Meu nome é minha identidade, a única coisa que trouxe do Brasil e levo para qualquer lugar, muda o som, mas não muda a escrita (a não ser que vá para o Japão, China ou Países que a tipografia não seja a mesma em que meu nome foi composto). Não, meu nome eu não mudo. Ele conta a minha história passada, presente e futura. Ele me representa, me identifica no meio da multidão, afinal nem no Brasil ele é um nome comum. E que graça há em ter um nome comum?

    O segundo ponto de alerta total, justo ao final do primeiro mês de trabalho vieram me pedir uma venda, que deveria ser passada a outra “garota” que trabalha comigo. Ela tinha 2 vendas e eu 6 e com 2 vendas ela não poderia receber o salario determinado para o primeiro mês. COMO????? Isso não foi acordado em momento algum, não disseram que se não tivéssemos 3 vendas no primeiro mês não poderíamos cobrar o salário do mês. E o “PERÍODO DE GRAÇA” que disseram que teríamos???? Não me importo em dar uma venda minha, muito menos para a pessoa que me pediram para ajudar, faço de coração. O que não concordo e me revolto, é que não houve em momento algum a informação de que não receberíamos o fixo se não tivéssemos as 3 vendas. E, esta pressão é real? Não sei, me parece que não, porém agora não vou acreditar mais nas metas e nas pressões. Mentira, pra mim, é um dos piores defeitos de uma pessoa.

    Terceiro ponto, se antes da suposta mentira, sobre a pressão, já achava o diretor pouco humano, agora, mais do que tudo, não confio nele. E, pouco a pouco deixo de confiar na minha coordenadora. Para mim são pessoas que não me olham como uma pessoa com história e qualidades, mas sim, como um número. Não, me recuso a ser uma marionete por estas mãos, mãos das quais não notem nenhuma qualidade que me brilhe aos olhos.

    Quarto ponto, para mim ter muito dinheiro, ser casado com funcionário nivel A (*), ter muitos bens, conhecer muitos lugares ou outras situações materiais e quantitativas não me empolgam. E, neste lugar escutei exatamente isso, acredito que tenham este discurso porque muitas pessoas que vão parar ali estão apenas interessada no dinheiro e poder que ele dá. Mas eu não quero, confesso que cheguei a me enrolar nesta trama do poder de compra que posso ter se ganho 1mi, 2mil ou 3mil Euros ao mês, mas agora, refletindo sobre o que eu de verdade quero pra mim e minha família, me recordei do pensamento minimalista que me inspirou a encarar esta mudança de País e definitivamente, não é isso que vai me mover. Não me movo pelo ter, mas sim pelo ser! E, se comparo a minha lista de motivos que me fizeram aceitar este trabalho com a lista de pontos negativos desta empresa, vejo que tenho mais motivos para amanhã, depois do dia do trabalho, acordar, me arrumar bem bonita e ir para a rua conhecer pessoas, conhecer a cidade e, se Deus me permitir, ajudar alguma pessoa lhe dando assessoria para contratar algum seguro. Se for o meu, ótimo, se for o do meu concorrente, muito bom, voltarei para a casa contente por ter ajudado uma pessoa a se proteger da melhor forma e com a melhor oferta. E, assim vou viver, até que não seja possível ficar nesta empresa. Mais foco a quem posso ajudar e menos, ou quase nenhum, aos “vampiros”.

  • Pessoal?

    Pensando em coisas que acontecem… amigos que eu creia que eram amigos e com a minha mudança sumiram. Problemas no trabalho e falta de respostas do pessoal que trabalha comigo. Pessoas que trabalhavam comigo e me fizeram promessas, eu acreditei e descobri que tudo virou pó.

    Pensando em tudo isso tenho algumas opções, entre elas ficar muito chateada e acreditar que é algo pessoal, que sofro mais que os outros, que sou vítima, mas escolho pensar:

    Tudo é passageiro. O que foi, foi, já virou passado. Quem fez a mim, em verdade, fez a si. Quem não me acompanhou é quem saiu no prejuízo. Quem não me valoriza é quem perde. Sim, agora eu sei que tenho valor e que nada disso deve ser interiorizado. Sim, precisei atravessar o oceano para aprender que meu melhor amigo, sou eu mesmo. Só eu, minha melhor amiga, posso fazer coisas com o intuito de me auto beneficiar.

    Simples assim, com isso, enterro o passado e os pensamentos que não devem fazer parte da minha vida. Namastê!

  • eu

    Mulher, esposa, mãe, ansiosa, cheia de dúvidas, mas determinada a viver uma vida com ética e fazendo a cada dia, algo melhor do que fiz no dia anterior. Gosto de conhecer novos lugares e aprender com novas formas de pensar a vida. Foi assim que conheci o minimalismo e me identifiquei com ele. Hoje, vivendo na Espanha, construo uma nova vida, mais simples e completa que nunca. Para mim, não há limites para a idade, hoje, quando escrevo estas linhas tenho 44 anos, a beira de fazer 45, mas quando você ler, posso já ter 50, 60, 80, 100… Eu gostaria de viver até os 102 anos, não sei se poderei, mas desde que mudei de País e, junto meu estilo de vida, trabalho para que meu corpo e cabeça me permitam chegar a esta idade.

    Espero que você goste deste meu espaço de escrita. Aqui conto os lugares que vou conhecendo, as dúvidas que tenho, as coisas que aprendo, os livros que leio e assim vou vivendo, me reinventando sempre.

    Beijos, bicos y besos.