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  • a farsa – por ana franco

    que duvida, escrever. a quem quero enganar, não saio do lugar e quero estar no topo da montanha olhando a todos de cima. é o galego, é o espanhol, é o portugués, nem um idioma único eu hablo.

    sou a farsa do monte que vejo na minha frente, que diz na placa que tem um rio. um rio verde com uma ponte centenária sobre o rio que secou pela falta do seu amor.

    quem ama quem? ninguém, a vida é toda uma farsa. todos mentem. mentem que amam mas não sabem quem é o outro com suas preferências.

    três mulheres cantam com suas vozes agudas um ritmo mesclado, inovando o velho conhecido, conquistando os jovens e os velhos que querem ser jovens. elas cantam a falsidade, o amor e a dor. antes, as que foram elas no passado, cantavam as dores da fome. elas as dores do amor.

    eu escrevo para quem sente, como elas, que cantam para quem sente. pode ser dor de amor, dor de vida ou dor de viver. se não sente, aqui não é seu lugar. este espaço é de quem sente. sinta o que sinta, sinta o que queira sentir ou deixar de sentir, este é o seu canto.

    A.F.

  • Desejo um suspiro de vida

    Desejo de borboletas amarelas

    No ar diáfano o ideal

    seriam borboletas amarelas

    para desenhar alegria

    com suas asas, seu voo

    delicado.

    Se não há borboletas,

    fica no ar um desperdício

    e um suspiro.

    de Roseana Murray, do livro Poço dos Desejos, da Editora Moderna

    poço dos desejos Muitos desejam a riqueza, otros a lua, o sol e o amor. Roseana Murray deseja borboletas amarelas, trocar de cor, cantar, morar numa lua e, entre tantos desejos, a paz e ser dona de uma papelaria. Ela não se cansa de fabricar desejos, como cada um de nós.

    Nos tempos atuais, tempos de pandemia, creio que o maior desejo de todos é viver e voltar às ruas. Intimamente temos outro desejo; desejamos um mundo melhor e coincidimos no desejo da paz.

    Tive desejos que desapareceram e outros alcançaram a lua, porém existe um que não adormece; o desejo de que meu filho seja um grande homem. Grande em tamanho sei que será, quero mais, quero um homem de princípios e valores, que reconheça a beleza da vida e do simples, que abandone a manada juvenil e siga seu caminho, único e especial, tal como ele é. Que crie sua identidade não influenciada, mas influenciadora, e que passe pelo mundo deixando sua  delicada pegada de luz, evitando o desperdício do desejo e criando um suspiro de vida no mundo em que vivemos.

    interferência ao poema Desejo de Borboletas Amarelas de Roseana Murray – por Roseana Franco