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  • Novedade Luiz Felipe

    La foto es preciosa, pero me encanta la simplicidad de la noticia, que a nosotros fue de mucha alegria y orgullo de nuestro hijo. Vea no enlace abajo.

    CATEGORÍA LOCAL VISITANTE RES. GOLES MODESTOS Fátima Deixebre 3 – 0 Viqueira, Javi e Nel XUVENÍL Estrada Fátima 7 – 0 CADETE Fátima Negreira 1 – 1 Solar INFANTIL Fátima La Salle 2 – 3 Fran e Diego ALEVÍN Fátima Cacheiras 5 – 1 Aldán (3) e Nico Fernández (2) ALEVÍN Fátima “B” Villestro 4 […]

    via Resultados 11-12/02 — Club Atlético Fátima

  • PAZ

    Sempre Paz.
    Paz com você mesmo. Paz com a família, com os amigos, com os vizinhos. Paz, resultado da aceitação, da comunhão das diferenças, da compreensão, que nada é tão importante que faça o amor presente na Paz se extinguir.
    Paz sempre.
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  • Um passeio e…

    Ontem, depois do colégio, fomos dar um passeio, aproveitar que a estiada da chuva. O passeio foi por ruas calmas e ao fim fomos comprar o pão da aldeia para o jantar, o pão da A Boa é muito bom, um dos melhores pra mim, mas como não fica tão perto de casa depende de momentos de uma boa caminhada para comprar. Aproveitando que voltamos ao regime, temos que andar e comer pouco e só coisas de qualidade e muito boas… fomos ao pão.

    A padaria fica dentro de um centro comercial, Area Central. Este centro já foi quase um shopping, mas com a criação do shopping Cancelas este Centro ficou relegado a um centro comercial. Agora tentam fazer ele voltar a ter importância financeira, os lojistas pedem por isso, afinal é uma área muito grande, numa região da cidade muito boa, com algumas boas lojas (outlets de grandes marcas) e um dos principais supermercados da Cidade. Nesse ímpeto de fazer diferente e fazer acontecer, para nossa surpresa, em todo o seu passillo, há exposição de carros novos, de diversas marcas. São os lançamentos ou principais produtos em oferta. Não é um ponto de venda, apenas exposição e nessa exposição meus meninos ficaram loucos, olha o que encontraram.

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    Simples assim, um Mustang. Aqui não é raro ver Porsches e nem Maserati. Uma Cidade com 95mil habitantes tem alguns Porches, uma Maserati e algumas Ferraris, todos muito novos. Para uma Espanha que vive o “Mileurismo” são carros caros, mas temos que considerar que Santiago de Compostela é a Capital da Galícia, tem muitos empresários que vivem aqui e tem suas empresas na redondeza. E sabe o que mais? Sabe quanto custa um carro desse? Não faça a conversão para o Real, assim ficará caro. O empresário que comprou este carro, ganha em Euro, não em Real. Olha ai, o preço… É caro, mas não é absurdo como no Brasil.

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  • O dono do tempo

    Olho pela janela e vejo chuva, não pouca, mas muita.  “Moita choiva” em galego ou “mucha lluvia” em castelhano. A chuva e o frio entristecem as pessoas, podia ser o prenuncio de notícias tristes e não esperadas.Aqui chove há muitos dias, dias cinzas, pessoas molhadas e reservadas, casas fechadas e a solidão no ar, assim é o inverno na Galícia.

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    Tempo de chuva e de se fechar em casa, com a família, com os amigos. Tenho família, não tenho amigos, mas tenho livros e eles viraram meus grandes companheiros destes dias solitários.

    Falar em tempo me faz lembrar que conheci uma pessoa que dizia que era dono do tempo. Uma de suas últimas palavras em vida, quando ainda estava sóbrio, minutos antes do acidente foi;

    – Vamos viver, o tempo que me espere, eu sou dono dele.

    Ele só não contava que ali, naquela curva, ele seria projetado ao ar e conheceria uma amiga que o levaria da vida. Ele foi dono do tempo, mas não o controlou para ter tempo de dizer;

    – Eu te amo.

    Não sei se ele escutou de alguém, não sei se estava lúcido quando eu falei.

    Fazem 3 anos, e a dor da sua ausencia de 40anos é maior do que nunca. Dizem que você era muito especial, um grande amigo. Queria ter te conhecido, provavelmente eu te amaria mais ainda.

    Espero que onde esteja possa me ver e ser meu anjo da guarda.

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  • La tristeza no imprimible

    Hay textos que no son publicables.
    Hay tristeza que no se dice, sólo se siente.
    Hay días grises como el cielo de invierno, con dudas, miedos y dolores.
    Dolores que clavan en la cabeza como el clavo en la mano de Jesús.
    Todo hay que dejar atrás,
    En un parpadear, ya es pasado, ya no se puede cambiar y hay que dejar pasar.
    Muy bien, así es la vida.
    Un café, una tarta prohibitiva y volvemos a mirar colores.

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  • Luiz Felipe e seus amigos do cole

    2017-01-24 17.35.19.jpgValentin, Óscar, Xalo, Luiz Felipe e Fernando, alunos do 5º ano A do Colégio Ramón Cabanillas – 16/17.

    Essa é parte da turma do colégio, a foto foi feita num dia que estavam fazendo trabalho de grupo sobre o Egito. Foi divertido ver essa turminha, com a ajuda das mães, fazendo uma pirâmide e um mapa tridimensional de uma via com um rio.

    O trabalho ficou lindo, todos de parabéns!!!

     

     

     

  • Educação na Espanha

    Aqui na Espanha há uma lei muito interessante. Se onde moro tiver alguma criança que eu perceba que não vai a uma escola, eu posso denunciar e os pais ou responsáveis da criança vão presos. Sim, isso mesmo, criança fora do colégio dá cadeia!

    Do meu ponto de vista, aqui começa a grande diferença para o Brasil. Não vou falar de estatística porque não tenho estas informações, mas por vivência sei que a grande parte das crianças de família de baixa renda no Brasil não tem o hábito de ir a escola. Andando um dia pela rua, quantas crianças se vê nos sinais jogando bolinha, fazendo palhaçada a troco de algumas moedas? E o pior, muitas vezes com adultos por trás abusando do trabalho destas crianças para benefício próprio.

    Muito bem,  no terceiro dia de Espanha, fomos ao departamento de educação da Xunta de Galícia. Mostramos nossos documentos, nosso empadronamento e em menos de meia hora a senhora já tinha uma documentação assinada liberando uma vaga para o Luiz Felipe no colégio mais perto da nossa casa. Ela nos instruiu a ir no colégio, finalizar o processo de matrícula e verificar com eles sobre:

    • material escolar
    • transporte para o colégio (ida e volta)
    • comedor (café da manhã e almoço)

    Ao chegar no colégio, em outros 30 minutos finalizamos a matrícula do Luiz Felipe. Recebemos o roteiro dos ônibus para levar as crianças ao colégio, com horários e nome dos monitores de transporte. E, recebemos um documento informando o valor das refeições e onde deveríamos fazer a inscrição para que nosso filho pudesse comer no colégio. Vocês notaram que só agora falei em valores????

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    Este é o Colégio do Luiz Felipe, CEIP Ramón Cabanillas. O colégio é bem antigo, porém a construção é super recente, não tenho certeza, me parece que foi entregue há comunidade local (bairro) há no máximo 2 anos. Suas instalações são primorosas; as salas de aula muito bem iluminadas, aquecidas e equipadas. Os profissionais tratam a todas as crianças com muito respeito, segundo o Luiz Felipe este colégio se iguala ao Sesi de Jacarepaguá, mas para mim com diferenças distintas relacionadas a Educação proposta por cada País. Veja:

    • o colégio é público, não pago para o Luiz Felipe estudar. Lembram da lei que falei no inicio deste texto? toda criança deve estudar, caso contrário seu responsável/tutor, poderá ser preso? se é assim, o governo dá boas escolas para a população, assim pode exigir.
    • aqui o Luiz Felipe estuda, além das matérias tradicionais; o galego (idioma local da região que moramos), o castellano (principal idioma da espanha e dos países de origem hispana) e um básico de inglês.
    • do 6º ano em diante ele terá uma matéria letiva dada em inglês, para que o aprendizado deste idioma seja mais efetivo. É comum na Europa as pessoas falarem mais de 3 idiomas. (*)

      (*)Uma amiga, que mora na Holanda, me contou que foi levar seu filho no barbeiro e descobriu que o rapaz fala 6 idiomas e está aprendendo o 7º, o português.

    • o material escolar foi dado ao Luiz Felipe, não comprei livros, os livros dados são cuidados pelos alunos, com a instrução dos professores, para que os mesmos possam ser aproveitados depois por outras crianças.
    • o transporte escolar não é pago, são ônibus em perfeito estado de conservação que pegam as crianças em pontos determinados, tem um na porta da minha casa, mas, como não estamos trabalhando preferimos levar e pegar o Luiz Felipe todos os dias, assim ficamos mais tempo com ele e acompanhamos este inicio de vida num novo País.
    • o comedor é pago, o valor é de 1,50Euros para cada café da manhã e 5Euros para cada almoço, não é caro, é um excelente preço. Mas, como não estamos trabalhando, queremos preservar as refeições em família. Aqui fazemos 4 refeições ao dia, e todas, absolutamente todas à mesa, sem televisão ligada, ouvindo música clássica e/ou instrumental, de forma que possamos nos acalmar de qualquer agitação externa e possamos conversar sobre as coisas que nos acontecem.

    Conseguem perceber os ganhos que estamos tendo com relação ao colégio? Conseguem perceber os ganhos que estamos tendo em relação a união da nossa família?

    Tenho que falar de um ponto extra, a professora do Luiz Felipe, que mulher encantadora. Tia Angelica, Lu e Tati do Sesi não podem ter ciúmes, vocês foram especiais demais para o Luiz Felipe e não imaginava encontrar uma professora como vocês, mas aqui encontrei. Hoje ele tem a professora Carmen!

    Nos 3 primeiros meses do Luiz Felipe no colégio eu não podia pegar ele na hora da saída, pois estava estudando, estava no curso intensivo de espanhol para conseguir me comunicar um pouco por aqui e para tentar ajudar meu filho no colégio. Mas, muitas vezes, no longo caminho a pé que fazia da USC para o apartamento eu cruzava com a professora dele. Na primeira vez que isso aconteceu me surpreendi de tal forma por ela me parar na rua, me reconhecer (afinal só tinha me visto uma vez) e contar como estava meu filho no colégio. E outras tantas vezes ela veio falar comigo, alguns dias perguntava o que tinha acontecido que ele estava mais tenso, outros vinha elogiar que ele tinha tido atos incríveis em sala, outros nos parabenizar pela educação e acompanhamento, outros dizer que ele estava com castigo, sem recreio por não ter feito tarefas ou por disputas com os outros meninos. Em uma de nossas conversas ele se mostrou altamente compreensiva com todas as dificuldades de um recomeço de vida, se colocou a postos para nos ajudar no que for preciso com o Luiz Felipe e me instruiu em como fazer com ele, em casa, para manter seu entusiasmo com o colégio, mesmo com as dificuldades que ele pode ter com o aprendizado de novos idiomas, tão parecidos e tão distintos entre si.

    Num desses encontros ela me contou que o Luiz Felipe logo na primeira semana já conhecia a todas as crianças do colégio, já estava perfeitamente adaptado e se virava bem, tentando fazer que os novos amigos entendessem o que ele fala e os amigos, tal como ele, faziam de tudo para que ele se enturmassem.

    Muitas pessoas falam e é verdade, as crianças se adaptam com muito mais facilidade que nós adultos. E agora, como mãe babona que sou, tenho que dizer, o meu filho é sensacional, ele tem uma capacidade de conquistar as pessoas e de adaptação incrível. Muitas vezes olho pra ele, pra vida que teve e penso: por que chorar? por que ficar triste? por que ter medo? abra os braços para o mundo e vá, de cabeça, com um sorriso de um canto a outro do rosto, esse é o recurso que o Luiz Felipe usa. E assim, ele conquistou os amigos e a professora no colégio.

    Hei, mas este post era pra falar da Educação na Espanha e não do Luiz Felipe. Mas, agora que foi, tá ai, Luiz Felipe e a Educação na Espanha.

    Resumo disso tudo?

    Além do Luiz Felipe estar super adaptado ao colégio, feliz com os amigos e a professora e lutando dia-a-dia para aprender os idiomas locais, posso dizer que a diferença entre os Países da Europa e o Brasil começa na educação. A educação pública daqui tem qualidade de educação particular no Brasil. Pode chegar algum momento que eu queira escolher um colégio para o Luiz Felipe diferenciado, há colégios Concertados (que são pagos parte pelo Governo e parte pelos pais dos alunos) e há colégios Particulares e Internacionais, totalmente custeados pelos pais dos alunos. Pode ser que um dia eu mude, não sei, o fato é, o básico tem a qualidade do Brasil… e o básico é obrigatório para todos. Outro dia saiu na mídia um casal que foi preso porque mantinham as crianças presas dentro de casa, sem estudos.

    É isso, vale refletir..

  • E agora, onde vamos morar?

    Muito bem, chegamos em Santiago de Compostela e eu, que sou afeita a planejamentos, tinha idealizado tudo o que faria na primeira semana, segunda… e assim por diante.

    Só não contava com o estado de degradação e sujeira que estava o apartamento que iríamos morar. Foi uma desilusão profunda e absoluta. Minha torre ruiu e eu não tinha mais chão, não sabia o que fazer e nem por onde começar.

    Onde vamos morar? O que vamos fazer aqui?

    Eu não parava de fazer estas perguntas, tínhamos planos de, já no dia seguinte, ter colchões na casa para dormir, mas o que encontramos derrubou nosso planejamento. Vendo o desespero que tomou conta de mim, a Soledad, prima do Enrique nos ofereceu a casa dela, para ficarmos até finalizar a obra e recebermos os móveis que ainda teríamos que procurar e comprar. Só não contávamos que esse tempo seria de 1 mês.

    Depois do choque do primeiro dia, a Soledad me acalmou e voltamos a fazer planos. Tínhamos que seguir por duas frentes, uma de documentação, para nos regularizar na Espanha e para colocar o Luiz Felipe no colégio e outra que seria todo o planejamento de obra e compras para o apartamento.

    Primeira semana, definimos tudo o que foi permitido naquele momento, DNI para o Enrique e colégio para o Luiz Felipe. O meu documento, o N.I.E, só poderia ser pedido depois que chegasse o documento do Enrique, então esperamos. Definido o colégio do Luiz Felipe, não tínhamos mais burocracias para fazer, naquele momento (a frente farei um post sobre o Colégio do Luiz Felipe, processo para conseguir e como funciona e educação por aqui), voltamos a pensar no apartamento.

    O que vamos reformar? Quanto custa? Qual o tempo que gastam para fazer cada etapa das nossas propostas? Com os valores/orçamentos em mãos, optamos pelo básico do básico:

    • Fazer um banheiro novo, já que o atual estava interditado com vazamentos por todos os lados, e era feio e sujo.
    • Colocar janelas duplas em alguns cômodos, só nos primordiais, pois as janelas existentes não fechavam direito, não isolavam do frio e não nos protegiam.

    Limpeza, pintura e todo o resto nós mesmos faríamos,  não tínhamos dinheiro para pagar a obra que o apartamento merecia, e precisávamos morar em algum lugar, então optamos por fazer o que podíamos e contratar uma equipe para fazer o mais hard da obra. Enquanto o Oscar e sua equipe trabalhavam quebrando o banheiro e levantando uma poeira infernal, fomos às compras. Os móveis foram comprados na loja mais barata da cidade e ficaram armazenados por 3 semanas. Não era minha propostas comprar esses móveis, afinal fiz arquitetura e gosto do que é bom e bonito, mas… não era o momento, eram muitos gastos e tinha que suprimir em algum lado para conseguirmos fazer parte do que nos sobrava no planejamento.Em paralelo eu rezava por um milagre, “o milagre da casa pronta:.

    Digo pra vocês, fazer uma mudança de País é difícil!! São muitas surpresas, muitas dificuldades, a pessoa ou família, precisam estar muito firmes em seu propósito para segurar a barra. Com filhos a situação aperta um pouco mais, mas superamos. O segredo foi a família, a relação de amor e confiança que temos um no outro. Sempre que um tombava, cansado, triste e doente, tinha outros dois para apoiar e ajudar a passar a fase..

     

    Quer ter uma idéia de como estava o apartamento??? Olhem isso:

    Quando o morador saiu, o que sobrou foram paredes verdes, esburacadas, trincadas e infiltradas, o banheiro estava interditado com vazamento e muita sujeira!

    O trabalho foi puxado, andávamos cerca de 5km ao dia e trabalhávamos puxado, era tanto trabalho que, mesmo parando para lanchinhos doces, conseguimos emagrecer 14 kilos (Enrique menos 8 e eu menos 6). E o Luiz Felipe? Esse não engorda nem emagrece, tudo o que come vai pra altura, já está quase-quase do meu tamanho.

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    Esses momentos foram duros, muito trabalho, muito stress, mas muita alegria e brincadeiras em família. Não fizemos a casa toda, o dinheiro era pouco. Está longe de ser o apartamento bonito que tínhamos no Brasil mas, pouco a pouco vamos arrumar. O que importa? Fazem 3 meses que temos uma casa pra chamar de nossa.

    Lembro a alegria de quando entregaram os móveis e montaram a minha cama, eu chorava como uma criança, era tanta alegria, no total foram 7 meses dormindo em camas alheias, que falta faz ter a sua cama, a sua casa…

    Sabe qual foi nossa maior sorte? O outono quase não choveu, tivemos días bem quentes e conseguimos passar massa e pintar o apartamento em 15 dias. Só lembrando uma coisa, quem emassou? Quem pintou? Precisa de um pintor por ai??? Só fazer contato, pode deixar que não cobro caro… ;oP

     

  • Hablar en español

    Vim para a Espanha sem falar espanhol. Sim, já sei, sou louca.

    Enrique disse que seria fácil, aqui falam galego que é muito parecido com o português e isso me ajudaria a, pouco a pouco aprender o espanhol (castelhano).Como sou apressada e não giro no tempo padrão,  já cheguei aqui matriculada num curso intensivo de espanhol, na USC (Universidade de Santiago de Compostela). Eram 2 meses e meio de curso, com 5 horas de aula ao dia, de segunda a sexta.

    Depois de muitos anos longe de uma sala de aula, me senti super motivada, adoro estudar, só que não contava com um detalhe, eu era a única ocidental no meio de 14 orientais, sendo 4 vindos do Japão e 10 da China, todos com 20 anos e com um espanhol básico e muito correto. Eu com meu portunhol-agalegado não conseguia me comunicar com minha turma, só com a professora e tinha que fazer diversos trabalhos em equipe.. ufa, quase aprendi a falar chinês nesse meio tempo. Foi divertido, muito divertido.

    Ao final do curso, tínhamos que fazer um trabalho para mostrar nosso nível de aprendizado falando do período que passamos estudando em Santiago de Compostela. Mas para mim não era um periodo estudando, era o início de uma vida e pouco tinha conseguido dividir com as meninas da minha classe (sim, éramos 15 em sala e só tinha 1 menino, o Riku que veio do Japão). Tive que usar meus encantos de vendedora e convencer a professora e a coordenadora que eu deveria fazer o trabalho sozinha, afinal o que poderia falar do Brasil e da minha vivencia em Santiago na situação que eu me encontrava? Aprovada a execução do trabalho, eu tinha 1 semana para desenvolver e apresentar para toda a escola de idiomas da USC, que naquele momento contava com umas 10 pessoas na equipe diretiva e de ensino, mais cerca de 100 alunos, sendo 90% de chineses, 6% de japoneses e os 4% restantes divididos entre (um coreano, uma alemã, uma turca e eu, a coroa brasileira).

    Apresentar em público para mim não era mais um problema, afinal agora além de rir sem tapar a boca com as mãos, dou gargalhadas, falo alto e sou cara de pau. O problema estava em fazer apresentação em vídeo, mas não aqueles vídeos que já publiquei por ai. Todos os exemplos eram de vídeos editados, com imagens diversas de Santiago e arrededores, acompanhados de músicas… HA!!!, aqui estava meu problema. Eu nunca tinha editado um vídeo e nem sabia como fazer e para piorar a situação, meu computador resolveu não colaborar e não era possível editar o vídeo. Mas quem me conhece sabe, eu não desisto fácil e tinha determinado que faria minha apresentação em vídeo e assim foram os meus últimos 3 dias do curso sem dormir, investigando todas as possibilidades de fazer o tal vídeo acontecer.

    No curso diziam, muda, não precisa ser um vídeo, pode ser uma colagem, uma fala, uma carta, qualquer coisa, não gaste seu tempo com isso. Mas eu estava determinada, eu faria o vídeo!!

    Resultado, fiz e segue abaixo! Eu não desisto nunca!!!

    Espero que se divirtam.

     

     

     

  • Hoje eu chorei

    Eu nunca tinha viajado para fora do Brasil. Nasci em Pouso Alegre, MG, e com 2 ou 3 anos fui para o Rio de Janeiro. Diz minha mãe que eu tinha um desenvolvimento diferente das outras crianças e ela precisa de um médico, especializado, para descobrir o que eu tinha. Não sei bem se este era o motivo, se fosse somente isso ela poderia ter me levado para São Paulo que ficava há 2 horas da Cidade que morávamos, enquanto o Rio de Janeiro estava há 6 horas de viagem.

    O fato é que no Rio de Janeiro estava meu pai e, no fundo, eu acredito que ela queria se reaproximar dele para fazer o casamento dar certo. Eles estiveram vivendo juntos por cerca de 2 anos. Isso depois de casar, porque naquela época tinha que casar no civil e na Igreja. Contam que o casamento foi bem atribulado, muitas brigas, muitos tapas e choros, até que meu pai resolveu sair de casa e da Cidade e se mudar para o Rio de Janeiro com a desculpa de trabalho.

    E assim foi, fomos para o Rio de Janeiro, e eles voltaram a viver juntos. Tenho algumas lembranças dos 4 a 6 anos, que foi o período que meus pais voltaram a se separar, em definitivo. Enquanto isso acontecia, os médicos faziam trezentos exames para descobrir o que eu tinha. Muitos exames, muita invasão, pouca explicação, tudo para descobrir uma coisa bem simples, tenho um problema hormonal e ponto. Tomo um remédio para suprimir a produção exagerada de um hormônio e assim está, vida normal.  Mas para minha mãe e meu pai que estavam em pé de guerra nada era normal, tudo era culpa de alguém… Foi assim que cresci, no meio de culpas e separação. O resultado foi uma criança extremamente tímida. Quem me conhece hoje não vai acreditar, mas até os 19 anos eu falava, mas com pouquíssimas pessoas. Era extremamente desconfiada e quase não tínha amigos. Lembro uma vez, com 16 anos, a dona de uma papelaria, que eu sempre passava as tardes com ela, me dizer que eu deveria sorrir mais e, quando fizesse isso, que permitisse que as pessoas vissem meu sorriso. Ninguém via, eu escondia com as mãos… Eu era assim.

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    Contei tudo isso para dizer, que jamais na minha vida eu imaginaria que, um dia, iria morar fora do Rio de Janeiro, Cidade que me acolheu e que amo de paixão. Muito mais que iria morar na Europa. Duas ou três vezes tentei planejar viagens de passeio, e sempre davam por água abaixo. Acontecia de tudo e eu não podia viajar. Viagens a trabalho fiz muitas: São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, João Pessoa, Belo Horizonte, Petrópolis, Teresópolis e mais umas outras tantas. Viagens a passeio, planejada e com passagem comprada, só uma, para Arraial D´Ájuda (e olha que precisei da ajuda de todos os santos para que essa viagem vingasse, até o último minuto acreditava que ela não seria possível). Não sei o que passa, mas a Deusa das viagens nunca esteve ao meu lado, abrindo caminhos. E, em 2016, ela não só abriu o caminho, como baixou o vôo, me colocou dentro, com 7 malas e me colocou aqui, sem direito a retorno.

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    Não foi nada fácil chegar aqui. Os últimos 7 meses que estive no Brasil, foram difíceis, oh que difíceis. E agora os 4 meses que estou aqui, ufa, continuam sendo. Mas estar hoje, no meio da Praça do Obradoiro, ouvindo o som de uma gaita de fole, as badaladas dos sinos da Catedral avisando que eram 12 horas e o fraco sol do inverno batendo em meu rosto, me fizeram chorar de emoção. Eu estou aqui, eu estou aqui, aqui vou ficar e aqui vou vencer todas as batalhas, com as bençãos de Santiago de Compostela e de todos os Santos que estão em sua Igreja, com a minha força e a determinação de que o meu destino é repleto de sucesso, eu vou vencer!foto_pb_catedral_santiago_entrada_rua-nova