Tag: Vida de mãe

  • Trechos de um livro

    “Um dos princípios da fé é que Deus sempre tem um plano. Sem se importar com a loucura em que a humanidade mergulhou, Ele sempre nos confiou, por fim, à paz que existe além das loucuras.

    A humanidade está se movimentando para a frente agora, apesar de continuarmos gritando e esperneando. A natureza parece nos dizer: “Pronto, chegou a hora. Acabou a brincadeira. Trate de se transformar na pessoa que você deveria ser”.

    Qualquer circunstância, não importa quão dolorida seja, é um desafio lançado pelo universo para que nos tornemos quem formos capazes de ser.”

     

    Trechos do livro: O dom da mudança de Marianne Williamson

    (escrito em 2004, porém parece que pensado nos dias dessa pandemia global.)

  • Coincidências da vida

    vida e morte

    Os últimos dois livros que li, falam de morte. Falam de guerra, mas sobre tudo de morte.

    Hoje, passadas as 10 horas da manhã recebi uma ligação, fui selecionada para trabalhar com a morte. Fazer o controle de qualidade da assessoria à morte. Será coincidencia da vida, ler sobre morte e agora saber de mortes que farão parte da minha vida? Se for um sinal da vida, vou acreditar que pela qualidade dos livros, esse trabalho será sensacional!

    Entendo a morte de uma forma muito diferente da grande maioria das pessoas. Sou espírita. O que não significa que não sofra com a morte. O que não significa que não queira reter as pessoas amadas pela eternidade. Sou humana e falho. Compreendo a morte, como o renascimento para a verdadeira vida.

    Me pergunto; se entendo a morte, se sei que é o único que tenho certo em minha vida. Por que não vivo de forma distinta? Por que perco meu tempo com tantas frivolidades? Por que não vivo a todo vapor? Toda alegria? Não sei responder, tenho preguiça de pensar o trabalho que vai me dar explicar a minha mudança de atitude…

    Preguiça. Tenho preguiça de viver em alguns momentos. Não me arrependo de muita coisa, no geral o que me arrependo tem relação com dinheiro. Não me arrependo de estar com o mesmo homem a tanto tempo. Não me arrependo de ter escolhido estar com um homem e não uma mulher, embora tenha tesão por uma que outra. Sou bem mais seletiva na escolha de uma mulher do que fui na escolha de um homem, mas estou bem com a escolha que fiz. Não me arrependo de ser mãe. Não me arrependo de ser mãe adotiva. Agora, uma coisa é certa, o caralho que é bom ser mãe, porra nenhuma! Alguém, em algum dia inventou que é a coisa mais maravilhosa do mundo ser mãe, que é um dom… cacete, é sofrimento do inicio ao fim, com momentos de alegria, mas muitos de tensão e estresse. Que mulher é essa que se ilude e diz que é tudo de bom ser mãe? Juro, o melhor que fiz foi adotar, não ter o mal estar da gestação, as dores, as ansias de vomito, o parto. Não nasci para sentir dor e mal estar físico, viro um trapo. E a educação? Cacete redobrado, como é difícil, com tanta influência externa fazer que seus limites e valores sejam respeitados… é o Ó! Me estressa e me dá preguiça viver nesses momentos. Espera que te posiciono melhor a situação: “Um belo dia, fechei os olhos para dormir e quando acordei, ele, meu filho, tinha crescido mais de 20cm, ganhado pelos pelo corpo e hormônios que agitavam os seus novos 1,75m de altura. Com apenas 13 anos, altura de adulto, voz de homem e hormônios em ebulição virou regra pessoal dele contestar e protestar a tudo o que antes era normal e comum em nossa casa e vida. Foi um rotundo adeus aos limites, valores e regras da casa, bem como ao meu espaço e a minha paciência.”

    É, pelo que estou pressentindo, vai ser bem mais fácil trabalhar com a morte do que viver esta vida de mãe de adolescente.

  • BEDA #14 + Reto de los 100 días #14

    como ser maeHoje quero compartir com vocês um assunto que nem todos vão entender, imagino. Vamos falar sobre a maternidade. Portanto, leitor amigo, se você é homem, tenha certo que ser pai é diferente de ser mãe. E segundo, pode ser neurose minha, mas ser mãe não é apenas parir, dar comida e todas estas coisinhas. Essa pra mim é a parte trabalhosa, porém fácil. O complicado, do meu ponto de vista, é que ser mãe envolve sentimentos de frustração por não saber como proteger e garantir 100% o futuro do meu filho.

    Ao mesmo tempo que me preocupo tanto com o futuro dele, em outros pontos dou liberdade. Deixo ele sair (de dia) para ir sozinho ao colégio, ao campo de futebol, no mercadinho e em alguns outros lugares que possa ir a pé. Além disso permito que veja filmes polêmicos, como foi o caso de uma série do Netflix, em que uma menina se suicidava e contava o motivo pelo qual tinha chegado a esse ponto. Vimos esta série juntos em família, debatendo as questões que apareciam e algumas vezes inclusive sinalizando com exemplos de nossas vidas, afinal eu e o pai, já fomos jovens e passamos por muitas. Compreendo que algumas pessoas podem dizer que estamos antecipando fases, permitindo que meu filho veja e saiba de coisas duras da vida. Sim, pode ser, mas sempre preferi conhecer e dar a conhecer com o apoio familiar.

    Eu não tive esse apoio familiar e aprendi na rua, na vida. Nem tudo foi gracioso, nem tudo aprendi em seu momento, algumas coisas aprendi muito cedo e outras muito tarde e, ao aprender na rua, com pessoas que se diziam amigos… também passei por situações de bulling. Em casa ele aprende, argumenta, escuta opiniões (eu e o pai nem sempre concordamos, muitas vezes temos ideias diferentes) e ele próprio chega a conclusões para a vida, com base em uma relação de confiança e amor.

    Outro dia preocupada com o futuro do meu filho, me fechei no quarto e chorei muito. Ele me pegou nesse momento e não me deixou em paz até saber o motivo de tanto choro. Não gosto de mentir, nem de esconder coisas dele e contei:

    – Filho, eu cometi um erro grave e por isso perdi uma coisa muito importante para o seu futuro, que te ajudaria e que poderia ser uma base para você.

    Ele nesse momento me abraçou e disse:

    – Mãe, quantas vezes eu errei? – tentei interromper para explicar que meu erro não era como os erros de uma criança, mas ele não permitiu, disse que era sua vez de falar, e seguiu: – Mãe, eu ja errei muitas vezes e todas as vezes que falhei no futebol ou numa prova o que você sempre me falou é que com os erros aprendemos. Então? Você aprendeu com seu erro?

    Chorando respondi com a cabeça que sim e completei. – Filho, meu erro é erro grave e de adulto, pois vai impactar no nosso futuro e numa coisa que eu queria deixar para você, mas não poderei. Eu calculei mal e fiz um investimento errado e perdi um dinheiro que serviria para o seu futuro, para a sua faculdade, para a sua vida.

    Nessa hora ele me olhou serio, pensou e falou. – Você tá assim por dinheiro? Mas eu não te pedi dinheiro, eu quero meu pai e minha mãe. Dinheiro eu terei o meu.

    E me abraçou e pediu para não chorar e esquecer, que já era passado.

    Parei de chorar naquele momento, mas a verdade é que ainda me martirizo pelo que aconteceu e sigo sofrendo pelo futuro dele. Agora, nesse exato momento ele chega de um partido de futebol e me conta as conquistas e perdas e junto com elas as dores físicas. Comemoro com ele, mas no fundo do meu coração já percebo, a angústia que aperta o peito e me corta a respiração e com isso, volto a sofrer pelo futuro dele, sem saber se ele vai conseguir conquistar os seus sonhos….