• BEDA#14 – querer mas não poder

    amor-do-passado2sua imagem está gravada em meu peito. fecho os olhos e te vejo, abro os olhos e sinto sua presença. muitos anos já se passaram e você aparece em meus sonhos como um fantasma. que faz? que quer de mim? hoje a vida é outra, os caminhos se distanciaram, seguimos vidas, distantes, mas ligadas por um fio invisível que não sei se você percebe, mas eu sinto a tensão.

    num outro momento de sua vida, que você sofria mudanças, não sei porque mesmo a distancia, te senti e pressenti. e agora, novamente, você vem. te quero, te desejo por perto, te escuto e te sinto, mas não te tenho.

    quero, mas não posso te ter, tento entender, mas meu corpo não entende e estremece  com o simples pensar em ti. penso e sinto seu cheiro esquecido, sinto seu toque quente. sim, você está aqui e, eu ai com você, te vendo com ela e chorando sabendo que não me sente, não me nota, não me sente. mas eu sigo te querendo, mesmo que não possa te ter.

    by Roseana F. Saraiva

  • BEDA#13 – resumo da semana 1

    Quero, a partir de hoje, toda sexta-feira, fazer um apanhado do que vivi na semana e trazer para o blog um resumo da semana e fazer uma avaliação do que aprendi e do que tenho que tenho que aprender. Para mim, estas analises pessoais são importantes para o meu crescimento pessoal. Muito bem, então vamos a primeira semana?

    Esta semana trabalhei exaustivamente, foram jornadas longas de 12 a 14 horas/dia, que não foram efetivas porque não alcancei o resultado de vendas que tinha como meta pessoal. Algumas vendas não aconteceram porque os clientes não podiam fazer a contratação agora, outras porque não consegui despertar nos clientes a necessidade para o meu produto e, em outros, casos porque simplesmente não encaixava com a expectativa do cliente. Uma vez que já sei disso, para a próxima semana mantenho a meta quantitativa de vendas, porém, me desafio a fazer melhor e em menos tempo, para conseguir ter mais tempo em casa com minha família. O trabalho é importante, mas não é o único ponto da minha vida.

    Com a família, eu deixei muitos furos, tive pouco tempo em casa e  por isso dei pouca atenção para as pessoas que são mais importantes na minha vida. Na terça-feira, meu filho fez aniversário, não pude estar presente com ele por muito tempo e nem pude dar algumas pequenas coisas que ele queria, como resultado, com a consciência pesada, tive pesadelos. O bom é que o pouco tempo que estive com minha família foi brincando e rindo, fazendo nossos dias serem mais leves e ajudando eles a ver que o amor da família tem que vir em primeiro lugar, sempre. Este final de semana, que meu filho não tem partido, quero aproveitar para passar muitas horas com ele, caminhando, conhecendo lugares, jogando, brincando, contando piadas, ou seja, fazendo ele rir e ter a memória de um final de semana precioso, onde a presença foi o mais importante.

    Esta semana tive muito pouco tempo para ler, não li nem uma página de qualquer um dos tantos livros que tenho na estante, no Kindle e no tablete, uma pena. Mas já estou determinada a ler, ao menos 15 minutos por dia, a partir de hoje. Isso vai me ajudar muito, por amar livros e por ter um tempo de silêncio para me concentrar no que preciso. Falando em me concentrar no que preciso, quero todos os dias fazer 10 minutos de meditação, que será fundamental para me ajudar a controlar a ansiedade. Não vou me extender na lista das coisas que quero implementar no meu dia, sei que colocar muitas tarefas e mudanças de rotina não é indicado, por isso escolhi estas para começar.

    Esta semana consegui manter a esperança e trabalhei a paciência com o que não posso mudar. Mantive meus olhos abertos ao novo. Consegui escrever sobre o acidente do meu pai e nossa relação, o que sempre foi difícil pra mim. Todos os dias da semana eu sentei por alguns minutos e escrevi no blog, com o desafio do BEDA, o que foi fundamental para me ajudar a ter paciência, esperança e definir algumas prioridades. E, o mais importante, mais uma vez a vida me ensinou que o primordial em nossas vidas é o amor das pessoas que estão ao nosso lado, as pessoas que escolhi para fazerem parte da minha família, são as que devo proteger, valorar e me unir. Tenho que fazer as coisas por mim e por elas, não porque outros acham que é o melhor para nós. Aprendi a duras penas, que ao mudar de País, não se pode confiar nas pessoas, muitas te indicam situações que são uma grande furada, outras te prometem coisas que não cumprem. Depender de terceiros nunca foi uma boa opção, principalmente para quem está num lugar que ainda não tem total domínio da cultura e idioma. Errei em algumas questões, mas sou forte e capaz de virar a mesa. O principal tenho, minha determinação e a família (marido e filho) que me apoiam.

    Só sei que minha próxima semana será melhor e vou poder contar aqui quantas outras coisas aprendi e conquistei.

  • BEDA#12 – aprender a ver

    Ginkgo_Biloba_lalinVocê já reparou que muitas vezes o dia passa e nem vemos o que nos acontece? Por isso busco sempre estar atenta, observar muito, ver e ouvir com cuidado nas entrelinhas.

    Eu acredito em destino, acredito em sinais, em mensagens do Universo em pequenos gestos de pessoas desconhecidas. A vida corrida, muitas vezes, me levou para longe do que acredito, e também acredito que me ligar ao minimalismo seja uma forma de retornar às minhas crenças, enfim ser quem sou. Saber quem sou, me auto-avaliar, saber que crenças tenho, as que me limitam e as que não, o que quero mudar e o que me satisfaz como está, me ajuda a separar os momentos de trabalho dos que sou a Roseana-Roseana. Mas, também entendo que o Universo não separa os horário para nos enviar mensagens e, esta semana, enquanto “picava portas”, entrei num Centro de Terapias Alternativas, uma Herboristeria em Lalín e fui surpreendida pelo Universos em seus momentos. Eu imaginava que ali poderia vender um alarma, fazer um prescritor para um tele-assistência ou receber um não para qualquer um dos produtos e serviços que ia oferecer, mas não imaginava encontrar minutos de paz, conversa agradável sobre experiências e visão de vida, nem que pudessem me dar uma palavra de consolo para uma situação que me machuca muito, minha mãe.

    A loja é simples e aconchegante, tem luz e música suave, um perfume delicado que me convidava a ficar. Me senti atraída, assim que entrei, pela imagem de um Buda de madeira, alegre e amigo; um jardim de areia, que me trouxe o desejo de ser criança e ficar ali, revirando a areia com os dedos ou com o objeto de madeira, mas não fiz, me controlei. (Já reparou como nos controlamos tanto? Existem momentos e coisas que precisamos de verdade controlar, mas já outras situações precisamos nos libertar e viver.) Ali não me dei o direito de viver a areia, mas a vida me deu o direito de encontrar uma pessoa que sem me conhecer, me contou um pequeno trecho de sua relação com sua mãe, de crítica, perdão e aceitação por sua parte, pois ela tem mais conhecimento universal, ou só porque aprendeu a ver a vida de uma forma mais sensível, simples, mínima.

    Sim, voltamos para o minimalismo. Minimalismo nos sentimentos, nos pensamentos. Deixar de sofrer, viver o hoje, o aqui, o agora. Fazer o que se pode fazer, da melhor forma, sem peso, sem dor; deixar partir, ir. Não prender o que não deve ser preso, amar sabendo que o outro tem limites e mais, que o outro vê de forma distinta. Não criticar, somente amar.

    Maria, obrigada por suas palavras, obrigada pelos minutos que estivemos juntas, por dividir comigo um pouco da sua história e modo de pensar e viver. Sua mensagem calou dentro de mim, porque há momentos que não temos o que dizer, simplesmente ouvir, ver e calar.

    O silêncio de uma boa mensagem deve ser absorvido por nossas células para fazer a diferença em nossas vidas e na de outras pessoas. Gratidão!

     

  • BEDA#11 – lista minimalista de um fim de dia

    nunca-saberemos-o-quao-fortes-somos-boa-noiteDepois de um dia super cansativo de trabalho, 14 horas na rua, visitando negócios porta a porta, sem comer, sem parar de falar e com mais de cento e tantos km de estrada, chegar em casa e encontrar um lar doce lar, organizado, limpo e com uma comida cheirosa e light, é o sonho de consumo de qualquer comercial. Mas não é o caso da que vos escreve. Aqui em casa tenho dois homens bagunceiros e um cachorro de 1 ano, preciso dizer algo mais? Sim, a janta foi um mixto-quente-frio feito pelo maridinho.

    Hoje o minimalismo me faz pensar só no que é prioridade e organizar a bagunça dos 3 homens da casa passa longe. Ainda tenho trabalho para fazer, um blog para com textos pendentes de publicar e um corpo cansado. Depois da janta minimalista, um chá, uma hora de computador, uma ducha e cama. Essa é a lista minima para minha noite.

    Boa noite a todos, sonhem com anjos e com dias mais amenos, assim como eu vou sonhar.

  • BEDA#10 – homenagem ao amor

    IMG_7273Filho não é o que nasce de você, filho é o que vive em seu coração.

    Amor vem com o olhar, não com o sangue.

    Olhe nos olhos de quem está ao seu lado e ame, como uma pessoa que merece respeito, aceite as diferenças, no final somos todos iguais, do pó viemos e ao pó voltaremos.

    Abra seu coração para o novo, permita-se nascer a cada dia, junto com o novo dia novas oportunidades virão e você terá a chance de fazer e ser melhor que no dia anterior.

    Hoje eu comemoro os 12 anos da pessoa que conheço há 7 anos, e que mudou minha forma de olhar o mundo. Tem dias que com mais paciência, outros com mais agito, outros ainda com menos e mais amor, mas sempre, com a certeza que nascemos para dividir uma vida, ele me ensinando o que há de novo e eu, ensinando a ele o que há de velho. Ele me ensinou que devo sempre sorrir e esquecer a dor, e eu lhe ensino que ele nunca deve deixar de sorrir mesmo quando os hormônios do corpo começam a querer romper modelos de uma infância divertida. Eu brigo e peço que seja organizado, ele se zanga e diz que não pode, que é menino, moleque, maluquinho e que esse seu jeitinho é que conquista as meninas. “- Que meninas? Você só tem 12 anos!” – eu respondo. Ele ri, e diz que são os tempos modernos.

    Não sei sei os tempos estão modernos, se estou velha ou cansada. Sei que te amo e a cada dia mais quero você pra sempre ao meu lado. Nem que o pra sempre seja um piscar de olhos e uma fotografia nossa, no computador velho, jogado na gaveta e que será encontrado por seus filhos, que talvez nem conheçam a avó. Mas eu estarei no céu, como uma estrela ou borboleta, seguindo os passos do meu amor que hoje, completa 12 anos e vai brilhar muito por esta vida.

    Te amo, simples e profundamente. Te amo, sua eterna mãe.

  • BEDA#9 – minimalismo no susto

    Como contei no post anterior, retornei ao minimalismo no susto, quando meu marido disse que teríamos pouco tempo para fechar toda nossas vidas no Brasil e mudar para a Espanha. Eu tinha alternativa de não aceitar a mudança, mas ele estava decidido e eu, no fundo gostava da idéia de conhecer um pouco do mundo e fazer uma vida num País novo, dando mais oportunidades para meu filho. Tinha medo, claro que tinha, mas quanto mais medo tenho, mais entro de cabeça, sou assim e não consegui mudar isso até hoje. Tem seu lado positivo, mas também tem o ponto negativo que algumas vezes acabo sofrendo. Não digo que vir para a Espanha é um erro, mas sim um sofrimento. Por mais que te digam que uma mudança de Cidade ou País é difícil, você só sabe o quão difícil é quando está dentro do furacão, mas esse é um assunto para outro momento, agora vamos a transformação de todas uma casa em 7 malas.

    Comecei o processo anunciando a venda de todos os móveis do apartamento. O que não consegui vender, dei para pessoas que necessitavam ou para algumas pessoas queridas. Livros, Cd’s e Dvd’s foram todos vendidos para um sebo que tem no Centro do Rio de Janeiro, que sempre gostei muito, eles trabalham com todo tipo de livro e são super atenciosos. Nos Cd’s e Dvd’s, praticamente não ganhei nenhum dinheiro, essa mercadoria não tem mais valor, só ocupa espaço, acumula pó e evita a circulação da boa energia em uma casa. Isso da boa energia, aprendi com o Feng Shui e com o Reiki, papo para outro post.

    Tenho que confessar uma coisa, não vendi todos os livros, uns tantos que me interessavam arrumei nas 7 malas e mandei pra Espanha. Quando desembarcamos no aeroporto aqui, a polícia me fez abrir mala por mala e explicar porque tanto livro, foi cômico.

    Para conseguir espaço para os livros tive que eleger prioridades, disso trata o minimalismo, explicando de um modo mais simples, é definir o que é mais importante para você e, para fazer uma escolha mais acertada, é muito importante saber quem é você, se autoconhecer. Nesse momento decidi, minhas roupas, bolsas e sapatos não me fariam falta, salvei um par de sapatos e roupas que tinham significado para mim e o resto foi todo para um abrigo, onde teriam um bom destino. Para quem me conhece um pouquinho, sabe que bolsas e sapatos eram minha paixão, mas de alguma forma já previa que minha vida aqui seria muito diferente e não teria lugar para usar aquelas peças, nem clima… Na hora doeu me afastar delas, mas foi uma dor passageira, sem arrependimentos.

    Seguindo com as malas, minha preocupação maior era de ter a mão coisas que realmente fossemos a precisar, prioridade e necessidade eram as palavras que me norteavam no destralhe. Ao baixar toda a casa para esvaziar todo e qualquer cantinho, descobri que todos os destralhes tinham sido superficiais. Nessa hora se vê quanto dinheiro gastamos que fica parado em gavetas, sem uso. Aqui temos outro ponto muito importante do minimalismo; consumo consciente. Saber o que se compra, como aquilo foi produzido, por quem, como foi transportado, ter atenção a toda a cadeia de produção e descarte, quanto tempo vou usar e a real necessidade. Ao perceber todo o acumulo que tinha em casa, vi que não fazia minhas compras com consciência e, confesso que tive vergonha de mim mesma, pois poderia ter aproveitado aquele dinheiro gasto com coisas que fossem mais importantes para mim.

    Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, diz numa entrevista que dinheiro é mais que um papel ou um metal, é vida, é tempo seu de vida gasto com trabalho e, a vida mal gastada é uma forma miserável de viver. Foi assim que o minimalismo foi calando dentro de mim. Tal como o açúcar, que vicia, o comprar também, porém, ao compreender o que significa o dinheiro, o que significa o tempo de vida de cada pessoa que fez parte do processo de produção do que quero comprar, passei a pensar antes de sacar o cartão de crédito. Ainda cometo falhos, mas menos do que há 2 ou 3 anos atrás. E, naquele momento que estava fechando minhas malas, tinha isso muito claro a minha frente. Quanto tempo de vida trabalhando eu tinha gasto para ter aquelas coisas que agora não fariam mais parte de minha vida. E lembrei do meu pai, que gostava de colecionar e acumular coisas, quanto tempo de vida ele passou trabalhando e comprando, se preocupando em onde e como guardar, em limpar, em proteger, em ter um apartamento maior com espaço para suas coisas e no final cada objeto que tinha em casa se foi para um lugar diferente e ele voltou ao pó, que foi misturado com as águas do mar, que ele tanto amava. No final o que levamos é nada, pois então, que sobre boas lembranças na memória dos que ficam.

     

  • BEDA#8 – quando voltei para o minimalismo.

    Passada toda a turbulência do acidente fatal do meu Pai, segui vida e esqueci meus planos de fazer uma vida com conceitos minimalistas. Comecei comprando coisas para fazer a obra do apartamento, a idéia é que a obra fosse pequenina, mas acabou sendo completa por todo apartamento. Depois, decidi trocar de carro, Depois resolvi comprar umas roupas… e assim foi até que um dia, meu marido chegou em casa com uma decisão tomada. Vamos nos mudar do Brasil, você tem duas escolhas, ou vai, ou vai.

    Opa??? Como assim???

    cara-de-susto

    Sim, ele fez exatamente isso, decidiu mudar do Brasil para a Espanha e não me deixou opção de escolha, nem de negociação. Os motivos dele escolher a mudança são inúmeros, mas um deles, é a situação crítica que já se notava no Brasil e no Rio de Janeiro.

    Uma mudança desta magnitude significa ajustes na vida de forma brutal. Primeiro lugar tivemos que falar com o Consulado, fazer uma série de documentos o que me deu um prazo de 6 a 8 meses para termos tudo. Enquanto isso, definimos se íamos alugar ou vender o apartamento. Como uma vez fora do Brasil, não me via voltando, queríamos vender, para facilitar o fechamento da vida por lá. Mas não foi possível, a crise já estava na porta e não conseguimos comprador. Para alugar, já foi o contrário, a primeira pessoa que viu nosso apartamento se apaixonou e decidiu ficar com ele, porém, ela precisava do apartamento no inicio do mês seguinte, ou seja, teríamos 20 dias para liberar o apartamento para ela morar.

    Nesse momento a primeira palavra que me veio a cabeça foi: MI-NI-MA-LIS-MO!!! Por que não tinha reduzido minhas coisas ainda? Porque deixei isso parado? Agora seria tão mais fácil e rápido. Poucos dias depois de começar a anunciar tudo para venda, Selma, nossa amiga da agência de viagem me liga para lembrar que temos limites de malas, por pessoa são 2;  sendo 1 grande e 1 pequena de bordo. OU seja, teríamos 6 malas. Mas como não teria graça um Blog  chamado “umavidaem6malas”, e como não me coube tudo em 6 malas, tive que colocar o que sobrava, bem apertadinho em mais uma mala pequena. Assim nasceu umavidaem7malas.com e, assim voltei a ser minimalista. Foi tudo no susto.

    Num dos próximos blogs vou contar um pouco do ser minimalista na Espanha, quando se está começando uma vida nova. Se tiverem dúvidas ou quiserem contar alguma experiência pessoal, mão deixem de me enviar comentários.

    tag-minimalismo

     

  • BEDA#7 – homenagem ao meu pai.

    Luiz y TiaoNo BEDA#6 eu contei para vocês quando deixei o minimalismo, logo após a morte do meu pai em 2013. Nossa relação foi muito difícil, eu tinha 3 anos quando ele e minha mãe se separaram e não conseguimos criar a conexão entre pai e filha. Com a morte do meu pai, causada por um trágico acidente, a nossa aproximação nestes últimos dias de sua vida, e depois, com o fechamento do seu apartamento, revivi muitos dramas e perdi o foco no minimalismo.

    Neste post quero fazer uma homenagem ao homem que foi meu pai, o pai que eu sempre quis ter, mas que de alguma forma não conseguimos nos conectar, não conseguimos manter uma relação tranquila e saudável. Havia medo, vergonha e pouca, ou quase nenhuma, comunicação.  Sempre me perguntava como seria nossa vida quando ele dependesse de minha ajuda, quando estivesse velhinho e tivesse que ser cuidado por um parente. Ele tinha muitos amigos espalhados por todos os cantos que viajava, tinha uma família relativamente próxima, porém não imaginava que quisesse viver com sua família, uma vez lhe perguntei sobre este momento da vida, como faríamos. Ele respondeu: “ – Me ponha numa casa de idosos bem divertida.”  – E a conversa acabou aqui, naquele dia não conseguimos mais conversar, este nem nenhum outro assunto.

    O dia que meu pai sofreu o acidente eu tinha uma licitação pública. Era uma venda muito importante para mim, dentro do cliente e da minha empresa, era um projeto especial e estrategicamente muito importante para conquistarmos outras negociações. Uma licitação funciona quase como um jogo de pôquer, atenção ao comportamento de todos é fundamental e saber blefar para dar ou não o lance correto na hora certa. O fato é que eu nunca fui boa em jogos, em especial no pôquer, Durante a licitação, eu estava nervosa e minha tensão aumentava muito, tirando minha concentração a cada vez que, insistentemente um número estranho, de outra Cidade do Rio de Janeiro, me chamava.. Não podia desligar o telefone, porque a negociação podia seguir por um caminho diferente e teria que chamar minha diretoria pedindo alguma autorização especial. Mas também não podia atender aquele número, não naquele momento. Por fim, a etapa de preços acabou e fui declarada a vencedora. A etapa seguinte era seguir com a verificação de documentos de cada empresa participante do processo. Como tinha certeza absoluta que meus documentos estavam corretos, pedi licença para ver o que se tratava aquela chamada e sai da sala. Voltei pálida, sem ar e informando que meu pai estava numa UTI a 115km da Capital, que naquela hora significariam umas 4 horas de engarrafamento. Preocupados com a situação, o cliente finalizou o processo com agilidade e me liberou, disseram que deveria correr para ver meu pai e dar-lhe a boa notícia que era a ganhadora de uma licitação de alto valor.

    Quando cheguei no hospital, o susto foi grande. Meu pai estava muito machucado. Não tínhamos, ainda, o laudo de todos os problemas causados pelo acidente. Eu não sabia com quem ele estava e nem onde. Sabia que não estava dirigindo e que não queria que me chamassem, ele tinha dito para não me incomodar que estava trabalhando e a noite teria que cuidar do neto dele (sim ele falou assim, as enfermeiras me contaram). Porém como ele já tinha 77 anos e estava muito machucado, não poderia ficar no hospital só, muito menos sair dali, por fim conseguiram convencer que ele desse meu número. A primeira noite de hospital foi dura, ele estava resistindo a ficar ali e tiveram que atar-lo a cama. O segundo dia a situação ficou tensa, pois eu não sabia o que tinha meu pai, que estava só numa sala de emergência, numa cidade do interior do Rio de Janeiro, tive que brigar com médicos, administrativos e enfermeiros para conseguir que meu pai fosse levado de ambulância para outro hospital, na Capital.  Foi a pior viagem de minha vida, dentro da ambulância, vendo meu pai gritar de dor, não sabia o que fazer, só consegui segurar sua mão, dizer que o amava e que já estávamos chegando ao hospital. Ao chegar, as 3 hora da manhã, meu pai foi direto para a UTI, enquanto eu fazia o procedimento de entrada dele no hospital.

    Assim que o médico de plantão me viu, perguntou o que tinha se passado com meu pai pois ele estava muito machucado e, o médico responsável pelo transporte dele para aquele hospital não tinha deixado muitas informações, apenas alguns laudos do outro hospital. Lhe expliquei o que sabia sobre o acidente, lhe contei minha briga por saber o estado real do meu pai no hospital de Rio Bonito (local do acidente), e que não me disseram nada. Contei como foi a viagem na ambulância. E o médico com uma cara muito séria disse:

    “Seu pai é um homem muito forte, não é qualquer um que sobrevive a um acidente como este e se mantém vivo. De momento posso dizer que ele está muito ferido, tem lesões consideráveis, mas temos que fazer outros exames para saber o quadro por completo.”

    Insisti para que o médico me falasse o que tinha meu pai.

    “De momento não tenho seu quadro completo, temos que fazer provas. Segundo o outro hospital, tem uma vértebra da coluna cervical fraturada, nariz fraturado, um coagulo na cabeça.  Agora vamos cuidar dele. Vá para casa descansar, amanhã quando chegar teremos como dar mais informações.”

    Fui para casa, não dormi. Nos dias seguintes visitava meu pai e sempre buscava aos médicos ansiosa por novidades. Disseram que seu quadro ela o inicial, não sabiam como seria a recuperação dele, com a coluna, ele ficava dia-a-dia atado a cama e gritando que não queria estar ali, que ele não devia estar preso, que não tinha feito maldades para estar ali. Ele não compreendia e eu apenas chorava.

    Em seu segundo dia no hospital do Rio de Janeiro, levei algumas pessoas para ele ver e se animar, uma vez que era um domingo. Fui a primeira a entrar na UTI, e percebi que ele estava mais agitado que os outros dias. Ele não me reconheceu, olhou pra mim e disse:  – Moça, me tira daqui, não sou mau, não fiz nada.  Não consegui falar, só chorar. A enfermeira perguntou para ele quem era Roseana, que Roseana iria visitar ele naquele dia e que ficaria muito triste em ver ele nervoso. Ele respondeu, que Roseana era a filha dele. Não era pessoal, ele não tinha se esquecido de mim, ele só não me reconhecia fisicamente, porque alguma parte de seu cérebro estava sendo muito pressionada pelo coágulo. Eu tinha mais preocupação com a sua cabeça, com este coágulo, do que com a coluna. Sei que um trauma na coluna podia ser muito duro para ele que era tão ativo e animado, mas eu pensava que seria pior estar com sua mente tão elétrica e alegre debilitada. Hoje, depois de quase 5 anos de sua morte, eu penso que qualquer situação destas seria muito para ele e para a família.

    Na terça-feira, dia 22, ele estava tranquilo. As médicas tinham soltado ele da cama, estava sentado, tinham trocado o protetor da coluna por um colar de cervical, mais confortável que o anterior que prendia toda a cabeça. Ele estava sentado e ía tomar uma sopa, para começar a se alimentar para deixar, pouco a pouco o soro. Fiquei tão contente! Falei em seu ouvido: – Pai, te amo tanto, te perdoo! Agora temos a oportunidade de começar nossas vidas, esquecendo todo o passado. Quando você sair daqui vai ficar lá em casa, vou te levar para passear todos os dias no Bosque e sentar no canto que você gosta para ver o céu e o verde da mata. Você , vai ver seu neto crescer e estaremos juntos como sempre quis. – Ele não respondeu nada. Mas essa noite, quando estava dormindo às 4 horas da manhã, senti ele no meu quarto. Sentou na beira da minha cama, me acariciou, disse que partia, que lamentava, que me amava.

    No dia 23, à 10 horas quando me ligaram do hospital pedindo que fosse para lá, eu já sabia o que me esperava. Não sei dizer qual foi o pior momento; se os que estive com ele no hospital, o final, quando tive que providenciar papéis para que fosse cremado, ou depois, quando passei mais de 1 mês pra fechar toda sua vida, inclusive o seu apartamento.

    Esqueci o minimalismo, vivia cada lembrança com suas dores e alegrias, vivia cada coisa, uma a uma, por vez e assim segui, como anestesiada, acreditando que a cada sábado meu pai iria me ligar, como fazia algumas vezes, para saber como estava seu neto. Ele nunca mais ligou e eu fui às compras para esquecer a dor que estava dentro de mim. Fiz obras no apartamento, meu pai sempre gostou de fazer obras. Troquei de carro, meu pai sempre trocou de carro de 2 em 2 anos. Comprei roupas, para ficar mais bonita, meu pai sempre estava bonito, perfumado. O minimalismo não supria meu pai, nem as compras, mas eu tinha a falsa percepção de que aliviava a dor e o vazio que eu sentia.

    Seu inventário durou 5 anos, cada movimento deste inventário suponia, para mim, uma dor brutal. Briga por herança, briga por um dinheiro que não é nosso, não foi construído por nós, se agora temos direito a ganhar algo, que seja feito de forma suave, sutil, pois esse dinheiro representa uma pessoa que se foi e não tem como voltar.

    Pai, eu te amo, como sinto sua falta!

     

  • BEDA#6 – quando abandonei o minimalismo.

    amareloComo vimos no BEDA#5, o minimalismo surgiu na minha vida como uma tendência e um desejo de fazer parte de um grupo com o qual eu me identificasse. Na parte referente a empresa, ao meu trabalho, foi muito mais fácil do que se fazia a parte pessoal. Acho que o motivo é bem claro, no trabalho eu já fazia parte de um grupo. Mesmo que estando dia-a-dia sozinha, isso não era um problema, uma vez que eu tinha grandes corporações por trás me dando apoio e respaldo. E o lado pessoal?

    Quem me conhece sabe, pareço tranquila, mas a cabeça está sempre a mil. Sou meu maior, melhor e pior treinador. Exijo de mim o limite de cada dia. Nunca estava satisfeita com o que me apresentava e tinha crises de estresse muito fortes, cada vez mais fortes.

    Acredito que a busca pelo minimalismo, por algo novo, mínimo e simples.. era meu inconsciente gritando e pedindo ajuda, uma vez que eu não percebia que as crises de nervosismos, ansiedade, dores de cabeça, noites mal dormidas, dores na coluna e tantas outras coisas, estavam me chamando a atenção para algo que não ía bem no meu corpo relacionado ao modelo de vida que levava.

    Quando percebi que me faltava um motivo, a consciência de porque queria o minimalismo em minha vida, foi mais fácil responder a cada pergunta que me fazia. Algumas demoravam mais, como por exemplo o que mais quero na minha vida? Não me valia a resposta: “meu marido e meu filho”, porque sei que só isso não me faria feliz e completa. Gosto muito das minhas conquistas pessoais, elas são muito importantes para mim, e o minimalismo estava já nesse nível, conseguir compreender e viver o minimalismo era um objetivo a ser conquistado.

    Passaram-se meses de trabalho intimo, onde me questionava sobre o querer e o valor. Me questionava o que de verdade era necessário. Sempre tentava ver quando estava me sabotando e mentindo para mim mesma. Tem quem comece o processo e consiga desapegar com facilidade, eu não considero que foi difícil o desapego pra mim. Desapegar foi fácil, o mais complexo foi manter a mente no necessário e não me permitir ir de compras para simplesmente encobrir uma tristeza, ou comprar porque o outro tem algo parecido, por imagem ou status.

    Foi nesse momento que percebi que o minimalismo não pode ser só vivido externamente com seus bens, mas sim sentido e compreendido.

    • Sentindo-se livre e liberta para levar sua vida para onde queira, sem grandes troços materiais que te bloqueiem o fluxo de energia da vida.
    • Vivendo um dia de cada vez, de forma simples e ordenada. Não colocando na caixa de entrada mais do que você, com suas limitações seja capaz de suportar.
    • Aprendi a dizer não e, mais gratificante a saber receber o não.
    • Confesso que ainda tenho muito que aprender, mas algo aprendi… Melhor dizer, estou aprendendo a esperar. Nem tudo vem no meu tempo, eu não controlo o tempo desta forma, como para dizer o que tem que ser e quando eu quero.
    • Aprendi a falar menos, falar o necessário. Aprendi a ouvir mais e melhor, que chamamos de escuta ativa.

    No meio tempo de tantos aprendizados, meu pai morreu num trágico acidente de carro. Foi um momento duro, onde tive que rever toda uma história de vida muito complicada, foi quando validei informações que tinha a seu respeito e descobri que na realidade não conhecia ao meu pai. Foram 7 dias em que meu pai esteve na UTI, entre a vida e a morte e 1 mês e meio, tempo que tive para esvaziar seu apartamento e liberar para locação. Durante esse tempo, recebia ao menos 2 vezes por semana, a ligação da minha Diretora dizendo que não podia mais me esperar, tinha que trabalhar e vender. Na verdade não deixei de trabalhar e vender, mas a cabeça estava fora de foco e não alcançava os meus objetivos com tanta facilidade. Nesse período perdi totalmente o foco e, sem grande esforço, abandonei o minimalismo.

  • O Rappa – Lado B Lado A

    Seguindo com as músicas, enquanto reviso e publico os posts da semana.

    Outro dia publiquei no meu face que sempre começo meu dia acompanhada desta banda, O RAPPA, e em especial acompanhada por Lado B Lado A. Essa música me move, me estimula, faz vibrar cada célula do meu corpo e me dá forças para enfrentar as batalhas do dia-a-dia. Vou para o trabalho escutando esta música, e faça sol ou chuva, chego no trabalho com uma fome de vitória brutal, deve ser por isso que consigo me automotivar para seguir abrindo as portas.