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eu
Mulher, esposa, mãe, ansiosa, cheia de dúvidas, mas determinada a viver uma vida com ética e fazendo a cada dia, algo melhor do que fiz no dia anterior. Gosto de conhecer novos lugares e aprender com novas formas de pensar a vida. Foi assim que conheci o minimalismo e me identifiquei com ele. Hoje, vivendo na Espanha, construo uma nova vida, mais simples e completa que nunca. Para mim, não há limites para a idade, hoje, quando escrevo estas linhas tenho 44 anos, a beira de fazer 45, mas quando você ler, posso já ter 50, 60, 80, 100… Eu gostaria de viver até os 102 anos, não sei se poderei, mas desde que mudei de País e, junto meu estilo de vida, trabalho para que meu corpo e cabeça me permitam chegar a esta idade.
Espero que você goste deste meu espaço de escrita. Aqui conto os lugares que vou conhecendo, as dúvidas que tenho, as coisas que aprendo, os livros que leio e assim vou vivendo, me reinventando sempre.
Beijos, bicos y besos.
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onde eu moro
Eu já te mostrei onde eu moro? Você sabe em que Cidade da Espanha eu estou?
Então vamos lá, eu moro em Santiago de Compostela. Uma Cidade mágica, turística e com muita história. Estou na Galícia, uma das Comunidades Autônomas da Espanha, que fica a Noroeste do território Espanhol, uma região muito verde e úmida. Geograficamente é banhada pelo Oceano Atlântico a oeste, pelo Mar Cantábrico a norte, por Portugal ao sul e a leste com Asturias e Castilla Y Léon, outras duas comunidades autônomas da Espanha.
Santiago de Compostela é a capital da Galícia, e sua fundação vem do século IX, entre os anos de 820 e 835, quando descobriram os restos mortais do Apóstolo Santiago e constroem a primeira Capela. Em 1077, depois que um Eremita descobre o local preciso donde estavam os restos mortais, e avisa ao Bispo, iniciam-se ali, naquele espaço a construção da Catedral a este querido Apóstolo. Esta Catedral, que temos hoje aqui na Praça do Obradoiro, é a terceira construção e a mais suntuosa. Deste período nasce o caminho de peregrinação, com o Rei Alfonso II fazendo a peregrinação com fins políticos, para unir a seu reino. Como Roma estava em declínio de importância e Jerusalém, inacessível por estar tomada pelos mulçumanos, assim que Santiago de Compostela passa a ser o caminho de peregrinação inaugurado e difundido por seu Rei.
Em 1985 a Cidade foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Atualmente tem uma população de 95mil pessoas, sendo que 1/3 desses são jovens que estudam na Universidade de Santiago de Compostela que tem 500 anos e é uma das grandes Universidades da Espanha. A Cidade tem, em seu casco histórico, uma arquitetura medieval e barroca reconhecida mundialmente. Pouco a pouco vou mostrando para vocês fotos e contando um pouco da história dessas construções. Posso garantir que é tudo muito encantador.
Devido aos altos preços de moradia aqui em Santiago de Compostela, inclusive comparados a Madrid e Barcelona, muitas famílias deixaram a Cidade e se mudaram para Municípios, onde podiam comprar ou alugar casas e apartamentos de maior tamanho por um preço significativamente menor que o da Cidade. O Centro Novo é considerado um dos melhores bairros, é onde encontramos farto comércio, bancos e bons prédios, mas os valores são realmente caros. Um aluguel nesta região pode custar de 600 a 1000 Euros, variando pelo tamanho e qualidade da obra e dos móveis dispostos no apartamento. Um outro ponto que faz a diferença é se tem ou não garagem. Outro bairro com ofertas é o Casco Histórico, esse ponto é o preferido dos estudantes e turistas. Essa região tem comércio, mas em sua maioria são bares, cafés e restaurantes, ou lojas de souvenirs para os turistas. Um aluguel ali varia em torno de 400 a 700 Euros, com as mesmas variantes do Centro Novo, com excessão para a vaga de garagem, uma vez que nessa região não é permitido o fluxo de carros.
Eu moro em Sar, um bairro que já foi considerado “afuera” de Santiago, mas que com seu crescimento se juntou a Cidade. Como este bairro tinham muitos casarões, alguns proprietários fizeram obras e transformaram os casarões em edifícios com apartamentos. É o caso do que eu moro, dizem que aqui foi uma casa, antes de ser um prédio com 6 apartamentos. Olhem na foto ao lado, é com a vista desta janela que crio as inspirações dos textos para escrever para vocês. Sar é um bairro extremante úmido, pois temos o rio Sar, que passa por aqui. Uma outra característica deste bairro é que, mesmo estando junto a cidade, estou a 15 minutos andando do Centro Novo e 20 minutos do Casco Histórico, muitos prédios e casas preservam a seu lado um espaço de terreno que chamam de “fincas”, onde seus proprietários plantam pequenas vinhas, legumes e verduras. Aqui atrás do meu apartamento, o dono da finca tem inclusive um galinheiro e todos os dias acordamos com o galo cantando.Abaixo mostro algumas fotos daqui da região. A começar pela vista que tenho aqui da janela da frente, do meu escritório. Estas fotos foram feitas num dia de inverno, ou seja, dia cinza e chuvoso.


Da terraza, cozinha e sala eu tenho esta outra vista, que eu acho preciosa. Toda essa área de vegetação, na parte inferior da primeira foto é a finca de uma senhorinha. Acho que é daqui que vem o galo cantador. Ela já está preparando a vinha, e logo teremos uma visão bem graciosa destas janelas de fundo. A outra imagem é uma ampliação, ali mostra o Centro Novo, junto a ferrovia.


E, aqui o Rio Sar, que fica na parte mais baixa da minha rua. Dizem que antigamente, nas épocas de chuva ele enchia muito e as casas ficavam inundadas, até aqui, na parte mais alta da rua dizem que as paredes minavam água de tanta umidade. Estas fotos foram tiradas em outro dia, sem chuva mas com muito frio!!!!




Bom, por hoje é isso.
Amanhã tem mais!
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Bicos y besos a todos!
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#dia1: determinação – como é fazer a faxina na Espanha.
Comecei meu dia determinada a seguir meus planos de aceitação, tranquilidade, presença e foco. Não consegui levantar tão cedo como queria, porque fiquei lendo até tarde, os livros me enlaçam de tal forma que largar para dormir se torna uma briga.

Mas, mesmo não tendo acordado antes dos meus meninos, consegui me organizar bem e logo que saíram comecei a trabalhar no que me propus. Sempre reclamei que nenhum dos dois ajudam na limpeza e manutenção da casa e, descaradamente me respondem que isso não é coisa de menino. Que papo mais machista !!! Se bem que vindo deles me soa mais preguiçoso que machista. Enfim, eu gosto de casa organizada e decidi que faria a faxina geral do apartamento e passaria a pilha de roupa que me esperava há um mês. Humm, a pilha de roupa eu peguei pesado com esta promessa, era uma pilha considerável, algo tamanho 10As. Será que existe esse tamanho de pilha? É, mas o volume de roupa que eu tinha aqui era bem considerável, precisaria de energia especial para encarar.
Uma vez que dei motivos pessoais ao trabalho, logo o foco apareceu e segui em frente. Alguns apartamentos aqui na Espanha são diferentes e entramos pelos quartos e não pela sala. Meu apartamento é bem assim, quando abro a porta de casa dou direto no corredor dos quartos, tenho que passar por todos eles para depois entrar na cozinha e só então chegar na sala, que é menor que os quartos. Estranho, mas com o tempo nos adaptamos. Há quem tenha feito o primeiro quarto de sala, eu acho estranho porque ai teria um quarto dentro da cozinha, mas gosto é gosto e não se discute. Veja a planta do apartamento.
Aqui, temos que ter atenção a humidade, e o momento da faxina é perfeito para passar um pente fino pela casa. Fazem quatro meses que estamos morando aqui e as paredes que foram lixadas, emassadas, lixadas, seladas e pintadas com tinta “antimoho” já estão ficando pretas. Quando não se tem dinheiro para fazer uma obra maior o caminho é ter um olhar mais atento para a casa, afinal a humidade vem acompanhanda de mais frio e de doenças alérgicas. Para resolver isso me ensinaram duas receitas caseiras. A primeira é “aislar” a casa todos os dias por pelo menos 10 minutos. Como aqui chove muito e faz frio é comum que as janelas fiquem fechadas por dias e dias, mas isso é fatal para a humidade, logo a parede fica preta. Então temos que abrir as janelas da casa toda e deixar o ar circular, por no mínimo 15 minutos e, preferencialmente, no momento de mais calor, sol ou menos frio. Quando chove muito, só abrir a janela não é suficiente e é preciso passar um pano molhado em “lehia”. A“lehia” é a água sanitária do Brasil, só que multiplicada por 10 em nível de concentração e vem misturada com detergente, é de uma eficácia impressionante! Porém tem que ter muito cuidado!E comecei, vistoria e “lehia” nas paredes, troca de roupa de cama, aspirar colchão, travesseiros, tapetes e chão. Passar a “fregona” é outra característica da faxina aqui. Meu apartamento tem um piso muito antigo, que parece de quintal e poderia facilmente jogar água e lavar como fazemos no Brasil, mas aqui isso é impossível. A casa não tem ralo em nenhum ponto, nem no banho, nem na cozinha e menos ainda na terraza. A forma de lavar é com produtos misturados na água, eu gosto de usar água quente, e esfregar com a “fregona”. Um dia ainda vou arrumar um nome para a dupla, aspirador de pó e fregona, que são meus companheiros fieis da limpeza da casa.
Com uma casa minimalista, até que não é tão difícil, às 14 horas eu já tinha a casa toda muito bem limpa e cheirosa, com excessão da cozinha. Esse é mais um detalhe diferente do Brasil, aqui o almoço acontece entre 14:30 e 15:30h. Não sei se já contei para vocês, mas o colégio do Luiz Felipe é de 9 às 14horas, então o almoço eu só sirvo quando ele chega em casa, às 14:20h. Como estamos com uma alimentação minimalista, quando Enrique chegou em casa com o Luiz Felipe eu já tinha a casa arrumada, comida feita, uma máquina de roupa estendida e outra batendo. Enrique entra em casa que nem percebe a diferença, já o Luiz Felipe percebeu tudo, organização do quarto dele, cheirinho da casa e um de seu pratos prediletos para o almoço, peixe assado no sal grosso. Comemos e parti pra roupa que tinha que passar.
Seguindo a minha determinação de aceitação e busca por meu espaço, fui firme com o Enrique e ele não teve como escapar. A limpeza da cozinha ficou por conta dele. Nada complicado, eu já tinha deixado a pia e a louça do preparo limpas, guardadas e arrumadas. Era só lavar a louça da mesa e seguir com a “fregona”. Em contrapartida eu fiquei com a roupa, e vocês não vão acreditar. Levei quase o mesmo tempo da faxina passando roupa. Saí morta! Morta mas feliz, fiz por mim, porque me agrada muito estar na casa arrumada e cheirosa. Até para dormir eu me sinto melhor. Me sinto vitoriosa!

Por hoje foi isso, agora à leitura até que seja a hora de dormir. Estou lendo um livro delicioso, que me foi indicado pela minha querida Roseana Murray. Assim que terminar farei uma resenha, isso será esta semana, com certeza.
E você, quer me indicar um livro? Contar como faz a faxina na sua casa? Perguntar alguma coisa da vida na Espanha? É só falar, estou por aqui! Não deixe de se inscrever para receber as notificações de novos posts, não deixe de me visitar nos meus outros canais/rede sociais (instagran, facebook e youtube).
Beijos, bicos y besos!
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Aceitação
Estou aqui, vendo um programa de entrevistas na TV Cuatro. Poucas vezes vejo televisão, temos só uma tv, que normalmente fica com o Enrique e o Luiz Felipe, para que possam ver séries policiais, programação de meninos… como são dois, e eu uma só, sempre perco. Hoje foi diferente, resolvi brigar por meu espaço e consegui que o final do dia a tv fosse minha. Uhuuuu!!! Pude ver na Netflix o filme “Nise – o coração da loucura”, feito pela TvZero e dirigido pelo querido Roberto Berliner. O Roberto é o super craque que fez o programa “Histórias de Adoção”, num dos episódios ele conta a chegada do Luiz Felipe às nossas vidas, e mostra de forma singela a nossa história de amor. Sou fã deste cara, do seu trabalho e da sua empresa e equipe, não podía deixar de ver o filme que relata as dificuldades e conquistas do trabalho da Dra Nise da Silveira. Muito bom, eu super indico!!!
Em seguida ao filme, fui assistir um programa de entrevistas na TV Cuatro. O programa me faz pensar e, me proponho a escrever para ordenar os pensamentos. Como peguei o programa já começado não sei como chegaram ao assunto, nem quem são as pessoas, entrevistador e entrevistado, é a primeira vez que vejo este programa. Mas a pregunta que me cutuca o intimo é, você é feliz?
O ator responde que está feliz, para ele a felicidade é algo que se busca mas não se tem sempre, porque desejamos o que não temos ou, algumas vezes, queremos que as coisas aconteçam de forma diferente. Por isso estar e não ser, concordo com ele. O ator – que acabo descobrindo seu nome -Miguel Angél Muñoz, continua dizendo que parte da felicidade passa pela aceitação. Espantado o entrevistador pergunta que aceitação é esta, a dos outros? Não, diz Miguel, esta não me vale, é o oposto da felicidade, não tenho que fazer pela aceitação dos outros mas sim aceitar o que me passa na vida, enfrentar.
Puff, sinto uma bofetada na cara.
Toda a minha vida me coloquei em posição de quem precisa de aceitação. Precisava da aceitação do meu pai, para mim, ele só me amaría se me aceitasse. E para que ele me aceitasse eu precisaría fazer o que ele quería, como e quando. Precisava bajular e me anular. Por fim, ele morreu, sem dizer que me aceitava ou amava. E eu continuei… Com minha mãe eu precisava fazer o que ela pedia, como uma exigencia em satisfacer sua vida, para que eu não me sentisse culpada por sua separação com meu pai e por sua infelicidade. Segui minha vida querendo a aceitação de amigos, namorados e de toda pessoa que se acercasse de mim. Muitas vezes fiz e aceitei coisas que não me agradavam, pelo simples fato que eu precisava ser aceita pelas pessoas com quem convivia. Isso se tornou parte do meu viver, e não percebia o quanto me anulava.
Em algum momento da minha vida, despertei e comecei a viver mais livre destes conceitos de aceitação. Se as pessoas gostassem de mim, estaba bem, se não gostassem estava bem também, em alguns momentos escorreguei e caia no loop de ações em busca da aceitação, mas não era mais a minha rotina, o meu modo de viver. Pessoas que não me interessavam ou que me instigavam esse sentimento de necessidade de aceitação eu simplesmente as colocava de lado em minha vida e não as permitia entrar em meu círculo de confiança.
Porém, agora, vendo o programa, percebo que no meio familiar eu não consegui me livrar desta busca implacável pela aceitação. Eu vivi sempre muito só, apenas eu e minha mãe, que sempre estava trabalhando para pagar as contas. Não tinha irmãos, primos/as, tias, avós e avôs para me dar exemplos do viver em familia. Quando conheci a familia do Enrique e fomos aprofundando nossa relação e passei a fazer parte daquele núcleo familiar, ufa, que sofrimento. Aceitava e fazia muito para que me aceitassem, mas, não sou filha e nunca serei, sou a nora, a cunhada e a mulher do primo. Não é com eles que vou recuperar qualquer sentimentalismo perdido com meu pai ou com minha mãe. Estes sentimentos podem existir, mas para serem vistos e resolvidos internamente, comigo mesma, com a libertação da culpa e a minha aceitação.

Muito bem, agora que sei, que não tenho que ter a aceitação dos outros para ser feliz, como vou agir a partir de hoje? Ah, sim, claro, fazer o que bem me der na telha. Perfeito! Fácil falar! Acontece que depois de 40 anos fazendo para os outros e nada para mim, vejo que nem sempre sei o que quero pra mim.
Então, seguindo o pensamento budista, da simplicidade e do não se preocupar com o que não se faz necessário, bingo! Achei o que preciso!!! É isso, descubrir o que quero para a minha vida!
….
Olho ao redor e vejo que não sei, são tantas as opções.
Começo jogando “bem-me-quer-mal-me-quer”, só que para mim é “sim-eu-quero-não-não-quero”. Hum, mas isso não funciona. Eu preciso aprender a descubrir o que eu quero de verdade.
Volto minha mente para o pensamento budista e me lembro do minimalismo, que tenho pesquisado bastante desde que comecei o processo de mudança de País. A principio buscava formas de redução de meus objetos pessoais, não podía trazer todo o meu apartamento para a Espanha, tinha que reduzir tudo em 7 malas. Cumprida a tarefa de redução dos bens físicos/materiais, continuei lendo e ouvindo vlogs que tratam deste assunto e fui me aprofundando no assunto. O minimalismo tem uma razão de ser muito mais profunda que a decoração e a redução do consumo, isso é só um galho desta grande árvore conceitual. Neste texto não quero me aprofundar neste assunto, vamos falar pouco a pouco sobre isso, o fato que importa agora é o minimalismo de pensamento, de ação, de vida. Muito bem, descobri um ponto na minha forma de viver que quero mudar, agora de forma simples e prática busco uma solução para isso. Pode ser que não a encontre no primeiro passo ou dia, mas sem pressão, sem cobrança, sem muitas volteretas vou viver o dia-a-dia atenta a minha respiração, o que me manterá sempre conectada ao meu presente, ao agora e, assim que perceber qualquer desconforto no meu corpo me perguntarei:
- O que me incomoda? O que estou fazendo, sentindo, recebendo que não me agrada e gera a sensação de desconforto no meu corpo físico ou emocional?
Posso aproveitar que sou uma pessoa com o perfil sensitivo bem ativo e fazer perguntas direcionadas a minha percepção cinestésica. Posso seguir perguntando:
- Uma vez descoberto o que me incomoda, eu realmente quero isso pra mim? É imprescindível que aceite isso? O que se pasará se eu recusar?
Existem situações que não poderei recusar, mesmo não querendo vivelas, pois serão inerentes a fatos que não tenho o poder de mudar, ou a pessoas que quero ao meu lado. Por exemplo, há momentos que verei um filme policial para agradar aos meus meninos e para estar com eles, embora eu não goste muito deste genero. Ou ainda, terei que fazer uma dieta e deixar de comer coisas que me agradam muito, pois tenho o colesterol e o peso corpóreo elevado o que me prejudicam a saúde. O segredo destas aceitações é saber que faço a dieta por um bem maior, minha saúde e consequentemente minha vida, afinal quero viver muito, até os 104 anos. O mesmo modo de pensar pode servir ou não para o filme policial, um dia posso ver por querer estar com os meninos, mas outro dia posso preferir fazer algo para/por mim.

Viver a vida em familia, ou com amigos, não é viver a vida do outro, como muitas vezes fiz, mas sim, viver a minha vida, mostrando quem eu sou, o que gosto, como gosto, mas aceitando partilhar momentos com os outros e suas preferencias. Respeitando os momentos, espaços e escolhas. Penso como é isso no dia-a-dia… Hum, não é tão simples como escrever estas linhas, afinal ficamos enrolados na agitação dos días, nos afazeres de casa, no trabalho, na família e nos amigos. Acredito que tudo começa com organização, respiração, presença e a simplicidade do pensar budista e minimalista.

Me ponho uma meta, um reto, para esta semana. Por uma semana vou acordar um pouco mais cedo para ter tempo de meditar, respirar e começar o dia com calma e foco, fazendo uma coisa por vez, tranquilamente e acreditando em mim e no fluxo positivo da vida. Por uma semana, tempo curto e plausível para implementar algumas mudanças. Acompanhem!
Beijos, bicos y besos.

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Voltei
Estive alguns dias ausentes, muitas dores na coluna, gripe e crises de estomago por tantos remédios. O médico acha que a dor foi por virose, eu acho que foi por remédios, parei de tomar alguns e as dores se foram.
O importante? Voltei, esta semana teremos vários posts super legais.
Para aguçar a curiosidade:
- vou mostrar como foi o Ano Novo por aqui.
- vou contar e mostrar umas fotos de uma comemoração tradicional aqui na Espanha, o dia dos Reis Magos.
- ah, e como não podia, vocês vão conhecer um pouco do carnaval aqui de Santiago de Compostela.
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Bicos y besos a todos!
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3º Livro lido em espanhol

Autora: María Dueñas
Editora: Booket
Comprei este livro no supermercado, é uma edição barata e muito simples, com capa blanda e miolo em folhas de um papel tipo jornal, bem fininho. O que me atraiu para este livro foi a autora, que é a mesma que escreveu o lindo “Tempo entre costuras”.
O livro é longo, tem 511 páginas. Se não fosse uma edição tão simples como esta, teria sido difícil ficar com ele pra cima e pra baixo. Não desgrudei. De inicio me comovi com a história de Blanca Perea, queria me encontrar com ela e conversar, ser o ombro amigo que ela precisava. Mas, como ela, ganhei forças, me segurei na cadeira e segui viagem com ela, da Espanha para os Estados Unidos.
O livro mostra uma bela pesquisa histórica, feita pela autora, para lançar mão a dados de missões espanholas feitas pela Ordem dos Franciscanos que resultaram na fundação do Estado da California. Estas missões unem Blanca Perea a Daniel Carter, também os separam, mas da mesma forma os une novamente.
Um livro encantador, de mulheres maduras que sofrem mazelas em seus casamentos, mas se recompõem e mostram que há mais por viver.
Ao fim do livro, fiquei com desejo de conhecer uma Rebecca Cullen, não era a personagem central, mas tem uma história construída que me comove a forma como num almoço de Ação de Graças ela sobrepassa a todo o sofrimento passado e acolhe o ex-marido para que ele tenha oportunidade de estar com seus filhos e netos. Acho que poucas pessoas seriam capazes de fazer o que ela fez. É neste almoço que Daniel Carter começa a me conquistar, com seu discurso para a família Cullen.
Para mim, este livro é PRECIOSO!
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2º Livro lido em espanhol

Autora: Carmen Posadas
Editora: Espasa Libros
Tenho interesse por histórias reais, e esta me seduziu por contar a história de uma Duquesa da Corte Espanhola que adotou uma menina negra. Isso não seria nada de outro mundo se estivéssemos falando dos anos atuais, que aqui na Espanha ainda se vive uma monarquia, porém com conceitos mais atuais.
Não, no livro a Duquesa de Alba, Cayetana, viveu em 1788, quando os negros eram mal vistos e escravos. O livro conta as histórias de fofocas e brigas por poder e sexo, mas também fala de amor e proteção.
Eu, sinceramente, pelo título, esperava que falasse mais da história da adoção, da relação familiar construída e das dificuldades desta relação naqueles tempos, porém, boa parte do livro fala das intrigas, invejas e cobiças, tudo isso enquanto segue as vidas das mães, a biológica e a adotiva.
Ao final, as mães se encontram, e o livro termina com a filha de Cayetana adulta contando o final das mulheres de sua vida.
A narrativa é boa e me prendeu, mesmo com palavras mais difíceis e um vocabulário de época, o que me levou a gastar mais tempo para a compreensão, eu fiquei bem presa a história e não deixei o meu pesado exemplar de lado, nem um dia.
Ah, meu exemplar é pesado porque é de capa dura. Uma edição muito elegante.
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1º Livro lido em espanhol

Autora: Nieves Garcia Bautista
Editora: Suma de Letras
Comprei este livro pela capa e pela ideologia de sonhos impossíveis, que todos idealizamos. Lógico que, como estava há 1 mês aqui na Espanha, quando comprei, tinha o sonho de ter um bálsamo para o momento delicado que estávamos vivendo.
O livro é uma novela tranquila, conta a história de uma francesa (Marie) que resolve se mudar para Madrid. Em Madrid ela trabalha como entregadora de documentos e cartas, por isso o título de “mensajera de sueños”. Para cada entrega ela idealiza uma história e assim segue seus dias, fazendo laços com a nova Cidade.
Nesses laços ela se envolve com um vizinho intragável e começa a ler para ele as cartas que este recebia, seus encontros se tornam frequentes e ela passa a ser a única pessoa que ele recebe de bom grado. A todos os demais, inclusive a sua empregada, ele trata com desprezo. É neste momento que a história de Marie se mistura com a dos outros personagens e a novela segue por um caminho inesperado.
Fiquei curiosa com o fim do livro e por isso devorei suas páginas, porém não senti a paixão arrebatadora que o título me levou a acreditar que poderia encontrar. Mesmo assim, eu recomendo, a autora foi bem criativa.
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Parque de Belvís
Santiago de Compostela é feita de muitos parques, ontem, dia 25 de fevereiro, aproveitando que o Luiz Felipe não tinha partido de futebol, fomos caminhar um pouco e conhecer este parque que fica bem perto da nossa casa.

O Parque de Belvís é a area verde onde aparece a seta. Ele serve como um fosso de separação entre o Centro Histórico e Medieval de Santiago e o Convento de Belvís, que foi construído no século XIV. Ali vivem as monjas dominicanas descalças, que segundo dizem fazem deliciosas pastas para venda no próprio Convento. Não fui lá para ver se é real.
Em 1950 começaram a construção do Seminário Menor, uma edificação que se vê de muitos pontos da Cidade, por sua grandiosidade e por estar numa parte elevada do parque. Hoje, o Seminário Menor, além de Colégio tem parte da sua planta reservada para abrigar peregrinos num Albergue muito charmoso. Por estar na parte mais alta do parque, tem uma visão privilegiada de toda a Cidade e da Catedral. Imagino um peregrino, depois de muitos dias de caminhada, chegar a este lugar e ver toda a Cidade a sua frente. Deve ser uma emoção indescritível.
Eu passei um bom tempo por ali, sentada ao sol, no coreto, ouvindo os passarinhos e me deliciando com a vista. Como dizem em espanhol: “me lo pasé muy bien”. Foi uma sensação de paz e completude sem fim.

A entrada do parque é por este portal na Rúa do Olvido, rua do esquecimento. Só a rua tem esse nome, porque não tem como esquecer este lugar.
O Seminário Menor visto da parte baixa do parque e depois fotos de cima, junto ao coreto.
O parque tem um labirinto verde, um encanto com crianças e cachorros correndo.
Vista do casco histórico e medieval da Cidade de Santiago de Compostela. Um delicioso sol de inverno aqueceu meus olhos e coração, passei um tempo admirando cada detalhe deste lugar.