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  • Dia de chuva

    dia de chuvaSim, sim eu sei. Já publiquei o BEDA de amanhã.

    Amanhã terei um dia corrido de trabalho e não sei se terei tempo para publicar, por isso, para que não fiquem sem conteúdo já estou me antecipando.

    Hoje, como chove por aqui e não aguento mais pegar chuva nessa Galícia fria e úmida, decidi ficar em casa, lendo blogs, um bom livro, desenvolvendo conteúdo para o meu blog e curtindo com a família. Por isso, antecipei a publicação de amanhã.

    ;oD

  • BEDA#16 – não julgue

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    Quem é você? Você é fruto do meio em que viveu e vive, além das escolhas que fez e faz. Assim é o outro, seu vizinho, seu chefe, seu amigo, seu colega ou a pessoa que te atende em qualquer comércio. Se não combina com você, deixe ir. Não julgue, não critique. Nem todos temos que ser iguais e concordar com tudo.

    Hoje percebo que as pessoas estão cada vez mais extremistas, como se houvesse apenas uma verdade, a sua própria. Porém te pergunto; O que é verdade, o que é mentira? Para mim, cada lado tem seu ponto de vista, variável conforme sua experiência de vida, o meio em que vive e seus objetivos e valores. Aprender a conviver com isso é uma dadiva para bem viver os tempos atuais, onde vemos discussões por motivos políticos, ideológicos, religiosos entre outros tantos. Uma divergência não deve ser ganhada no grito, na violência, mas sim na negociação, na argumentação. Muitas vezes uma divergência não é uma disputa, é apenas uma divergência, um ponto de vista diferente do seu.

    Considerando um caso em que nosso ponto de vista deva ser debatido até que sejamos vitoriosos, como na política, na justiça, numa defesa de tese ou numa venda (que é a minha rotina diária). Acredito que neste momento, devemos estar atentos a outra pessoa, com uma escuta ativa, com o coração aberto para saber os limites de cada um. Fazer perguntas coerentes que levem a pessoa para o nosso terreno, de modo que possa pensar sobre nosso ponto de vista é um dos caminhos, porém, nada deve ser forçado. Eu digo que uma venda forçada é uma venda perdida. é uma venda sem glamour, sem conquista pessoal.

    Eu acredito que temos que aprender a argumentar, a pensar. O modelo de ensino e educação que tive era restrito a argumentação, me fizeram acreditar que quem argumentava era revolucionário e desrespeitoso, o que era ruim. Passei parte da minha vida sem fazer perguntas, sem demonstrar meu ponto de vista, hoje ao contrário me exponho e busco conhecer e conquistar pessoas que me estimulem a isso, por isso trabalho com vendas. Em vendas, nos processos de negociação chamamos esse momento de perde-perde e ganha-ganha, onde os dois lados podem perder algo, para que os dois lados possam ganhar algo. Qualquer relação que seja baseada em perde-ganha, acredito que está destinada ao fracasso, talvez não perca no curto prazo, mas a medio e longo prazo a constância do perde-ganha se transforma numa perda exagerada para um, enquanto o outro tem um ganho desmedido. Equilíbrio é o que devemos buscar.

    Equilíbrio é a palavra chave e no equilíbrio não há julgamento e as críticas são suaves e positivas.

     

  • BEDA#15 – minha luta minimalista e organizacional

    uma gota no oceanoVivendo com 2 homens e um cachorro de 1 ano, tendo muito pouco tempo em casa, sendo muito organizada, ao contrário dos outros habitantes da casa, hoje não resisti e dei um ataque de louca-histérica. A quantidade de coisa que tinha por fazer na casa era imensa e os dois homens estavam de brincadeira pela casa com o cachorro ou com o computador. Resultado? Uma bronca bem dada para cada um dos três.

    A bronca não soluciona os problemas do apartamento, mas, me ajuda a colocar um pouco de ordem e fazer os dois olharem para o lado e não apenas para seus próprios umbigos. A questão é, saber dizer não, saber delegar, dar limites e não procrastinar. Assim conseguimos manter a ordem de uma casa que tenta ser minimalista.

    Sim, tento fazer da minha casa um lugar minimalista, mas ainda não consegui. Estava no caminho, porém quando decidimos fechar um negócio que tínhamos aqui na Espanha parte dos móveis, que não foram vendidos, vieram parar aqui no apartamento trazendo o caos para nosso lar. Agora para andar temos pouco espaço e uma quantidade de coisas que me assusta e dificulta a limpeza da casa. Todos estes itens estão a venda, mas vender usados não é tão simples e, enquanto isso, dependo de doses de paciência e ajuda de meus homens.

    Isso tudo me fez pensar; a vida é como esta foto, uma pequena mudança, uma ação, um pensamento, uma fala… tudo isso pode mudar, mover a direção da sua vida por um tempo ou por toda a vida. A vida é uma cadeia, toda interligada, por mais que não tenhamos atenção a isso ou aos pequenos detalhes de nosso dia-a-dia, as coisas que faço hoje podem impactar minha vida hoje ou no futuro, seja próximo ou não. Sendo mais clara e específica, um exemplo, a compra de uma lava-louça determinada para o negócio que tínhamos aqui na España, hoje é um trambolho no meu corredor. Por que? Diversos fatores, primeiro por ter gasto dinheiro num item que usei muito pouco, não precisava desta máquina, podia ter lavado tudo na mão, ou usado o lava copos que tínhamos. Segundo, o tamanho do equipamento não foi analisado e hoje não me serve, pois não cabe na minha cozinha, é grande demais. Enfim, um pequeno exemplo do que nossas atitudes podem fazer em nossas vidas. Quando desejo ser minimalista, penso nos benefícios que esse conceito pode trazer para mim e para minha família, compreender o sistema de consumo, a cadeia de produção, a necessidade real de ter e ser. Sei que tenho que cumprir demandas de um dia de trabalho, mas o primordial para mim é ter tempo para estar com minha família, muitas vezes não me sobram horas, mas o tempo que me sobra deve ser muito bem aproveitado e por isso a organização é muito importante, assim não gasto horas ou minutos com o que não me traz valor.

    E você, já descobriu seu propósito de vida? Já tem claro seus valores? Se for de seu interesse posso te ajudar nessa descoberta, me encanta ajudar as pessoas.

  • BEDA#14 – querer mas não poder

    amor-do-passado2sua imagem está gravada em meu peito. fecho os olhos e te vejo, abro os olhos e sinto sua presença. muitos anos já se passaram e você aparece em meus sonhos como um fantasma. que faz? que quer de mim? hoje a vida é outra, os caminhos se distanciaram, seguimos vidas, distantes, mas ligadas por um fio invisível que não sei se você percebe, mas eu sinto a tensão.

    num outro momento de sua vida, que você sofria mudanças, não sei porque mesmo a distancia, te senti e pressenti. e agora, novamente, você vem. te quero, te desejo por perto, te escuto e te sinto, mas não te tenho.

    quero, mas não posso te ter, tento entender, mas meu corpo não entende e estremece  com o simples pensar em ti. penso e sinto seu cheiro esquecido, sinto seu toque quente. sim, você está aqui e, eu ai com você, te vendo com ela e chorando sabendo que não me sente, não me nota, não me sente. mas eu sigo te querendo, mesmo que não possa te ter.

    by Roseana F. Saraiva

  • BEDA#13 – resumo da semana 1

    Quero, a partir de hoje, toda sexta-feira, fazer um apanhado do que vivi na semana e trazer para o blog um resumo da semana e fazer uma avaliação do que aprendi e do que tenho que tenho que aprender. Para mim, estas analises pessoais são importantes para o meu crescimento pessoal. Muito bem, então vamos a primeira semana?

    Esta semana trabalhei exaustivamente, foram jornadas longas de 12 a 14 horas/dia, que não foram efetivas porque não alcancei o resultado de vendas que tinha como meta pessoal. Algumas vendas não aconteceram porque os clientes não podiam fazer a contratação agora, outras porque não consegui despertar nos clientes a necessidade para o meu produto e, em outros, casos porque simplesmente não encaixava com a expectativa do cliente. Uma vez que já sei disso, para a próxima semana mantenho a meta quantitativa de vendas, porém, me desafio a fazer melhor e em menos tempo, para conseguir ter mais tempo em casa com minha família. O trabalho é importante, mas não é o único ponto da minha vida.

    Com a família, eu deixei muitos furos, tive pouco tempo em casa e  por isso dei pouca atenção para as pessoas que são mais importantes na minha vida. Na terça-feira, meu filho fez aniversário, não pude estar presente com ele por muito tempo e nem pude dar algumas pequenas coisas que ele queria, como resultado, com a consciência pesada, tive pesadelos. O bom é que o pouco tempo que estive com minha família foi brincando e rindo, fazendo nossos dias serem mais leves e ajudando eles a ver que o amor da família tem que vir em primeiro lugar, sempre. Este final de semana, que meu filho não tem partido, quero aproveitar para passar muitas horas com ele, caminhando, conhecendo lugares, jogando, brincando, contando piadas, ou seja, fazendo ele rir e ter a memória de um final de semana precioso, onde a presença foi o mais importante.

    Esta semana tive muito pouco tempo para ler, não li nem uma página de qualquer um dos tantos livros que tenho na estante, no Kindle e no tablete, uma pena. Mas já estou determinada a ler, ao menos 15 minutos por dia, a partir de hoje. Isso vai me ajudar muito, por amar livros e por ter um tempo de silêncio para me concentrar no que preciso. Falando em me concentrar no que preciso, quero todos os dias fazer 10 minutos de meditação, que será fundamental para me ajudar a controlar a ansiedade. Não vou me extender na lista das coisas que quero implementar no meu dia, sei que colocar muitas tarefas e mudanças de rotina não é indicado, por isso escolhi estas para começar.

    Esta semana consegui manter a esperança e trabalhei a paciência com o que não posso mudar. Mantive meus olhos abertos ao novo. Consegui escrever sobre o acidente do meu pai e nossa relação, o que sempre foi difícil pra mim. Todos os dias da semana eu sentei por alguns minutos e escrevi no blog, com o desafio do BEDA, o que foi fundamental para me ajudar a ter paciência, esperança e definir algumas prioridades. E, o mais importante, mais uma vez a vida me ensinou que o primordial em nossas vidas é o amor das pessoas que estão ao nosso lado, as pessoas que escolhi para fazerem parte da minha família, são as que devo proteger, valorar e me unir. Tenho que fazer as coisas por mim e por elas, não porque outros acham que é o melhor para nós. Aprendi a duras penas, que ao mudar de País, não se pode confiar nas pessoas, muitas te indicam situações que são uma grande furada, outras te prometem coisas que não cumprem. Depender de terceiros nunca foi uma boa opção, principalmente para quem está num lugar que ainda não tem total domínio da cultura e idioma. Errei em algumas questões, mas sou forte e capaz de virar a mesa. O principal tenho, minha determinação e a família (marido e filho) que me apoiam.

    Só sei que minha próxima semana será melhor e vou poder contar aqui quantas outras coisas aprendi e conquistei.

  • BEDA#12 – aprender a ver

    Ginkgo_Biloba_lalinVocê já reparou que muitas vezes o dia passa e nem vemos o que nos acontece? Por isso busco sempre estar atenta, observar muito, ver e ouvir com cuidado nas entrelinhas.

    Eu acredito em destino, acredito em sinais, em mensagens do Universo em pequenos gestos de pessoas desconhecidas. A vida corrida, muitas vezes, me levou para longe do que acredito, e também acredito que me ligar ao minimalismo seja uma forma de retornar às minhas crenças, enfim ser quem sou. Saber quem sou, me auto-avaliar, saber que crenças tenho, as que me limitam e as que não, o que quero mudar e o que me satisfaz como está, me ajuda a separar os momentos de trabalho dos que sou a Roseana-Roseana. Mas, também entendo que o Universo não separa os horário para nos enviar mensagens e, esta semana, enquanto “picava portas”, entrei num Centro de Terapias Alternativas, uma Herboristeria em Lalín e fui surpreendida pelo Universos em seus momentos. Eu imaginava que ali poderia vender um alarma, fazer um prescritor para um tele-assistência ou receber um não para qualquer um dos produtos e serviços que ia oferecer, mas não imaginava encontrar minutos de paz, conversa agradável sobre experiências e visão de vida, nem que pudessem me dar uma palavra de consolo para uma situação que me machuca muito, minha mãe.

    A loja é simples e aconchegante, tem luz e música suave, um perfume delicado que me convidava a ficar. Me senti atraída, assim que entrei, pela imagem de um Buda de madeira, alegre e amigo; um jardim de areia, que me trouxe o desejo de ser criança e ficar ali, revirando a areia com os dedos ou com o objeto de madeira, mas não fiz, me controlei. (Já reparou como nos controlamos tanto? Existem momentos e coisas que precisamos de verdade controlar, mas já outras situações precisamos nos libertar e viver.) Ali não me dei o direito de viver a areia, mas a vida me deu o direito de encontrar uma pessoa que sem me conhecer, me contou um pequeno trecho de sua relação com sua mãe, de crítica, perdão e aceitação por sua parte, pois ela tem mais conhecimento universal, ou só porque aprendeu a ver a vida de uma forma mais sensível, simples, mínima.

    Sim, voltamos para o minimalismo. Minimalismo nos sentimentos, nos pensamentos. Deixar de sofrer, viver o hoje, o aqui, o agora. Fazer o que se pode fazer, da melhor forma, sem peso, sem dor; deixar partir, ir. Não prender o que não deve ser preso, amar sabendo que o outro tem limites e mais, que o outro vê de forma distinta. Não criticar, somente amar.

    Maria, obrigada por suas palavras, obrigada pelos minutos que estivemos juntas, por dividir comigo um pouco da sua história e modo de pensar e viver. Sua mensagem calou dentro de mim, porque há momentos que não temos o que dizer, simplesmente ouvir, ver e calar.

    O silêncio de uma boa mensagem deve ser absorvido por nossas células para fazer a diferença em nossas vidas e na de outras pessoas. Gratidão!

     

  • BEDA#11 – lista minimalista de um fim de dia

    nunca-saberemos-o-quao-fortes-somos-boa-noiteDepois de um dia super cansativo de trabalho, 14 horas na rua, visitando negócios porta a porta, sem comer, sem parar de falar e com mais de cento e tantos km de estrada, chegar em casa e encontrar um lar doce lar, organizado, limpo e com uma comida cheirosa e light, é o sonho de consumo de qualquer comercial. Mas não é o caso da que vos escreve. Aqui em casa tenho dois homens bagunceiros e um cachorro de 1 ano, preciso dizer algo mais? Sim, a janta foi um mixto-quente-frio feito pelo maridinho.

    Hoje o minimalismo me faz pensar só no que é prioridade e organizar a bagunça dos 3 homens da casa passa longe. Ainda tenho trabalho para fazer, um blog para com textos pendentes de publicar e um corpo cansado. Depois da janta minimalista, um chá, uma hora de computador, uma ducha e cama. Essa é a lista minima para minha noite.

    Boa noite a todos, sonhem com anjos e com dias mais amenos, assim como eu vou sonhar.

  • BEDA#10 – homenagem ao amor

    IMG_7273Filho não é o que nasce de você, filho é o que vive em seu coração.

    Amor vem com o olhar, não com o sangue.

    Olhe nos olhos de quem está ao seu lado e ame, como uma pessoa que merece respeito, aceite as diferenças, no final somos todos iguais, do pó viemos e ao pó voltaremos.

    Abra seu coração para o novo, permita-se nascer a cada dia, junto com o novo dia novas oportunidades virão e você terá a chance de fazer e ser melhor que no dia anterior.

    Hoje eu comemoro os 12 anos da pessoa que conheço há 7 anos, e que mudou minha forma de olhar o mundo. Tem dias que com mais paciência, outros com mais agito, outros ainda com menos e mais amor, mas sempre, com a certeza que nascemos para dividir uma vida, ele me ensinando o que há de novo e eu, ensinando a ele o que há de velho. Ele me ensinou que devo sempre sorrir e esquecer a dor, e eu lhe ensino que ele nunca deve deixar de sorrir mesmo quando os hormônios do corpo começam a querer romper modelos de uma infância divertida. Eu brigo e peço que seja organizado, ele se zanga e diz que não pode, que é menino, moleque, maluquinho e que esse seu jeitinho é que conquista as meninas. “- Que meninas? Você só tem 12 anos!” – eu respondo. Ele ri, e diz que são os tempos modernos.

    Não sei sei os tempos estão modernos, se estou velha ou cansada. Sei que te amo e a cada dia mais quero você pra sempre ao meu lado. Nem que o pra sempre seja um piscar de olhos e uma fotografia nossa, no computador velho, jogado na gaveta e que será encontrado por seus filhos, que talvez nem conheçam a avó. Mas eu estarei no céu, como uma estrela ou borboleta, seguindo os passos do meu amor que hoje, completa 12 anos e vai brilhar muito por esta vida.

    Te amo, simples e profundamente. Te amo, sua eterna mãe.

  • BEDA#9 – minimalismo no susto

    Como contei no post anterior, retornei ao minimalismo no susto, quando meu marido disse que teríamos pouco tempo para fechar toda nossas vidas no Brasil e mudar para a Espanha. Eu tinha alternativa de não aceitar a mudança, mas ele estava decidido e eu, no fundo gostava da idéia de conhecer um pouco do mundo e fazer uma vida num País novo, dando mais oportunidades para meu filho. Tinha medo, claro que tinha, mas quanto mais medo tenho, mais entro de cabeça, sou assim e não consegui mudar isso até hoje. Tem seu lado positivo, mas também tem o ponto negativo que algumas vezes acabo sofrendo. Não digo que vir para a Espanha é um erro, mas sim um sofrimento. Por mais que te digam que uma mudança de Cidade ou País é difícil, você só sabe o quão difícil é quando está dentro do furacão, mas esse é um assunto para outro momento, agora vamos a transformação de todas uma casa em 7 malas.

    Comecei o processo anunciando a venda de todos os móveis do apartamento. O que não consegui vender, dei para pessoas que necessitavam ou para algumas pessoas queridas. Livros, Cd’s e Dvd’s foram todos vendidos para um sebo que tem no Centro do Rio de Janeiro, que sempre gostei muito, eles trabalham com todo tipo de livro e são super atenciosos. Nos Cd’s e Dvd’s, praticamente não ganhei nenhum dinheiro, essa mercadoria não tem mais valor, só ocupa espaço, acumula pó e evita a circulação da boa energia em uma casa. Isso da boa energia, aprendi com o Feng Shui e com o Reiki, papo para outro post.

    Tenho que confessar uma coisa, não vendi todos os livros, uns tantos que me interessavam arrumei nas 7 malas e mandei pra Espanha. Quando desembarcamos no aeroporto aqui, a polícia me fez abrir mala por mala e explicar porque tanto livro, foi cômico.

    Para conseguir espaço para os livros tive que eleger prioridades, disso trata o minimalismo, explicando de um modo mais simples, é definir o que é mais importante para você e, para fazer uma escolha mais acertada, é muito importante saber quem é você, se autoconhecer. Nesse momento decidi, minhas roupas, bolsas e sapatos não me fariam falta, salvei um par de sapatos e roupas que tinham significado para mim e o resto foi todo para um abrigo, onde teriam um bom destino. Para quem me conhece um pouquinho, sabe que bolsas e sapatos eram minha paixão, mas de alguma forma já previa que minha vida aqui seria muito diferente e não teria lugar para usar aquelas peças, nem clima… Na hora doeu me afastar delas, mas foi uma dor passageira, sem arrependimentos.

    Seguindo com as malas, minha preocupação maior era de ter a mão coisas que realmente fossemos a precisar, prioridade e necessidade eram as palavras que me norteavam no destralhe. Ao baixar toda a casa para esvaziar todo e qualquer cantinho, descobri que todos os destralhes tinham sido superficiais. Nessa hora se vê quanto dinheiro gastamos que fica parado em gavetas, sem uso. Aqui temos outro ponto muito importante do minimalismo; consumo consciente. Saber o que se compra, como aquilo foi produzido, por quem, como foi transportado, ter atenção a toda a cadeia de produção e descarte, quanto tempo vou usar e a real necessidade. Ao perceber todo o acumulo que tinha em casa, vi que não fazia minhas compras com consciência e, confesso que tive vergonha de mim mesma, pois poderia ter aproveitado aquele dinheiro gasto com coisas que fossem mais importantes para mim.

    Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, diz numa entrevista que dinheiro é mais que um papel ou um metal, é vida, é tempo seu de vida gasto com trabalho e, a vida mal gastada é uma forma miserável de viver. Foi assim que o minimalismo foi calando dentro de mim. Tal como o açúcar, que vicia, o comprar também, porém, ao compreender o que significa o dinheiro, o que significa o tempo de vida de cada pessoa que fez parte do processo de produção do que quero comprar, passei a pensar antes de sacar o cartão de crédito. Ainda cometo falhos, mas menos do que há 2 ou 3 anos atrás. E, naquele momento que estava fechando minhas malas, tinha isso muito claro a minha frente. Quanto tempo de vida trabalhando eu tinha gasto para ter aquelas coisas que agora não fariam mais parte de minha vida. E lembrei do meu pai, que gostava de colecionar e acumular coisas, quanto tempo de vida ele passou trabalhando e comprando, se preocupando em onde e como guardar, em limpar, em proteger, em ter um apartamento maior com espaço para suas coisas e no final cada objeto que tinha em casa se foi para um lugar diferente e ele voltou ao pó, que foi misturado com as águas do mar, que ele tanto amava. No final o que levamos é nada, pois então, que sobre boas lembranças na memória dos que ficam.

     

  • BEDA#8 – quando voltei para o minimalismo.

    Passada toda a turbulência do acidente fatal do meu Pai, segui vida e esqueci meus planos de fazer uma vida com conceitos minimalistas. Comecei comprando coisas para fazer a obra do apartamento, a idéia é que a obra fosse pequenina, mas acabou sendo completa por todo apartamento. Depois, decidi trocar de carro, Depois resolvi comprar umas roupas… e assim foi até que um dia, meu marido chegou em casa com uma decisão tomada. Vamos nos mudar do Brasil, você tem duas escolhas, ou vai, ou vai.

    Opa??? Como assim???

    cara-de-susto

    Sim, ele fez exatamente isso, decidiu mudar do Brasil para a Espanha e não me deixou opção de escolha, nem de negociação. Os motivos dele escolher a mudança são inúmeros, mas um deles, é a situação crítica que já se notava no Brasil e no Rio de Janeiro.

    Uma mudança desta magnitude significa ajustes na vida de forma brutal. Primeiro lugar tivemos que falar com o Consulado, fazer uma série de documentos o que me deu um prazo de 6 a 8 meses para termos tudo. Enquanto isso, definimos se íamos alugar ou vender o apartamento. Como uma vez fora do Brasil, não me via voltando, queríamos vender, para facilitar o fechamento da vida por lá. Mas não foi possível, a crise já estava na porta e não conseguimos comprador. Para alugar, já foi o contrário, a primeira pessoa que viu nosso apartamento se apaixonou e decidiu ficar com ele, porém, ela precisava do apartamento no inicio do mês seguinte, ou seja, teríamos 20 dias para liberar o apartamento para ela morar.

    Nesse momento a primeira palavra que me veio a cabeça foi: MI-NI-MA-LIS-MO!!! Por que não tinha reduzido minhas coisas ainda? Porque deixei isso parado? Agora seria tão mais fácil e rápido. Poucos dias depois de começar a anunciar tudo para venda, Selma, nossa amiga da agência de viagem me liga para lembrar que temos limites de malas, por pessoa são 2;  sendo 1 grande e 1 pequena de bordo. OU seja, teríamos 6 malas. Mas como não teria graça um Blog  chamado “umavidaem6malas”, e como não me coube tudo em 6 malas, tive que colocar o que sobrava, bem apertadinho em mais uma mala pequena. Assim nasceu umavidaem7malas.com e, assim voltei a ser minimalista. Foi tudo no susto.

    Num dos próximos blogs vou contar um pouco do ser minimalista na Espanha, quando se está começando uma vida nova. Se tiverem dúvidas ou quiserem contar alguma experiência pessoal, mão deixem de me enviar comentários.

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