Comecei meu dia determinada a seguir meus planos de aceitação, tranquilidade, presença e foco. Não consegui levantar tão cedo como queria, porque fiquei lendo até tarde, os livros me enlaçam de tal forma que largar para dormir se torna uma briga.

Mas, mesmo não tendo acordado antes dos meus meninos, consegui me organizar bem e logo que saíram comecei a trabalhar no que me propus. Sempre reclamei que nenhum dos dois ajudam na limpeza e manutenção da casa e, descaradamente me respondem que isso não é coisa de menino. Que papo mais machista !!! Se bem que vindo deles me soa mais preguiçoso que machista. Enfim, eu gosto de casa organizada e decidi que faria a faxina geral do apartamento e passaria a pilha de roupa que me esperava há um mês. Humm, a pilha de roupa eu peguei pesado com esta promessa, era uma pilha considerável, algo tamanho 10As. Será que existe esse tamanho de pilha? É, mas o volume de roupa que eu tinha aqui era bem considerável, precisaria de energia especial para encarar.
Uma vez que dei motivos pessoais ao trabalho, logo o foco apareceu e segui em frente. Alguns apartamentos aqui na Espanha são diferentes e entramos pelos quartos e não pela sala. Meu apartamento é bem assim, quando abro a porta de casa dou direto no corredor dos quartos, tenho que passar por todos eles para depois entrar na cozinha e só então chegar na sala, que é menor que os quartos. Estranho, mas com o tempo nos adaptamos. Há quem tenha feito o primeiro quarto de sala, eu acho estranho porque ai teria um quarto dentro da cozinha, mas gosto é gosto e não se discute. Veja a planta do apartamento.
Aqui, temos que ter atenção a humidade, e o momento da faxina é perfeito para passar um pente fino pela casa. Fazem quatro meses que estamos morando aqui e as paredes que foram lixadas, emassadas, lixadas, seladas e pintadas com tinta “antimoho” já estão ficando pretas. Quando não se tem dinheiro para fazer uma obra maior o caminho é ter um olhar mais atento para a casa, afinal a humidade vem acompanhanda de mais frio e de doenças alérgicas. Para resolver isso me ensinaram duas receitas caseiras. A primeira é “aislar” a casa todos os dias por pelo menos 10 minutos. Como aqui chove muito e faz frio é comum que as janelas fiquem fechadas por dias e dias, mas isso é fatal para a humidade, logo a parede fica preta. Então temos que abrir as janelas da casa toda e deixar o ar circular, por no mínimo 15 minutos e, preferencialmente, no momento de mais calor, sol ou menos frio. Quando chove muito, só abrir a janela não é suficiente e é preciso passar um pano molhado em “lehia”. A“lehia” é a água sanitária do Brasil, só que multiplicada por 10 em nível de concentração e vem misturada com detergente, é de uma eficácia impressionante! Porém tem que ter muito cuidado!
E comecei, vistoria e “lehia” nas paredes, troca de roupa de cama, aspirar colchão, travesseiros, tapetes e chão. Passar a “fregona” é outra característica da faxina aqui. Meu apartamento tem um piso muito antigo, que parece de quintal e poderia facilmente jogar água e lavar como fazemos no Brasil, mas aqui isso é impossível. A casa não tem ralo em nenhum ponto, nem no banho, nem na cozinha e menos ainda na terraza. A forma de lavar é com produtos misturados na água, eu gosto de usar água quente, e esfregar com a “fregona”. Um dia ainda vou arrumar um nome para a dupla, aspirador de pó e fregona, que são meus companheiros fieis da limpeza da casa.
Com uma casa minimalista, até que não é tão difícil, às 14 horas eu já tinha a casa toda muito bem limpa e cheirosa, com excessão da cozinha. Esse é mais um detalhe diferente do Brasil, aqui o almoço acontece entre 14:30 e 15:30h. Não sei se já contei para vocês, mas o colégio do Luiz Felipe é de 9 às 14horas, então o almoço eu só sirvo quando ele chega em casa, às 14:20h. Como estamos com uma alimentação minimalista, quando Enrique chegou em casa com o Luiz Felipe eu já tinha a casa arrumada, comida feita, uma máquina de roupa estendida e outra batendo. Enrique entra em casa que nem percebe a diferença, já o Luiz Felipe percebeu tudo, organização do quarto dele, cheirinho da casa e um de seu pratos prediletos para o almoço, peixe assado no sal grosso. Comemos e parti pra roupa que tinha que passar.
Seguindo a minha determinação de aceitação e busca por meu espaço, fui firme com o Enrique e ele não teve como escapar. A limpeza da cozinha ficou por conta dele. Nada complicado, eu já tinha deixado a pia e a louça do preparo limpas, guardadas e arrumadas. Era só lavar a louça da mesa e seguir com a “fregona”. Em contrapartida eu fiquei com a roupa, e vocês não vão acreditar. Levei quase o mesmo tempo da faxina passando roupa. Saí morta! Morta mas feliz, fiz por mim, porque me agrada muito estar na casa arrumada e cheirosa. Até para dormir eu me sinto melhor. Me sinto vitoriosa!

Por hoje foi isso, agora à leitura até que seja a hora de dormir. Estou lendo um livro delicioso, que me foi indicado pela minha querida Roseana Murray. Assim que terminar farei uma resenha, isso será esta semana, com certeza.
E você, quer me indicar um livro? Contar como faz a faxina na sua casa? Perguntar alguma coisa da vida na Espanha? É só falar, estou por aqui! Não deixe de se inscrever para receber as notificações de novos posts, não deixe de me visitar nos meus outros canais/rede sociais (instagran, facebook e youtube).
Beijos, bicos y besos!
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